Brasil Cidades

05/05/2019 | domtotal.com

Miasmas do século 21

Somos seres energéticos, e em nosso corpo, em nossa mente, circulam energias que nos tornam o que somos.

Até onde essa multiplicidade de ondas energéticas está influenciando, voluntária ou involuntariamente, positiva ou negativamente, o comportamento dos humanos?
Até onde essa multiplicidade de ondas energéticas está influenciando, voluntária ou involuntariamente, positiva ou negativamente, o comportamento dos humanos? (Pixabay)

Por Evaldo D'Assumpção*

A ideia dos miasmas – palavra originária do grego, e que significa mancha ou impureza – como causadores das doenças, nos vem da antiguidade, sendo uma das mais antigas correntes da medicina. Mas foi no século 17 que Thomas Sydenham, um respeitado médico inglês, e Giovanni Maria Lancis, um dos mais importantes médicos italianos de seu tempo, formularam a teoria pela qual as doenças e epidemias tinham origem no conjunto de odores fétidos que exalavam da matéria orgânica em decomposição (miasmas). 

Com a criação do microscópio, pelo alemão Antony van Leeuwenhoek, em 1674, e, posteriormente, a descoberta dos micróbios, com os trabalhos do químico e cientista Louis Pasteur, nascido em 1822, na França, e do médico inglês Joseph Lister, em 1860, a teoria dos miasmas caiu em desuso. Contudo, deixou um legado importante para a saúde pública, que foi o sepultamento de cadáveres, a implementação dos serviços de esgotos e o recolhimento do lixo nas cidades.

Chegamos ao século 21 e a ciência atingiu impensáveis píncaros, sendo a Física Quântica um dos seus ramos mais avançados, e utilizada em diferentes atividades, como na Psicologia. Nesse universo também estão as ondas eletromagnéticas, além de centenas de outras funções que, sem dúvida, influenciam o comportamento humano. Não pretendo dissertar sobre essa área, que não é do meu domínio, mas apenas fazer algumas reflexões, paralelizando os antigos conceitos de miasmas, com os efeitos das energias – muitas delas ainda pouco conhecidas.  

Basta lembrar que somos seres energéticos e, em nosso corpo, em nossa mente, circulam energias que nos tornam o que somos, e alterações no fluxo dessas energias certamente alteram nossa homeostasia, e o equilíbrio das nossas atividades mentais-emocionais.

Frequentemente, encontramos estudos que apontam ações maléficas em nós, causadas pelas ondas eletromagnéticas, que hoje circulam, em quantidade absurda, no ambiente em que vivemos. Antenas de rádio e TV estão instaladas em todos os lugares, e os aparelhos eletrônicos são hoje indispensáveis às nossas atividades, e até à nossa felicidade. Controles remotos, ligações bluetooth e uma multiplicidade de parafernálias saturam os ambientes com diferentes dimensões e tipos de ondas necessárias à sua eficiência. 

E esse trânsito, invisível aos nossos olhos, mas perceptível pelo nosso organismo, especialmente pelas centrais orgânicas dos nossos sentidos, certamente produz efeitos que ainda desconhecemos, inclusive no comportamento das pessoas. Surge, então, a pergunta: até onde essa multiplicidade de ondas energéticas está influenciando, voluntária ou involuntariamente, positiva ou negativamente, o comportamento dos humanos?

Filmes, programas de TV, até mesmo os jornais, com suas notícias de violência e sexualidade cada vez mais explícitas, emitem ondas que atuam em nosso cérebro, verdadeira central eletrônica de fazer inveja a qualquer computador. E com essa atuação descontrolada, quem sabe por vezes até direcionada, induzem a comportamentos que, frequentemente, nos deixam estarrecidos. Falo da violência no trânsito, nas ruas, nos locais de diversões, nas relações interpessoais, e especialmente na vida familiar. 

Falo da total falta de ética e compostura nos negócios, na política, e no trato do meio ambiente – nosso habitat natural, do qual dependemos vitalmente. Falo das guerras, maiores ou menores, que não passa um só dia na história da humanidade sem que sejam travadas, dizimando etnias, violentando famílias, crianças, roubando-lhes o alimento, as casas, a dignidade pessoal e a própria vida. Falo do comportamento irreverente e desrespeitoso entre os humanos, irmãos de espécie; falo do descaso com as crianças e adolescentes, tanto quanto com os idosos; falo da inversão total de valores; falo da ganância irracional de quem detém poderes e o querem cada vez maiores, acumulando bens dos quais nunca irá usufruir, pela própria limitação do tempo de vida que terão. 

Sobre isso, falo das atitudes, quase insanas, na busca da eterna juventude, seja através de medicamentos nocivos, seja com práticas fisiculturistas extremas, seja através de cirurgias plásticas indiscriminadas. Falo das utópicas tentativas de prolongamento indefinido da vida, contrariando o próprio fluxo natural de todos os seres vivos. Busca tão absurda, que alguns chegam a congelar seus corpos decadentes, para aguardar o aparecimento de novas técnicas que resgatem sua juventude perdida. Falo das manipulações genéticas, quando alguns se sentem deuses e mergulham numa voluptuosa tentativa de criar seres perfeitos, com traços faciais sem incorreções e corpos imunes a doenças. São adeptos do Admirável mundo novo, de Huxley, esquecidos de que até em sua ficção terminou em tragédia.

Se a teoria dos miasmas da Idade Média tornou-se apenas um registro histórico, os miasmas deste século tornaram os antigos inofensivos fantasmas. Tal é a sua magnitude, o seu poder, a sua invisibilidade e sua capacidade destruidora, que questiono se ainda teremos condições de freá-los ou, pelos menos, reduzi-los a porções toleráveis. 

Para isso acontecer, há que se tomar consciência de que eles existem e ter a coragem de trocar o hedonismo, a vaidade, a ganância, o furor ambicioneiro, tudo isso circulando num mundo exclusivamente materialista, por uma condição de vida voltada para valores mais elevados, por um retorno à espiritualidade que contempla a terceira parte do humano, hoje voltado somente para o corpo e mente, ignorando, desprezando e negando sua dimensão espiritual. Ainda há tempo, mas é preciso urgência!

*Evaldo D' Assumpção é médico e escritor

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Mais Lidas
Instituições Conveniadas