Brasil Educação

16/05/2019 | domtotal.com

Educação não é chocolate

Os mais de R$ 7 bilhões congelados em todos os níveis educativos foi enfrentado com dignidade e galhardia.

Por sorte a organização das manifestações foi além das redes sociais e se fez também em  tradicionais espaços de mobilização, como sindicatos e por aí afora.
Por sorte a organização das manifestações foi além das redes sociais e se fez também em tradicionais espaços de mobilização, como sindicatos e por aí afora. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Ricardo Soares*

Dizer que ontem foram um sucesso as manifestações contra os cortes de verbas nas universidades públicas seria redundância. O bom é ter certeza, ter esperança de que o Brasil, sobretudo o Brasil jovem, não se ajoelhará , com criatividade, alegria e perseverança diante das trevas propostas por esse desgoverno de pesadelo que nos rege e que cancelou mais de 3 mil bolsas de pesquisa.

As manifestações foram convocadas sobretudo através de redes sociais – arminha usada pelos governantes meliantes – contra as medidas anunciadas pelo governo federal no fim de abril e começaram a movimentar as peças de um xadrez político virtual, que até então era bem movimentado pelo exército de "bozonazis". Ou seja , a malta ignara, recheada de cultores de fake news, provou ontem do próprio veneno.

Desde que o ministro Abraham Weintraub – que consegue ser pior ou igual ao antecessor Velez – afirmou  que cortaria recursos de universidades que fizessem "balbúrdia", o WhatsApp foi tomado por imagens e mensagens veiculadas por fascistas  que ridicularizavam as instituições sobretudo insinuando que as universidades eram lupanares onde todos viviam pelados fazendo sexo grupal. A ação, lógico, foi orquestrada por grupos à direita, mas agora eles receberam resposta à altura. A rede de apoio aos bozonazistas encontrou forte resistência aparentemente a partir também da comunidade acadêmica, que espalhou por aí suas bem sucedidas experiências de produção e resultados nas universidades, contradizendo o que os inventores de alunos pelados e mamadeiras de piroca diziam. Ou seja, os estetas da burrice ostentação tomaram uma invertida e a propalada hegemonia virtual dos ignorantes está sendo enfrentada a altura.

Os mais de R$ 7 bilhões congelados em todos os níveis educativos, incluindo o não repasse de 30% do orçamento não obrigatório das instituições de ensino superior, foi enfrentado com dignidade e galhardia. Educação não é chocolate como manifestaram doces cartazes e a mobilização nacional aumentou  na cola da greve nacional de um dia que já havia sido convocada por professores contra a reforma previdenciária.

Por sorte a organização das manifestações foi além das redes sociais e se fez também em  tradicionais espaços de mobilização, como sindicatos e por aí afora. O velho mote de "povo unido jamais será vencido" mostrando o seu tônus inclusive com a adesão esperada da União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras nem tão esperadas como as maiores universidades estaduais de São Paulo (USP, Unicamp e Unesp) e uma série de colégios particulares da capital paulista, inclusive algumas notadamente conservadoras.

Assim, diante de tantas derrotas é hora, sim, de festejar o bom barulho de ontem, que foi rotulado por nosso parvo "desgovernante" como uma manifestação de "idiotas úteis," ao que nos resta responder no tom deselegante que o caracteriza: "melhor ser um idiota útil do que um idiota inútil como vosmecê". E com alegria e pacifismo a luta continua.

*Ricardo Soares é escritor e jornalista. Publicou oito livros, entre os quais "Amor de mãe", pela editora Patuá, 2017.

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