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15/04/2019 | domtotal.com

A morte não manda aviso

Uns e outros sabem que a morte está à espreita e não a temem. Ao contrário, a desafiam.

Para os casos de morte natural, a vida seria menos cruel se as pessoas ficassem sabendo com antecedência o dia em que deverão se despedir do mundo.
Para os casos de morte natural, a vida seria menos cruel se as pessoas ficassem sabendo com antecedência o dia em que deverão se despedir do mundo. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*

Não há como concordar com certas mortes. Um velho quando morre faz sofrer os filhos, os parentes, os amigos, mas é um sofrimento temperado com não manifesto e mal disfarçado conformismo. Os velhos estão mesmo em tempo de dar por encerrada sua missão na terra. Já deram o que tinham de dar e receberam o que tinham a receber.

Mas uma pessoa jovem, que teria muito ainda a realizar, muito a usufruir e oferecer à família e ao mundo, morrer de repente, sem o simples direito de envelhecer, como aceitar isso sem protesto?

É o que me vem à mente ao observar, dentro daquele caixão, cercado de flores, parentes e amigos, o semblante sereno do jovem homem que ali se encontra, inerte. Morreu de infarto, aos 45 anos.

Ao lado dele repousa, viva, uma evidente falha divina. Me convenço de que Deus errou redondamente ao programar a vida e não fazer o mesmo com a morte. Se sabe o dia de nascer, por que não o de morrer? Não diz a lenda que todos temos uma missão na terra e, uma vez terminada, é hora de nos despedirmos? Pois bem, que todos saibamos disso e nos preparemos para o inevitável. Infelizmente, a coisa não funciona assim, como bem vejo na morte inesperada e inaceitável desse meu amigo que ali repousa eternamente.

Sei bem que alguns jovens buscam a morte prematura, embora não a queiram propriamente. São os que gostam de viver perigosamente e de causar a morte de outros, como acontece com os traficantes, os ladrões, os assassinos profissionais. E há os que morrem de overdose de drogas. Uns e outros sabem que a morte está à espreita e não a temem. Ao contrário, a desafiam. Por isso podem ser considerados suicidas.

Há também casos em que jovens morrem por não esperar mais nada da vida e se deixam abater pela depressão, pelo desejo de se libertar dos males que o afligem. Então se matam. São tragédias humanas que costumam acontecer. O certo é que jovens ou crianças não deviam morrer, a não ser nos casos de acidentes inevitáveis ou não evitados, como tantas vezes ocorre no tráfico e no tráfego, especialmente nas rodovias.

Para os casos de morte natural, a vida seria menos cruel se as pessoas ficassem sabendo com antecedência o dia em que deverão se despedir do mundo. Aí poderiam preparar com calma o testamento, parentes e amigos seriam devidamente informados, os funerais poderiam ser programados para se aguardar com tranquilidade a hora de pedir a extrema unção e chorar a partida do ente querido.

Ah, quantas lágrimas seriam poupadas, quanto sofrimento amenizado, quanta dor aplacada se o Criador tivesse dado atenção a esse pequeno detalhe na sua maravilhosa obra!

Mas, já que Ele, na sua infinita sabedoria, não se preocupou com isso, fazer o quê? Agora, Inês é morta. E para minha tristeza, é morto também esse meu amigo. Mas, por que tão jovem?!

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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