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16/04/2019 | domtotal.com

Educação a serviço da cultura e da tradição maxakali

Projeto inédito desenvolvido no interior de Minas incluiu disciplina Cultura Indígena na grade curricular. Estudantes se interessam mais que o inglês, diz professor.

Com professor indígena, alunos aprendem ler e escrever na língua Maxakali
Com professor indígena, alunos aprendem ler e escrever na língua Maxakali (Divulgação Prefeitura de Bertópolis)

Por Rômulo Ávila
Repórter Dom Total

Se o índio tem necessidade de aprender português para se comunicar com outras pessoas, por que o não índio também não deve aprender a língua maxakali? Foi a partir desse questionamento que nasceu uma iniciativa pioneira no município de Bertópolis, no Vale do Mucuri, interior de Minas Gerais. Em março deste ano, a disciplina Cultura Indígena foi incluída na grade curricular de estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental de duas escolas do município.

Uma vez por semana, o professor Damazinho Maxakali deixa a aldeia, a 25 quilômetros da sede do município, para ensinar a mais de 200 estudantes como ler e escrever na língua do seu povo. Graças à iniciativa, os alunos já aprenderam, por exemplo, que xuxnãg significa onça, xomuk quer dizer papagaio e xox'ãnet é a palavra usada para designar um beija-flor.

“Os estudante se interessaram mais do que o inglês, porque eles têm como praticar a língua maxakali , já que os índios estão aqui todos os dias”, diz o secretário de Cultura Gustavo Carrieiros.


Os maxakalis são uma das nações indígenas brasileiras que ainda preservam sua língua, fato raro em Minas Gerais. Na aldeia, a maioria dos habitantes só fala a língua maxakali, que não utiliza todas as letras do alfabeto latino.

Para a gestão municipal, o conhecimento das tradições é ferramenta de respeito à cultura indígena e também uma maneira de ajudar a ampliar a visão de mundo das crianças.

Em entrevista ao DomTotal, o professor Damazinho Maxakali destaca que foi a primeira vez que a comunidade de Bertópolis escolheu um índio maxakali para dar aulas em uma escola da cidade.

“Falo na língua maxakali e também traduzo para o português. Os alunos estão gostando, já estão até desenhando. Os alunos me perguntam, eu respondo na língua maxakali e depois traduzo. Também ensino como se escreve o alfabeto maxakali”, conta o professor.

Bertópolis tem 5 mil habitantes, dos quais 1.200 são indígenas que moram em aldeias. Antes das aulas, o secretário de Cultura conta que existia muito preconceito, situação que começou a mudar logo nos primeiros dias de aula, em março deste ano. 

“Hoje, o pessoal tem orgulho de falar dos maxakalis. O resultado vai além da sala de aula, pois os alunos multiplicam o conhecimento para seus familiares”, diz Gustavo.

Além de ensinar, o professor Damazinho afirma que está aprendendo com os não índios. “Já me acostumei lá. Vi um professor dando aula, tem a questão do horário. Aqui na nossa reserva, na escola maxaKali, é diferente da cidade”, diz o indígena.

Intercâmbio

A Prefeitura de Bertópolis mantém outros projetos de valorização da tradição maxakali, como o Intercâmbio Cultural. A iniciativa abre espaço para que escolas de outras cidades tenham aulas com os maxakalis. Basta entrar em contato com a Secretaria de Cultura e solicitar uma visita. Feito isso, o professor maxakali vai à escola falar sobre a cultura do seu povo.

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