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10/05/2019 | domtotal.com

Venezuela anuncia reabertura da fronteiras com Brasil e Aruba

Divisas com outros países, como Colômbia, continuam fechadas. Opositor Edgar Zambrano foi enviado para uma prisão militar por sua participação na tentativa de golpe comandada por Guaidó.

Fechada desde fevereiro, fronteira da Venezuela com o Brasil será reaberta
Fechada desde fevereiro, fronteira da Venezuela com o Brasil será reaberta ((Ricardo Moraes/Reuters)

A Venezuela anunciou nesta sexta-feira (10) a reabertura de sua fronteira terrestre com o Brasil e a fronteira marítima com Aruba, fechadas desde fevereiro antes da tentativa da oposição de entrar com ajuda humanitária no país. A informação foi divulgada pelo vice-presidente de Economia, Tareck El Aissami.

"As fronteiras com o Brasil e Aruba são mais uma vez restauradas", disse El Aissami na televisão estatal, destacando, no entanto, que as divisas com a Colômbia e as outras Antilhas Holandesas permanecerão fechadas.

Apesar de a fronteira com a Colômbia permanecer oficialmente fechada, diariamente milhares de venezuelanos continuam se deslocando para o país vizinho por meio de rotas ilegais, conhecidas como "trochas", para driblar as dificuldades da crise econômica no país socialista.

El Aissami esclareceu que as fronteiras com Bonaire e Curaçao não serão reabertas "até que os dois países acabem com as hostilidades" em relação ao governo de Nicolás Maduro.

Maduro havia ordenado o fechamento total dos limites terrestres com o Brasil e a Colômbia e dos marítimos e aéreos com as Antilhas holandesas em fevereiro, dias antes da tentativa da oposição de levar ajuda humanitária - com apoio dos EUA - aos venezuelanos.

El Aissami afirmou que Caracas precisou tomar essa medida para evitar uma "tentativa de violação da soberania nacional" da Venezuela, mas ratificou o interesse do governo Maduro de dialogar com os países vivinhos. "Estendemos nossas mãos para o diálogo sincero", completou.

Prisão militar

O vice-presidente do Parlamento venezuelano, o opositor Edgar Zambrano, foi enviado para uma prisão militar por sua participação na insurreição militar fracassada de Juan Guaidó.

Um tribunal competente em casos de terrorismo "emitiu uma medida de privação de liberdade ao cidadão Edgar Zambrano pela flagrante comissão dos delitos de traição, conspiração e rebelião civil", afirma um comunicado do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ).

O braço direito do opositor Juan Guaidó, preso na quarta-feira à noite, foi transferido "para a sede da Polícia Militar, localizada em Fuerte Tiuna", o maior complexo militar de Caracas, disse o TSJ.

Zambrano é um dos dez deputados acusados pelo TSJ de participação na rebelião fracassada de 30 de abril, sob a liderança de Guaidó, que continua numa queda de braço com Nicolás Maduro pelo poder na Venezuela.

A advogada do vice-presidente do Parlamento, Lilia Camejo, denunciou irregularidades no processo.

"Desde o momento da prisão, foram violados os direitos do deputado. Não tivemos acesso ao processo, nem pudemos ser designados para sua defesa", declarou a repórteres.

Camejo também questionou o fato de um civil ser enviado para uma prisão militar.

Três dos legisladores acusados refugiaram-se em missões diplomáticas para escapar da prisão e dois outros denunciaram a presença de agentes em frente às casas de suas famílias.

Guaidó, reconhecido como presidente interino por 50 países, rejeitou a ofensiva do governo como uma tentativa de "desmontar o Parlamento", a única instituição nas mãos da oposição.

De acordo com o TSJ, Zambrano e os outros legisladores da oposição cometeram delitos flagrantes, razão pela qual perderam o benefício do foro parlamentar.

De toda forma, a Assembleia Constituinte no poder já havia retirado sua imunidade, abrindo caminho para que fossem julgados em tribunais comuns.



AFP

EMGE

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