Brasil Política

08/05/2019 | domtotal.com

Parlamentares defendem Villas Bôas, chamado de 'doente na cadeira de rodas' por Olavo de Carvalho

Políticos do centro e até da oposição criticaram o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho; Bolsonaro e filhos defendem

Escritor humilha um dos principais militares brasileiros e Bolsonaro fica do lado de Olavo.
Escritor humilha um dos principais militares brasileiros e Bolsonaro fica do lado de Olavo. (Reprodução YT e Marcos Correa/PR)

Parlamentares fizeram manifestações de apoio ao assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, após críticas que o general e outros militares do Palácio do Planalto têm recebido do escritor Olavo de Carvalho, o guru do presidente Jair Bolsonaro.

De sua casa em Virginia (EUA), Olavo tem deflagrado uma crise no governo ao pedir a saída do general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, e criticar toda a ala militar do Planalto. Ao defender Santos Cruz, Villas Boas acabou sendo alvo de Olavo, inclusive com palavras de baixo calão. Expoentes da ala olavista do governo, os filhos do presidente, Eduardo e Carlos, defenderam o escritor no Twitter.

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Ao ouvir que Carvalho tem provocado membros do governo, Bolsonaro afirmou que é "liberdade de expressão". "Eu recebo críticas muito graves e não reclamo. Todo mundo fala muito em engolir sapo, eu engulo sapo pela fosseta lacrimal e estou quieto aqui, tá ok??. No Twitter, o presidente disse que Olavo é um ídolo para muita gente. "Sua obra muito contribui para que eu chegasse no governo. Sempre o terei nesse conceito, continuo admirando o Olavo".

Nas declarações de parlamentares, tanto na Câmara quanto no Senado, o discurso majoritário foi que as declarações de Olavo de Carvalho causam obstáculos ao governo e à discussão de temas relevantes no Congresso Nacional. "O Olavo de Carvalho vive nos EUA e acaba atrapalhando as pessoas que querem ajudar o Brasil com seus comentários e suas colocações. Chegamos a um momento que o Brasil precisa de pessoas para ajudar a construir", escreveu no Twitter o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que defendeu o ministro-chefe da Secretaria de Governo Alberto Santos Cruz, outro militar alvo das críticas de Carvalho. "É um homem que tem ajudado o Brasil, o governo, o presidente Bolsonaro e tem ajudado muito na articulação política. Em relação ao Olavo de Carvalho, ele não está ajudando o Brasil."

No plenário do Senado, parlamentares pediram a palavra para criticar Olavo e defender a ala militar do Planalto. "Chega de achincalhe, chega de deboche, chega de palavras pequenas, chega de xingamentos. Se não quer ajudar a carregar o piano, pelo menos saia de cima e pare de fazer peso", disse o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), citando o escritor.

Declarações no mesmo sentido também vieram da oposição. O líder da minoria na Casa, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), manifestou solidariedade a Villas Bôas e aos militares "que têm sido ofendidos, agredidos pelo ideólogo central deste governo".

Na Câmara, a bancada do MDB emitiu uma nota para manifestar desagravo ao ex-comandante do Exército afirmando que, sob o comando dele, o Brasil realizou uma eleição pacífica em 2018. "É por esse motivo que devemos, sempre que possível, ouvir sua voz. Ela é, indubitavelmente, a voz de um democrata", diz a nota.

Também pelo Twitter, o presidente da comissão especial da Câmara que discute a reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), criticou a postura de Bolsonaro em relação à crise.

"O Brasil precisando discutir a Reforma da Previdência e o presidente da República preocupado com armas pra caçadores e defesa do Olavo de Carvalho. Um presidente precisa ter noção de prioridade", publicou Ramos.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, uma das mais importantes da Casa, cobrou de Bolsonaro que tome o controle da situação e criticou o fato de uma "única pessoa" desestabilizar o governo.

"Bolsonaro, nos ajude a ajudá-lo a construir um outro país. Nós estamos aqui paralisados porque vossa excelência não diz quem manda no Executivo. O núcleo militar, político e o econômico são, todos, fundamentais. E aqui eu falo com toda a tranquilidade de quem quer apoiar o governo e quer que o país dê certo", disse, também criticando a interferência dos filhos do presidente no governo.  

A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), não quis defender ou criticar algum dos dois lados. "Eu não falo sobre isso. O Olavo é meu amigo, os militares são meus amigos. Acho que ambos são importantíssimos", disse Joice, se afastando de comentar se havia desgaste com os embates. "Não é problema da líder do governo no Congresso, eu não me meto em questões que envolvam disputa de tuíte pra lá ou pra cá", afirmou a líder, emendando ser favorável à "pacificação nacional".


Agência Estado e DomTotal

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