Meio Ambiente

06/04/2019 | domtotal.com

Cientista afirma que epidemia global pode extinguir 90 espécies de batráquios

A infecção pelo fungo leva à produção de uma quantidade anormal de queratina, provocando mudanças anormais nas espécies.

Rã venerosa no zoológico de San José, Costa Rica, 13 de março de 2019
Rã venerosa no zoológico de San José, Costa Rica, 13 de março de 2019 (AFP/Arquivos)

A quitridiomicose, doença mortal provocada por um fungo que afeta os anfíbios, virou uma "epidemia mundial", alerta à AFP o biólogo americano Jonathan Kolby, um dos autores do estudo sobre este mal que ameaça extinguir umas 90 espécies de batráquios.

"Este é o primeiro caso de uma epidemia mundial de doenças da fauna silvestre. Atualmente, há mais de 60 países afetados", assegura Kolby, coautor do estudo publicado na revista 'Science' sobre os devastadores efeitos do fungo patogênico 'Batrachochytrium dendrobatidis', apresentado no Congresso Internacional de Saúde Animal Marinha, que termina nesta quinta-feira (4) em Santiago do Chile.

Kolby estima que o fungo, que ataca a pele de rãs, sapos e outros batráquios possa extinguir umas 500 espécies.

A infecção por 'Batrachochytrium dendrobatidis' leva à produção de uma quantidade anormal de queratina - proteína básica da epiderme -, impedindo correta regulação da água e dos eletrólitos, provocando insuficiência cardíaca nos animais afetados.

Nas últimas cinco décadas, esta doença, extremamente contagiosa, já teria causado o desaparecimento de dezenas de espécies, segundo o estudo.

Sua rápida propagação mundial é associada à falta de normas no comércio mundial de animais e da vigilância aeroportuária, o que facilita a entrada destas espécies sem qualquer controle veterinário.

"Temos que nos concentrar nas regulações comerciais para resolver este problema", alertou o cientista americano, especializado em doenças de animais silvestres e integrante de uma equipe de cerca de 40 especialistas, que participou do estudo publicado em 29 de março na prestigiosa revista científica.

Só nos Estados Unidos entram anualmente mais de cinco milhões de anfíbios.

"A globalização é boa para os humanos, mas tem consequências para os animais", afirma o especialista.

Atualmente, Austrália e países da América Latina são os locais onde os cientistas detectaram a maior incidência desta doença. A mobilidade entre esta região e a Ásia, onde o fungo teria se originado, seria chave para explicar seu avanço. Os cientistas também trabalham com a hipótese de que o fundo teria sofrido uma mutação, tornando-o mais perigoso.

A deterioração da qualidade da água nas zonas povoadas por rãs seria uma das consequências mais devastadoras de uma possível extinção desta espécie, que se alimenta de certas plantas que melhoram a qualidade hídrica.

Da mesma forma, os anfíbios também podem ajudar a controlar a incidência de doenças perigosas para os seres humanos, como a malária e o zika, ao se alimentar dos mosquitos hospedeiros dos agentes causadores destas enfermidades.

Algumas espécies que se alimentam dos anfíbios também podem ser afetadas, razão pela qual alguns cientistas já falam de Sexta Extinção em massa de espécies da Terra, pois terão que alterar sua dieta.

"É um efeito dominó", acrescenta Kloby.

Portanto, não é um problema que afetará apenas os animais, mas também os seres humanos.


AFP

EMGE

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