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10/04/2019 | domtotal.com

ConstruTech: palco do futuro da engenharia

O uso de tecnologias na construção civil, o mercado de startups e a capacitação profissional foram alguns dos temas em debate.

Professor Cláudio Soares, Gabriel Max e Flávio Andrade, da EMGE, participam da ConstruTech 2019.
Professor Cláudio Soares, Gabriel Max e Flávio Andrade, da EMGE, participam da ConstruTech 2019.

Por Gabriel Max
Aluno da EMGE

Em uma palavra: tecnologia. Foi disso que se tratou a maior conferência nacional de construção civil, realizada na sexta-feira (29/3), no ExpoCenter Norte, em São Paulo. Fomentando o ambiente para se fazer negócios, o propósito do evento era reunir empreendedores de destaque nos segmentos da Engenharia Civil, além daqueles ligados a ela – desde o planejamento de obras, alternativas de financiamento e sustentáveis propostas arquitetônicas até os novos arquétipos das imobiliárias.

A ocasião foi espaço para conectar aqueles que planejavam otimizar seu negócio, fosse por trocas de experiências entre empreendedores do mesmo âmbito, via networking que estreita os contatos, ou a criação de sociedades que maximizam os resultados. Todas essas abordagens mediadas por um mindset colaborativo e de crescimento.

Contexto

Ao início da palestra, a StartSe, promotora do evento, explicitou a tendência de ascensão do setor de construção no Brasil, que demonstra sinais de recuperação econômica. Embora o número de negociações tenha diminuído, cada investimento é substancialmente mais volumoso que aqueles dos anos anteriores — ultrapassando a faixa do bilhão de dólares, já em 2019.

Desde o começo, o potencial de inovação de cada espectador foi estimulado, e as palestras foram conduzidas para provocá-lo a pensar nas tecnologias que permearão o ramo em breve. Muito da mensagem transmitida almejava instigar o espírito empreendedor que, no Brasil, demonstra fragilidade há tempos, devido à conjuntura político-econômica que desencoraja investimentos significativos.

Em contraste, o cenário atual propicia o surgimento de startups com o potencial de colaborar com empresas já consolidadas, ou até mesmo enfrentar personagens tradicionais no mercado. Tudo isso é possível graças ao advento tecnológico da Inteligência Artificial (IA), do Big Data, da Internet das Coisas, do Machine Learning (ML), Impressão 3D, Realidade Aumentada e ao que mais a Indústria 4.0 dá direito.

Hoje, a competição é anônima e origina de meios antes impensáveis. Não é mais com a empresa do mesmo setor que a líder de vendas deve se preocupar, mas com uma infinitamente menor, de outra área, que agora dispõe da capacidade de destruir paradigmas; um segmento inteiro do mercado, com uma rapidez sem precedentes.

Empreendedorismo: o que antecede todo o resto

As apresentações encadeadas fomentavam a todo instante o ímpeto empreendedor. Os palestrantes eram prova viva e começavam só com uma ideia, coragem e os recursos que tinham, ali – cada um em seu próprio contexto, com suas vantagens particulares e desafios individuais. Independentemente de onde partiram, traçaram seus caminhos em busca de tornar realidade o modelo de negócios que internalizaram. Fatalmente, muitas dessas ideias jamais serão inovação — por timing errado, falta de demanda ou planejamento.

Porém, o que os cases lá presentes evidenciaram é que erros sucessivos antecedem um produto ou serviço de sucesso. A questão é: uma hora dá certo, uma hora funciona. E todos eles tinham claro em mente qual era a ideia central por detrás do empreendimento. Nos mais variados temas e formatos, toda inovação tinha seu propósito.

Nenhum deles consolidou o próprio negócio sozinho. Sempre havia uma equipe competente no entorno, antes do fruto que vai à mercado e alcança o cliente.

Qualquer que fosse o escopo do empreendimento, negócios sociais ou o mapeamento de campos de obra por intermédio de drones portando sensores, os agentes que acompanham essas inovações se propuseram algo de impacto e, logo, foram lá e fizeram. Eles sabiam de problemas carecendo de remédio e apresentaram uma solução bem-aceita pelo mercado. Isso não surge do nada e, para além da sorte, é preciso ser bom no que faz.

