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07/05/2019 | domtotal.com

O relatório de Robert Mueller sobre Trump

O relatório de Mueller contém 10 exemplos de tentativas de Trump de atrapalhar as investigações sobre 'suposta' ajuda dos russos para derrotar Hillary Clinton.

O presidente quase demitiu o próprio promotor especial da investigação, Robert Mueller.
O presidente quase demitiu o próprio promotor especial da investigação, Robert Mueller. (Tasos Katopodis/Getty Images/AFP)

Por Lev Chaim*

Há questão de uma semana ou duas, acompanhei os depoimentos no Senado norte-americano do ministro da Justiça dos Estados Unidos, William Barr, por todos os canais disponíveis em minha televisão: holandeses, ingleses, franceses, belgas e norte-americanos. Tratava-se da justificativa de Barr de inocentar o presidente Trump de qualquer culpa, ao fazer um resumo apressado do relatório de investigação sobre o possível envolvimento do presidente com os russos, nas eleições contra a candidata democrata, Hillary Clinton, elaborado pelo promotor especial Robert Mueller.  

Em várias análises posteriores a essa afirmação ‘prematura’ de Barr duas coisas saltaram à vista de cara: por que o relatório completo não foi liberado? -  e o fato da investigação de Mueller ter mencionado várias ilegalidades de Trump e elas não terem sido mencionadas pelo ministro da Justiça, William Barr, como se o relatório o abolisse totalmente de qualquer culpa no cartório.   

O relatório de Mueller contém, sim, 10 exemplos de tentativas de Trump de atrapalhar as investigações que estavam sendo feitas sobre uma ‘suposta’ ajuda dos russos para derrotar Hillary Clinton, como por exemplo: o presidente quase demitiu o próprio promotor especial da investigação, Robert Mueller. Depois, como já disse acima, foi apresentada uma versão pública do relatório totalmente censurada, o que permite imaginar que as outras partes estejam mais claras sobre uma possível cooperação dos russos na campanha eleitoral de Trump.

Na sessão especial do Senado, de maioria republicana, William Barr prestou o seu depoimento e respondeu perguntas de forma superficial. Quando questionado sobre a carta que o promotor especial de investigação havia lhe enviado, em protesto contra a maneira com que ele divulgou a sua conclusão apressada, livrando Trump de qualquer culpa, Barr simplesmente fez orelhas de mercador, sem tentar novamente ‘limpar a barra’ do presidente, afirmando que não era julgar o presidente Trump papel do Ministério da Justiça. Totalmente contraditório com o seu primeiro resumo do relatório, quando ele disse que, após a leitura, sentia-se convencido da inocência de Trump.

Ao responder as questões propostas dos senadores, sobre o seu primeiro depoimento, em que isentou Trump de qualquer culpa, William Barr  simplesmente respondeu com críticas ao relatório, pelo fato de Mueller não ter apontado, aparentemente, um “possível” ato ilegal do presidente. Por isso, disse Barr, é que ele se viu na obrigação de tirar as suas próprias conclusões e livrar Trump de qualquer culpa.  

Tudo isso me remeteu à política brasileira e à alegria da maioria dos brasileiros de ter um órgão tão competente como a Lava Jato. Porque se dependesse da Justiça normal, ou melhor, da Justiça do Supremo Tribunal Federal e seus adjacentes, ninguém teria sido incriminado por corrupção nem seria preso. Processos engavetados no Supremo, com seus prazos caducados, acabam por livrar os ‘infratores’. Isto aconteceu há pouco com o ex-ministro da Justiça de Dilma, Guido Mantega, o senador Renan Calheiros, o ex-senador Jucá, o senador Aécio Neves e outros.  

Mesmo tentando livrar Trump de possíveis culpas que não haviam sido expressas claramente, no relatório, em uma primeira instância (talvez por engano de interpretação), o ministro da Justiça norte-americano, William Barr, teve que dar a sua mão à palmatória e responder ao inquérito no Senado. Agora, resta esperar pelo depoimento público do próprio autor do relatório, Robert Mueller; e pela investigação da Câmara dos Deputados, de maioria democrata, do relatório original e o que estaria anunciado nas entrelinhas do mesmo. Portanto, Trump ainda não está totalmente livre de um possível impeachment.

Tudo isso me fez lembrar de uma frase do pequeno-grande homem, autor e diplomata, Nobel da Paz em 1986, Elie Wiesel, “Esquecer o Holocausto é matar duas vezes”; como também me lembrou a frase da filósofa russa, Ayn Rand, “Sentir pena dos culpados é trair os inocentes”. Portanto, que a Câmara dos Deputados norte-americana faça o seu trabalho bem feito, tal qual a Lava Jato está fazendo no Brasil. E você, caro leitor, o que pensa de tudo isso?

EMGE

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