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05/04/2019 | domtotal.com

Nada é impossível de mudar

Manter a integridade, o fio da lucidez do desafio de manter-se vivo, ativo, em meio ao vendaval de modos toscos e ideias curtas.

Trabalho do artista Jorge Méndez Blake, intitulado O Castillo.
Trabalho do artista Jorge Méndez Blake, intitulado O Castillo.
Trabalho do artista Jorge Méndez Blake, intitulado O Castillo.
Trabalho do artista Jorge Méndez Blake, intitulado O Castillo.

Por Eleonora Santa Rosa*

Em tempos de desinteligência, incultura e deselegância de gestos e comportamentos, de bazófias, impostura e de ausência de estatura, de rudeza de espírito e indigência moral, de sandices sem fim e violações aos borbotões, em cenário de dissolução, usar todo o aprendido na escola da vida de baliza ética, dos valores humanos, da criatividade e beleza, da educação generosa, da arte e invenção, da elegância e civilidade básica, do respeito e compaixão.

Ler muito, ouvir canções, dançar ao relento, assistir filmes em profusão, usufruir na paisagem o que supera a crueza dos dias sem solução aparente, conversar com gente inteligente, do bem e de bem, de lutas comuns, de delicadeza e nem tantas certezas, de suavidade e tenacidade, de malemolência e independência, de outros ritos e expressões. Manter a integridade, o fio da lucidez do desafio de manter-se vivo, ativo, em meio ao vendaval de modos toscos e ideias curtas.

Pensar com o cabedal formado ao longo da vida – não capitular, não esmorecer, não se desmerecer; não ao conluio, ao obscuro, ao soturno satânico canto de cooptação; não aos sempre pendurados no galho do agora, ladinos ventríloquos do discurso da ocasião. A vida requer mais do que o medo do degredo, do exílio forçoso, do silêncio imposto pelo toque de recolher. Há espaço, há saída, há vasto surpreendente caminho a ser percorrido nos territórios de livre expressão, searas de resistência e insubmissão.

Tudo passa, tudo muda, tudo se transforma, tudo se desloca nos imensos campos de construção de culturas, de afetos, de amizade, da solidariedade, de genuína vontade de estar com outros, de saber-se outro, de dividir com os demais, com os irmãos de crença, os ideais e o gosto comum pela arte, pela poesia, como a de Brecht em seu extraordinário Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

*Jornalista e gestora cultural.

EMGE

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