Startups x Empresas Tradicionais

No decorrer de um dia de apresentações, ficou explícita a cadência com que as emergentes empresas, movidas a inovação, com notável escalabilidade e grande potencial de impacto, englobavam as novas tecnologias desde os primórdios. Era justamente por meio dessas ferramentas, como o processamento massivo de dados e posterior tratamento desses (viabilizados por: Big Data, IA, ML), que as startups garantiam sua oportunidade de fazer jus à presença no mercado.

Por outro lado, empresas muitos grandes, embora com market share mais expressiva, demonstravam uma dificuldade tremenda em pivotar, a fim de adequar o negócio feito em moldes obsoletos àquelas tecnologias que virão com cada vez mais força. Foi perceptível que imobiliárias e empresas mais antigas destoavam grosseiramente da sintonia com esses novos instrumentos na relação com o cliente.

É uma vantagem evolutiva gigantesca, para sobreviver no mercado, ter as fundações da empresa já sobre o mundo V.U.C.A. (acrônimo em inglês para volatibilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) e o novo contexto do mercado. Em contraposição, a empresa grande enfrenta um desajeitado e potencialmente letal processo de readaptação, a fim de manter sua relevância e demanda no mercado nos anos adiante.

Prévias delineadas do futuro

Os ângulos das empresas participantes foram diversos, alguns muito técnicos, outros mais artísticos e voltados para questões sociais, levantando até mesmo o elemento da dignidade na moradia, a que todos merecem acesso. Apesar da abrangência, existe, de fato, uma interseção entre os assuntos: todos tinham, como objetivo comum, acentuar a qualidade de algum bem material já existente – o que variava era a abordagem para se alcançar isso.

Uma das primeiras palestras foi do ConstruCode, um software capaz de transformar plantas baixas e afins num código QR, para agilizar e melhorar a sincronia entre os diferentes tipos de trabalho (execução em si, ajustes e correções) operados num campo de obra. A missão era poupar retrabalhos, gastos e tempo, com o atalho, mais coerente.

A Pauluzzi, empresa antiga de blocos cerâmicos, é um modelo para o intraempreendedorismo. Seu sócio diretor, na intenção de implementar as tecnologias da Revolução 4.0 na empresa, investiu na própria formação para usufruir da tecnologia de Realidade Aumentada, para criar softwares capazes de simular prédios inteiros na tela de um smartphone, ou até mesmo dispor, virtualmente, uma parede de tijolos que deve ser preenchida fisicamente. O intuito era aproximar o cliente do produto que ele poderia esperar.

No mesmo raciocínio de otimizar o cotidiano das obras, a Dragon oferece uma solução para mapear terrenos, por meio de drones com sensores térmicos, de luz visível e de alta qualidade, para intensificar a precisão das medições no canteiro. Após a coleta de dados e imagens, a tecnologia permite, por exemplo, quantificar uma pilha de brita para saber quanto existe de volume e massa no local definido.

Na ConstruTech também compareceram empresas comprometidas a substituir o modelo vigente de prestação de serviços imobiliários, para quem vende, compra e intermedia. Em termos gerais, esses negócios são justificados pela premissa de que, no futuro, cada vez mais, as pessoas deixarão de ter casas próprias e a alternativa, por consequência, será viver de aluguel.

Nesse contexto, uma empresa grande no ramo tentava se reajeitar perante as demais, crescentes. Enquanto isso, a Vitacon insinuava a pretensão de, no futuro, tomar o espaço da Quinto Andar, que ficou conhecida por aplicar justamente o modelo de negócio discorrido acima. Essa última empresa é a que possui a plataforma melhor consolidada e mais bem munida, quando se trata de inovar no aluguel.

Houve também uma empresa de arquitetura, vinda do Nordeste, denominada Haut Incorporadora Design, que se propôs a planejar diferente. Ela dá total liberdade criativa aos seus funcionários, para que eles criem obras que mudem a relação do homem com a cidade; transformem o espaço urbano – e só então fica a cargo dos engenheiros darem concretude ao trabalho, sobretudo, artístico.

Por fim, para causar impacto, quem encerrou o evento com ecoante repercussão foi o CEO do Moradigna. Ali, ele foi à negócios, porém, sua causa era bem mais nobre e seu empreendimento tratava de comunidades carentes; não fazendo caridade, mas permitindo a realização do sonho de muitas famílias de terem uma casa decente, reformada, mesmo com o pouco capital de que dispunham.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!


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