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21/04/2019 | domtotal.com

Reencarnação ou ressurreição?

Quem morre, acaba, só deixando os frutos de sua intelectualidade, se é que o fazem.

O livre-arbítrio foi dado por Deus, como uma condição de quem cria por amor
O livre-arbítrio foi dado por Deus, como uma condição de quem cria por amor (Pixabay)

Por Evaldo D' Assumpção*

Aproveitando a celebração da ressurreição de Cristo, neste domingo de Páscoa, quero falar sobre um dos grandes dilemas da humanidade: o que nos espera após a morte? A impossibilidade de o saber, nos leva a muitas suposições, mas nenhuma delas com certeza absoluta. Também existe o medo provocado por diversos credos religiosos, quase sempre apontando, para esse futuro incerto, a certeza de castigos e sofrimentos impensáveis.

Desde priscas eras, talvez desde que os primeiros antropoides se metamorfosearam no Homo sapiens, ao humano, que pensa e sabe (...) que está pensando, essa dúvida o instiga. Desde o início, duas correntes se formaram e hoje se digladiam como se fossem a absoluta verdade: os que creem numa vida após a vida, e aqueles que a desdenham totalmente, nada crendo existir após a morte. Para esses, o fim é exatamente isso: o término de tudo, o nada. Quem morre, acaba, só deixando os frutos de sua intelectualidade, se é que o fazem. E mesmo esses, sabem que com o passar dos anos tudo se perderá nas brumas do tempo.

Todavia, existem os que não admitem a morte como um fim, porém apenas como uma passagem, uma transição, o começo de uma nova vida. Esse grupo, sem dúvida constituído pela maioria dos humanos, também se divide em duas correntes:  aqueles que creem na morte como uma transição da vida material como a conhecemos, para uma vida puramente espiritual, sem qualquer retorno a essa existência espaciotemporal; e outro grupo, que tem suas origens em tempos bem antigos, mas cuja doutrina se organizou a partir do trabalho e publicações de Hippolyte Léon Denizard Rivail, pedagogo francês nascido em 1804 na cidade de Lion, França, e falecido em 1869, em Paris. 

Sob o pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como o codificador da Doutrina Espírita, instituída sob forte influência cristã, já que sua família era de formação católica. Em 1854, interessou-se pelo fenômeno conhecido como “as mesas girantes”, grande atração naqueles tempos. Todavia, o que mais o fascinou foram as chamadas escritas mediúnicas – psicografias – atribuídas a espíritos de pessoas já falecidas, às quais se dedicou a estudar com grande afinco, acreditando que era o meio utilizado pelos espíritos dos já falecidos para se comunicarem com os que aqui prosseguiam vivendo. 

A partir disso, escreveu vários livros, codificando suas crenças, e resumindo seu pensamento na frase: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", que pode ser vista em seu túmulo, no cemitério de Père Lachaise, em Paris. Como consequência, ensinava que as pessoas não morriam definitivamente, mas deviam reencarnar-se para, em novas vivências, corrigir imperfeições e faltas cometidas em vidas passadas, única condição para redimir todos os erros cometidos. 

Na realidade, ele não quis criar uma nova religião, mas sim uma ciência, a que denominou “Ciência dos Espíritos”, cujo objetivo era estudar as várias manifestações dessas entidades. Foram seus seguidores que, a partir dos seus ensinamentos constituíram a religião espírita, em cujo fundamento está a comunicação com os espíritos dos mortos, e a reencarnação como única via de salvação. Como ensinou Léon Denis, um dos seus principais seguidores: “O sangue, mesmo de um Deus, não é capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo”. Portanto, a redenção vinda por Jesus Cristo, e por ele ensinada e transmitida aos seus discípulos, não tem valor algum.

A outra corrente que também não acredita na morte como um fim é formada essencialmente pelos cristãos, ou seja, aqueles que seguem os ensinamentos de Cristo, registrados nos quatro Evangelhos, nas cartas apostólicas e no último livro da Bíblia, o Apocalipse, de São João. Entre o espiritismo e o cristianismo, há diferenças fundamentais, pois nos ensinamentos de Cristo fica bem claro que só se morre uma vez, sem a possibilidade de qualquer forma de reencarnação.

 Sendo Cristo o filho de Deus humanado, ele veio para redimir as faltas dos humanos e assim, passou o tempo de sua vida terrestre convivendo em duas naturezas, a divina e a humana, ensinando à humanidade os caminhos para a redenção das faltas cometidas. E, por contestar valores e manifestações religiosas que não condiziam com o projeto de Deus Pai, acabou sendo preso, julgado e injustamente condenado à morte pela crucificação. 

Sua morte teve um sentido vicariante, substituindo os sacrifícios de animais, que então eram comuns e tidos como necessários, segundo as doutrinas religiosas então vigentes, pelo seu próprio sacrifício. Para confirmar a realidade de sua natureza divina, humanada na pessoa de Jesus, e a veracidade de seus ensinamentos, venceu a morte, ressuscitando e aparecendo para seus discípulos, não como uma reencarnação, mas em sua própria natureza espiritual.

À luz dos seus ensinamentos, a salvação é para todos, sendo um dom gratuito de Deus. Contudo, Deus a dá para quem a quer, respeitando plenamente o livre-arbítrio das pessoas, que podem utilizá-lo inclusive para recusar a salvação. O livre-arbítrio foi dado por Deus, como uma condição de quem cria por amor. A quem se ama, e ama plenamente, dá-se a liberdade de escolha, também plena. Só assim o amor é verdadeiro, e verdadeiramente correspondido. Quem quer receber a salvação, esforça-se por levar uma vida condizente com o projeto de Deus, muito bem explicitado no Sermão da Montanha, no capítulo 5 do Evangelho de Mateus.

Entendemos então que redenção e reencarnação se opõem, nada tendo em comum, sendo que a última anula, por completo, o ato salvífico de Jesus (redenção), que é substituído pelas sucessivos retornos a essa vida, corrigindo os erros de vidas anteriores. Com a reencarnação a pessoa se salva por si própria, enquanto na redenção, é Jesus quem nos salva.

*Evaldo D' Assumpção é médico e escritor

EMGE

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