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20/04/2019 | domtotal.com

Museu de Paris conta a história dos três mil anos do perfume

Com a ajuda de um guia, os visitantes descobrirão um "órgão do perfumista".

Vidros de perfume do século XIX em exposição no novo museu de Paris.
Vidros de perfume do século XIX em exposição no novo museu de Paris. (AFP)

O perfume foi usado em rituais funerários antes de Cristo para disfarçar os odores insuportáveis na Idade Média, e é usado como luxo e prazer na atualidade. Um mundo fascinante, contado em um novo museu de Paris.

Em um palacete privado de frente para a Ópera Garnier, no centro da capital francesa, a casa fundada pela família Fragonard, baseada em Grasse, explica uma arte ligada a esta cidade da Côte d'Azur, berço da perfumaria mundial e que, em 2018, foi inscrita na lista de patrimônio cultural imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

"Se trago meus filhos aqui, não quero que fiquem entediados. Também quero que os turistas chineses que vêm para a França fiquem com uma visão fundamental do ofício", explica à AFP Agnès Costa, descendente da dinastia Fragonard e que dirige a criação desta casa.

Com a ajuda de um guia, os visitantes descobrirão um "órgão do perfumista", que conta com 400 frascos para criar composições e que foi usado até o século XX, e tentarão unir fragrâncias de flores em um jogo olfativo.

Maria Antonieta, rainha 'perfumada'

Um dos carros-chefe da mostra é o cofre de Maria Antonieta, a "rainha perfumada", que, ao contrário de seus contemporâneos franceses, manteve bons hábitos de higiene herdados da infância em Viena.

Os "pomander", recipientes de metal nos quais se guardam esponjas impregnadas de óleo essencial, servem para contar uma parte da história da Idade Média. Na época, o perfume se tornou sinônimo de paganismo para a Igreja, embora continuasse a ter o poder de repelir as epidemias trazidas pela água. Os homens que participavam de cruzadas retornavam com espécias raras, ou outros materiais perfumados.

Os "vinagres" dos frascos tinham um odor muito forte, para devolver a consciência às mulheres que desmaiavam, devido aos apertados corseletes.

No século XVIII, houve uma mudança: os perfumes, que se tornaram mais sutis, deixaram de ser usados para disfarçar os maus odores do dia a dia e se tornaram uma questão de prazer.

"Hoje, gostamos dos perfumes mais aéreos, mais leves. Se apresentasse um perfume do século XX, se surpreenderiam. Eram muito pesados. Quando se dizia uma gota, era uma gota. O gesto de aperta um spray não existia", relata Agnès Costa.

Gostos por regiões

O gosto pelo perfume varia em função da geografia, conta Costa.

"É como as vozes do rádio, que não são as mesmas hoje que nos anos 1950", relata.

"Os franceses preferem as águas de colônia, os perfumes leves, florais, e os americanos, os perfumes embriagantes. (...) Os chineses tendem para o exterior, gostam das coisas com cheiro forte, assim como os russos", completa.

Os modos de fabricação e os materiais usados também mudaram muito - para o bem, ou para o mal.

Os perfumistas não trabalham mais com um órgão de perfumes, mas com um papel e com um lápis. "Como os compositores que têm a música na cabeça", fazem suas fórmulas e escrevem.

As leis que proíbem, ou limitam, as matérias-primas que podem causar alergias, como as de origem animal, a bergamota, ou a flor de laranjeira, "tornam mais complexa a produção do perfume e limitam a criatividade", explica Costa.

"Temos de retrabalhar constantemente as antigas fórmulas. As pessoas dizem 'o perfumista economiza, meu perfume não é mais a mesma coisa'. Mas nem sempre é culpa do perfumista. Com frequência, é a lei que nos obriga a retirar matérias-primas que estão muito concentradas, segundo as normas do ano", conclui.


AFP

EMGE

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