Religião

13/05/2019 | domtotal.com

Papa aprova visitas a santuário de supostas aparições de Nossa Senhora

Dúvidas sobre a autenticidade das aparições de Nossa Senhora a crianças de Medjugorje, na Bósnia, ainda pairam. Decisão do papa tem em consideração o dado pastoral.

A autorização das peregrinações é um sinal de reconhecimento do bem que acontece na paróquia-santuário, onde inúmeras pessoas se reaproximam dos sacramentos.
A autorização das peregrinações é um sinal de reconhecimento do bem que acontece na paróquia-santuário, onde inúmeras pessoas se reaproximam dos sacramentos. (Vatican Media)

Por Philip Pullella

O papa Francisco aprovou peregrinações para Medjugorje, uma vila na Bósnia coberta de controversas sobre se a Virgem Maria aparece para pessoas locais, disse o Vaticano neste domingo.

Um comunicado do porta-voz Alessandro Gisotti, disse, no entanto, que a aprovação oficial não deve ser interpretada como uma autenticação pela Igreja das supostas aparições, uma vez que mais investigação e estudos são necessários.

Seis crianças primeiro reportaram aparições da Virgem Maria em 1981 em um cenário reminiscente de famosas aparições na cidade francesa de Lourdes, no século 19, e há mais de 100 anos em Fátima, Portugal.

Nos anos seguintes, a vila bósnia se tornou um importante local de peregrinação, atraindo centenas de milhares de pessoas todos os anos e dando a muitos visitantes o que chamam de senso renovado de espiritualidade.

Mas alguns católicos acreditam que as aparições são uma farsa.

O ex-papa Benedito estabeleceu uma comissão de teólogos e bispos para estudar a situação. O relatório não foi publicado, mas foi entregue ao papa Francisco em 2014.

Acompanhe o caso:

Entenda a decisão do papa

Por Andrea Tornielli

Para compreender as razões e o significado profundo da decisão de autorizar as peregrinações a Medjugorje por parte de Francisco, é útil reler algumas passagens da Exortação Apostólica Evangelii gaudium, o documento que traça a rota de seu pontificado.

O papa, naquele texto, recordava que "na piedade popular, pode-se captar a modalidade em que a fé recebida se encarnou numa cultura e continua a transmitir-se". E recordava ainda, citando as palavras do documento final da Conferência dos bispos latino-americanos em Aparecida, que «o caminhar juntos para os santuários e o participar em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando a outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador». “Não coarctemos nem pretendamos controlar esta força missionária!“, concluía o Pontífice. É um dado de fato que milhões de peregrinos nestes anos tiveram uma experiência significativa de fé indo a Medjugorje: isso é atestado pelas longas filas nos confessionários e à noite, adorações eucarísticas na grande igreja paroquial, sem um metro quadrado livre de fiéis ajoelhados.

Autorização

“Acredito” que “em Medjugorje exista a graça. Não se pode negar. Há pessoas que se convertem”, havia dito o papa conversando em 2013 com o padre Alexandre Awi de Mello, mariólogo, hoje secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Naquela entrevista transformada em um livro (“É minha mãe. Encontros com Maria”, Ed. Cidade Nova), Francisco sim alertava para o protagonismo dos videntes e pelo multiplicar-se de mensagens e segredos, mas sem nunca desconhecer os frutos positivos da experiência das peregrinações.

No Prefácio daquele livro, o teólogo argentino Carlos María Galli, havia escrito: "Para Francisco, a coisa mais importante é a fé mariana do 'santo povo fiel de Deus', que nos ensina a amar Maria para além da reflexão teológica. Enquanto filho e membro, como qualquer outro, do Povo de Deus, Bergoglio – Francisco – participa do sensus fidei fidelium e se identifica com a profunda piedade mariana do povo cristão".

É precisamente por isto que, enquanto se continua a estudar o fenômeno Mejugorje e sem que exista a respeito um pronunciamento sobre a autenticidade das aparições, o papa teve a intenção de manifestar um cuidado por quem enfrenta as dificuldades da viagem para ir rezar naquele local. Por isto quis ter um enviado permanente, um bispo que trabalha na Santa Sé, encarregado precisamente do cuidado pastoral dos peregrinos.

E é por isso que ele agora decide ir além do que foi declarado há mais de vinte anos pela Congregação para a Doutrina da Fé, que permitia peregrinações a Medjugorje, mas somente "privadamente". Agora, pelocontrário, as dioceses e paróquias poderão organizar e orientar essas peregrinações, expressões da piedade mariana do povo de Deus.


Reuters/ Vatican News

EMGE

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