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26/04/2019 | domtotal.com

Rompimento da barragem do Córrego do Feijão é o maior acidente de trabalho do Brasil

Tema foi discutido nesta sexta-feira (26), durante seminário internacional promovido na Dom Helder Escola de Direito.

Guilherme Feliciano, presidente da Anamatra, profere a conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Guilherme Feliciano, presidente da Anamatra, profere a conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Ministra Delaíde Miranda Arantes (TST), ministro João Batista Brito Pereira, presidente do TST, e Coelis Maria Araújo Martins, chefe de gabinete.
Ministra Delaíde Miranda Arantes (TST), ministro João Batista Brito Pereira, presidente do TST, e Coelis Maria Araújo Martins, chefe de gabinete. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Guilherme Feliciano, presidente da Anamatra prefere a conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Guilherme Feliciano, presidente da Anamatra prefere a conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Desembargador Paulo Sérgio Pimenta, presidente do TRT 18 (Goiás), ministra Delaíde Miranda Arantes (TST) e o desembargador Welington Luís Peixoto (TRT-18).
Desembargador Paulo Sérgio Pimenta, presidente do TRT 18 (Goiás), ministra Delaíde Miranda Arantes (TST) e o desembargador Welington Luís Peixoto (TRT-18). Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Guilherme Feliciano, presidente da Anamatra prefere a conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Guilherme Feliciano, presidente da Anamatra prefere a conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'.
Conferência 'Direito Ambiental do trabalho no Brasil: efetividade dos princípios da precaução e da prevenção nos grandes acidentes'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Painel 'Abordagem Técnica dos grandes acidentes e medidas de prevenção'.
Painel 'Abordagem Técnica dos grandes acidentes e medidas de prevenção'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Painel 'Abordagem Técnica dos grandes acidentes e medidas de prevenção'.
Painel 'Abordagem Técnica dos grandes acidentes e medidas de prevenção'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Mário Parreiras de Faria, auditor fiscal do Trabalho, durante Painel 'Abordagem Técnica dos grandes acidentes e medidas de prevenção'.
Mário Parreiras de Faria, auditor fiscal do Trabalho, durante Painel 'Abordagem Técnica dos grandes acidentes e medidas de prevenção'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)

Por Patrícia Azevedo
Repórter Dom Total

Com 233 mortos e 37 desaparecidos, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, que completou três meses nesta quinta-feira (25), é o maior acidente de trabalho já registrado no Brasil. Tal fato foi amplamente discutido nesta sexta-feira (26) durante o 'Seminário Internacional Grandes Acidentes do Trabalho: efetividade da prevenção’, em andamento na Dom Helder Escola de Direito, em Belo Horizonte, com transmissão ao vivo pelo Dom Total. Nos painéis desta manhã, os palestrantes analisaram diferentes aspectos sobre a segurança das barragens de rejeitos, a mineração sustentável e a prevenção de grandes acidentes.

“Brumadinho é considerado o maior acidente de trabalho já registrado no Brasil e o segundo maior desastre industrial do século. Três meses após a tragédia, 1.019 pessoas estão fora de suas casas e 32 barragens da Vale em Minas Gerais tiveram atividades interditadas em função do risco que se evidenciou”, afirmou Guilherme Guimarães Feliciano, professor da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).

O médico Mário Parreiras de Faria, especialista em Medicina do Trabalho e mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também apresentou dados impactantes relacionados ao acidente. “É um acidente de trabalho ampliado. Só no Instituto Médico Legal (IML), temos 527 pedaços de corpos esperando para serem identificados. Dos trabalhadores que morreram, 130 eram da Vale, e temos quase o mesmo número de terceirizados”, apontou Mário Parreiras, que abriu sua palestra com a imagem de uma bicicleta em meio à lama.

De acordo com o médico, a foto foi tirada em 15 de março, última vez em que esteve em Brumadinho. “Não pretendo mais voltar lá, não aguento mais ver barragens se rompendo aqui em Minas. Fiquei pensando se a pessoa que estava nesta bicicleta sobreviveu ou não. Infelizmente, temos presenciado tragédias cada vez mais impactantes”, destacou Mário.

Histórico

Além de abordar os rompimentos de Brumadinho e Mariana, os palestrantes apresentaram um levantamento histórico de acidentes de trabalho em Minas Gerais e pelo mundo. Mário Parreiras falou sobre os rompimentos da barragem de rejeitos da Mina de Fernandinho (Itabirito, 1986), da barragem da Mineração Rio Verde (Macacos, 2001) e Herculano Mineração (Itabirito, 2014). 

Já o professor Guilherme Guimarães abordou o Desastre de Bhopal, causado por um vazamento de gás na fábrica de pesticidas Union Carbide India Limited (Ucil) em Bhopal, na Índia, em 1983. É considerado o pior desastre industrial da história, com mais de 500 mil pessoas atingidas. Citou também a tragédia de Gauley Bridge, nos Estados Unidos, em 1931, quando ao menos 476 trabalhadores morreram intoxicados enquanto cavavam um túnel durante as obras de construção de uma usina hidrelétrica.

Métodos de construção

Outro ponto em debate nesta manhã foram os métodos de construção de barragens. Os palestrantes discutiram os três principais – o método de montante, o método de jusante e o método da linha de centro – e foram unânimes em condenar o primeiro deles, que é justamente o utilizado nas barragens de Fundão e Córrego do Feijão.

“A Academia Nacional de Engenharia, há alguns meses, publicou um estudo ressaltando a potencial inadequação do método de construção de barragens de montante para o contexto brasileiro. O método é excelente para áreas muito secas, mas para Minas Gerais e regiões de alta umidade, com alto índice pluviométrico, é uma opção equivocada. O método mais seguro é o alteamento a jusante, que é o mais caro”, afirmou Guilherme Guimarães.

O médico Mário Parreiras de Faria também foi enfático. “O método de montante é o mais utilizado em Minas, é o mais econômico, mas as pessoas se esquecem que o custo de manutenção dessas barragens é eterno, elas têm que ser vigiadas. São Tiranossauros rex, que precisamos manter dentro do Jurassic Park. Nós tivemos em Minas um tanto desses ‘tiranossaurozinhos’, todo mundo achando bonitinho, e agora romperam a cerca elétrica e o mundo do Jurassic Park saiu desembestado, destruindo tudo”, comparou Mário.

Os professores Cláudio Scliar, doutor em geociências e professor aposentado do IGC/UFMG, e Rodolfo Andrade de Gouveia Vilela, pós-doutor e pesquisador da USP, encerraram as palestras da manhã.

Seminário

O evento é promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), pelo Programa Trabalho Seguro e pela Escola Judicial do TRT-MG, com apoio da Associação dos Magistrados do Trabalho da 3ª Região (Amatra3). As atividades seguem na parte da tarde, com painel sobre as repercussões diversas dos grandes acidentes. Confira a programação completa!

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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