Religião

25/04/2019 | domtotal.com

Movimento de ex-assessor de Trump e Bolsonaro ataca o papa e a unidade da Igreja

Ex-assessor de Donald Trump, Stephen Bannon, que já assessorou Bolsonaro e agora se volta para Matteo Salvini, da Itália, está com a mira apontada para o papa.

Stephen K. Bannon na Piazza Navona em Roma.
Stephen K. Bannon na Piazza Navona em Roma. (Tony Gentile/ Reuters)

O papa Francisco, conhecido por beijar os pés dos muçulmanos, alertar sobre os perigos dos combustíveis fósseis e falar profeticamente sobre a morte espiritual da construção de muros no isolamento do mundo, tem ganhado a reputação de ser anti-Trump.

O que aprendemos sobre Donald Trump nos últimos dois anos é que, embora tenda a atacar os outros, seja uma congressista novata ou protestando contra jogadores de futebol, ele deixou o líder religioso mais poderoso do mundo ileso.

Francisco pode ter um adversário mais formidável em Steve Bannon, o ex-assessor de campanha de Trump que apontou recentemente que a ação de Deus teria gerado dezenas de milhares de votos em Wisconsin e Michigan para o triunfo republicano nas eleições de 2016 e reivindicou o crédito para a “extrema direita”, uma expressão mal definida, geralmente associada a apoiadores do memorial da Confederação e trolls anti-imigrantes da Internet.

Agora Bannon está colocando seu providencial encantamento no Vaticano, atirando contra o papa, com a ajuda de ricos amigos, americanos e europeus. Ele até comprou um mosteiro em um vilarejo italiano nos arredores de Roma, uma espécie de contra-vaticano, onde planeja seminários para treinar uma nova geração de líderes naquilo que chama de nacionalismo populista. Os aldeões italianos que protestam contra seus planos preferem chamar de fascismo.

Independente de como seja chamado, o correspondente da NBC, Richard Engel, em um relatório que foi publicado no fim de semana do Domingo de Ramos, relata que Bannon está falando sério. Engel observa que Bannon e outros que são os inimigos do papa veem Francisco como “um esquerdista liberal e estão vindo para cima dele”.

Bannon, que busca novos campos para conquistar, após ser demitido por Trump há dois anos de seu trabalho como consultor da Casa Branca, diz que tem o apoio de poderosos norte-americanos e católicos proeminentes, entre eles o cardeal Raymond Burke. Seu grito de guerra é o insucesso do papa na resolução da crise dos abusos sexuais que, segundo Bannon, ameaça levar a Igreja à falência e forçará essa instituição a liquidar suas propriedades. Talvez tenha sido a edição da reportagem de Engel, mas Bannon se concentra nas propriedades, não nas vítimas.

O nacionalismo populista de Bannon continua sendo um conceito desconfortável para se enquadrar na forma de pensar católica. Desde que Paulo convenceu Pedro de que a Igreja deveria renunciar à circuncisão obrigatória para os convertidos, emergir de seu casulo judaico e abraçar completamente o mundo gentio, o catolicismo representa a universalidade. O papado lutou contra reis europeus que queriam controlar a Igreja para fins nacionalistas e, quando os católicos chegaram aos Estados Unidos, eram frequentemente vistos como agentes de um Estado estrangeiro hostil, acusações que tiraram dos trilhos a campanha presidencial de Al Smith em 1928.

Agora Bannon assumiu o manto nacionalista contra o papa. Seguindo o exemplo de Trump, aconselhou os partidos nacionalistas europeus a continuarem com a agitação contra os imigrantes. Isto está em contraste marcante e expresso com Francisco.

Engel também aponta para outro ponto que Bannon demanda. Francisco ainda goza de níveis de popularidade que Trump, por exemplo, só pode rezar para alcançar. Mas há um segmento entre os católicos que tem escutado Francisco falar sobre os perigos do capitalismo desenfreado, ecoando os papas anteriores com um fervor ainda maior e que brota de suas raízes latinas. Esse grupo não gosta do que está ouvindo.

Como diz Engel, o movimento de Bannon é financiado por aqueles “que acham que o papa é ruim para os negócios”.

Bannon, apesar de aceitar esse apoio com sua promessa de muito dinheiro, leva a visão do papa sobre o ensinamento católico como algo pessoal.

“Este é o problema... Ele está constantemente colocando todas as falhas do mundo no movimento populista nacionalista”, disse Bannon a Engel sobre o motivo de ele se opor a Francisco.

Embora o apoio à agenda de Bannon possa ser insignificante nos bancos das Igrejas, o fato de ele reivindicar a lealdade de uma porção de católicos influentes é aterrador. Os bispos, em particular, precisam estar certos de que lado estão: o do papa? Ou o do emergente movimento anti-Francisco de Bannon? Nada menos que a própria sobrevivência de uma Igreja Católica unificada está em jogo.


National Catholic Reporter - Tradução: Ramón Lara

EMGE

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