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09/05/2019 | domtotal.com

Bolsonaro, infelizmente um monotema

Desde que tomou posse esse capitão de baixa extração sequer cumpriu as promessas que fez ao seu eleitorado.

A guerra imaginária que ele julga comandar aposta em anacrônicas divisões entre comunistas e liberais.
A guerra imaginária que ele julga comandar aposta em anacrônicas divisões entre comunistas e liberais. (Marcos Côrrea / PR)

Por Ricardo Soares*

Muitos de nós, escribas brasileiros, homens e mulheres que juntam caraminguás para pagar o café com pão de cada dia, estão virando reféns de um monotema que nos aflige o dia a dia , nos provoca urticárias e distúrbios do sono que é esse desgoverno maldito que vem fazendo Jair Bolsonaro et caterva. A gente cisca, ronda, contempla  outros destinos textuais, mira o chão, olha para o mar mas acaba por voltar a esse pesadelo que em pouco mais de 120 dias nos levou  à vanguarda do atraso.

Sim, o que é ruim pode ficar pior como estamos vendo mas chega a ser matéria de pesadelo — ou conto de horror de Clive Barker ou Stephen King — o que essa malta de analfabetos funcionais extremistas vem fazendo até porque esse presidente indigno acredita que o seu mandato representa a voz de todos os brasileiros. Ele elege como sua única pauta combater inimigos imaginários e exterminar as minorias rindo de qualquer fonte onde jorra sabedoria e equilíbrio. Promove com seu tosco sorriso de parvo a lógica da "burrice ostentação" que se calca em idiotices côncavas e convexas fazendo arminha e jamais descendo do palanque das mentiras que o elegeram. Bolsonaro é uma brutal aberração que despreza as instituições representativas e incentiva o desequilíbrio entre os três poderes. Aos inimigos a lei, aos aliados de passagens aéreas para destinos muitos com o upgrade de passaportes diplomáticos.  

Com a devida licença dos prezados leitores, no meu caso, Bolsonaro detona minha entrada na terceira idade nesse ano de 2019. E pensar que nasci sob a égide do governo JK, quase vindo ao mundo junto com Brasília e toda a esperança — e critica — que a nova capital anunciava. Esse desgoverno é justo o outro lado da moeda. Afunda a esperança, corrompe os direitos, solapa os deveres, se pauta por uma agenda de desconstrução e ódio turbinada por uma família que revela traços de consistente psicopatia. Sempre me pergunto como foram "educados" esses monstrengos que entre outras barbaridades cultivam laços próximos com milicianos e tudo de ruim que possa existir ao redor da política.

Desde que tomou posse esse capitão de baixa extração sequer cumpriu as promessas que fez ao seu eleitorado. Não faz nem aquilo que se espera dele e cultiva uma sólida falta de coerência. A guerra imaginária que ele julga comandar aposta em anacrônicas divisões entre comunistas e liberais, gente da área de exatas e da área de humanas, gente que é a favor da civilização e gente que, como ele, cultua a barbárie. Tudo que é polaridade e belicosidade é com ele e seus ministros incompetentes e lunáticos.

Diante do panorama parece, pois quase impossível não voltar ao monotema porque se processa hoje no Brasil um embate sério entre o futuro e o mais retrógrado passado. Isso posto escriba que passa ao largo de tudo isso não parece ser isento. Parece ser omisso.

*Ricardo Soares é diretor de tv, roteirista, escritor e jornalista. Publicou 8 livros, dirigiu 12 documentários

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