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13/05/2019 | domtotal.com

Odebrecht e OAS pagaram campanha eleitoral, diz ex-prefeita de Lima

Susana Villarán admitiu que as empreiteiras repassaram à campanha de não revogação de seu governo US$ 4 milhões, mas disse desconhecer que se tratavam de caixa dois.

O Ministério Público pediu ao Judiciário que substitua a ordem de comparecimento com restrições atualmente imposta à ex-prefeita pela prisão preventiva dela por 36 meses.
O Ministério Público pediu ao Judiciário que substitua a ordem de comparecimento com restrições atualmente imposta à ex-prefeita pela prisão preventiva dela por 36 meses. (AFP)

A ex-prefeita socialista de Lima, Susana Villarán admitiu nesse domingo (11) que as empresas brasileiras Odebrecht e OAS deram US$ 4 milhões (R$ 15.828.800) para a campanha contra a revogação de seu mandato, em 2013. "Sempre soube de aportes de empresas à campanha do Não à Revogação. José Miguel Castro (então gerente municipal de Villarán) e eu tomamos a decisão de procurar e aceitar os fundo de campanha", disse Villarán à rádio Exitosa.

Os apoiadores da revogação do mandato de Villarán consideravam, em 2013, que a gestão da prefeita era ineficiente, e por isso foi realizado um referendo. "O que tenho certeza é que a OAS e a Odebrecht financiaram a campanha do Não à Revogação e não sabíamos então que tinham fundos ilegais de caixa dois ou de operações estruturadas", afirmou a ex-prefeita.

"Eu sabia dos US$ 4 milhões recebidos. Foi dinheiro pago diretamente entre brasileiros", garantiu. Após assumir a responsabilidade, Villarán admitiu ter cometido um erro ao aceitar que empresas com projetos na capital peruana financiassem a campanha do Não à Revogação - que acabou sendo vencedora.

O Judiciário vai avaliar, nesta segunda-feira, um pedido do Ministério Público para substituir a ordem de comparecimento com restrições atualmente imposta à ex-prefeita por uma medida de prisão preventiva por 36 meses. A ordem de comparecimento com restrições lhe obriga a ir mensalmente ao MP para controle, não deixar Lima e não mudar de endereço sem autorização judiciária anterior.

O ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, confirmou em 25 de abril ao MP peruano que a empreiteira tinha dado dinheiro para a campanha contra a revogação do mandato de Villarán. Barata ratificou aos procuradores que a empresa aportou 3 milhões de dólares nessa campanha.

De acordo com ele, os diretores da Odebrecht apoiaram Villarán porque temiam que, caso fosse destituída, as obras que a empresa fazia na cidade poderiam ficar em risco. O depoimento de Barata ocorreu no âmbito de um acordo de colaboração assinado entre a Odebrecht e o MP peruano em dezembro.


AFP

EMGE

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