Brasil Política

02/05/2019 | domtotal.com

Poesia contra Bolsonaro

Que se combata essa horda de imbecis com poesia, muita poesia. De Drummond a Gullar, de Bandeira a Fernando Pessoa.

Como diria Quintana, eles passarão. A poesia, sempre, passarinho.
Como diria Quintana, eles passarão. A poesia, sempre, passarinho. (Alan Santos/PR)

Por Ricardo Soares*

O tempo passou na janela e a minha geração viu, ouviu , sentiu. Muitos de nós , agora entrados nos 60 anos, olham pelos poéticos (nem sempre) retrovisores de nossas vidas e nos damos conta de que a poesia foi alicerce fundamental para sustentar nossos anos dourados (ou nem tanto) no fim da década de 70 do século passado.

No momento em que olhamos para trás e esboçamos gestos pra resgatar aqueles bons tempos não é apenas por saudosismo mas para nos agarrarmos a mais uma bóia de salvação no meio dessa tempestade de desalentos que o desgoverno Bolsonaro promove em todas as áreas. Um elemento que cospe na poesia.

Esse capitão do mato de baixíssima extração ética e moral é pior de tudo o que vimos no Brasil antes e depois da democratização. E olha que isso é difícil. O país está nas mãos de um descerebrado com ligações mal explicadas com milicianos e comanda um bando de desorientados que parece ter como único objetivo a destruição de todas as conquistas sociais obtidas no Brasil desde Getúlio Vargas. Não subestimemos. Bolsonaro é uma hecatombe.

Diante do quadro já passou da hora de um pacífico levante nacional para pôr fim a tanta ignorância e desmando porque estão executando um desmonte de conseqüências duradouras e temo que algumas irreversíveis. Há que se procurar o caminho constitucional do impeachment porque se nada fizermos vamos nos arrepender amargamente lá na frente.

O jeito como esses elementos exercem o poder sem freios , com ódio, sem inteligência , promovendo a burrice ostentação é assustador. É a antítese da poesia , arte que eles sequer supõe que existe. Por isso proponho , mesmo correndo o risco de parecer pueril, que se combata essa horda de imbecis com poesia, muita poesia. De Drummond a Gullar, de Bandeira a Fernando Pessoa, de Camões a Chacal, de Hilda Hilst a Jorge de Lima, de Jorge Mautner a Paulo Leminski. E podem por nesse caldo tudo aquilo que um dia nós, jovens dos anos 70, fizemos com nossos movimentos poéticos colocando nossos blocos nas ruas , jogando poesia do alto dos edifícios, fazendo passeatas poéticas, organizando happenings, saraus, colocando nossos dedos em riste contra a ditadura de então.

Jair Bolsonaro e esse circo insano que sequer comanda não tem a menor capacidade cognitiva de entender poesia. Mas é por isso mesmo que devemos despejá-la sobre ele. Fui testemunha ocular da marola que criou a poesia marginal dos anos 70 no Brasil. Agora passou da hora de reviver aquele tempo com a singela simbologia de colocar versos nas bocas dos canhões. Se a gente responder com chumbo, ódio e pólvora a tudo que esses celerados estão fazendo temo pelo nosso futuro. Poesia é desarmar espíritos . Mesmo que pouco combine com Aécios, Zemas, Dórias e Bolsonaros. Mas, como diria Quintana, eles passarão. A poesia, sempre, passarinho.

Ricardo Soares é diretor de tv,roteirista,escritor e jornalista. Publicou 8 livros, dirigiu 12 documentários.Foi um dos fundadores do grupo Poetasia que atuou poeticamente entre 1978 e 1982.

EMGE

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