Meio Ambiente

16/05/2019 | domtotal.com

Cetáceos serão liberados pela Rússia em novo habitat apesar dos riscos

"Esperamos que as espécies liberadas se movam para o norte e voltem para suas águas originárias".

Mamíferos marinhos mantidos em cativeiro em Najodka, na Rússia, em 22 de janeiro de 2019, um caso que provocou mobilização internacional.
Mamíferos marinhos mantidos em cativeiro em Najodka, na Rússia, em 22 de janeiro de 2019, um caso que provocou mobilização internacional. (AFP)

As autoridades pretendem libertar parte das orcas e das belugas aglomeradas nas bacias do Extremo-Oriente russo sem devolvê-las a seu habitat natural, como tinham se comprometido a fazer - disse nesta quarta-feira (15) um pesquisador que acompanha esses animais.

Mais de 1,4 milhão de pessoas, entre eles o ator Leonardo DiCaprio, assinaram uma petição no site change.org para pedir a liberação no mar aberto dessas 11 orcas e 93 belugas. Essa situação expôs o comércio desses mamíferos marinhos para parques temáticos aquáticos.

Durante uma coletiva de imprensa no Ministério russo do Meio Ambiente em Moscou, o pesquisador Vladislav Rojnov disse que uma dezena desses mamíferos marinhos será solta entre o fim de maio e o começo de junho perto das bacias onde estão sendo mantidos.

A divulgação em fevereiro das fotografias de 11 orcas e 93 baleias belugas que tinham passado o verão (boreal) em pequenos tanques perto de Nakhodka para serem vendidas para o exterior provocou uma onda de protestos internacionais.

Desde então, três belugas e uma orca desapareceram.

Diante do escândalo, as autoridades russas e os cientistas estrangeiros concordaram em reintroduzir os cetáceos no mar de Okhotsk, onde tinham sido capturados, a cerca de 1.300 quilômetros de onde estão agora.

Mas seu transporte acabou sendo considerado muito caro pelas autoridades, disse Vladislav Rojnov.

Segundo ele, os mamíferos liberados poderiam, portanto, permanecer perto de onde foram alimentados e correr o risco de incomodar os turistas.

"Os cientistas oferecem recomendações, mas as autoridades decidem", disse Rojnov, que dirige um instituto ambiental e faz parte de um grupo de especialistas criado para avaliar o destino desses animais.

"Esperamos que as espécies liberadas se movam para o norte e voltem para suas águas originárias", acrescentou.

Em um comunicado, o Ministério russo do Meio Ambiente garantiu, por sua vez, que o transporte dos animais podia lhes fazer mal e criar um estresse adicional.

No mês passado, os especialistas Jean-Michel Cousteau, filho do famoso oceanógrafo Jacques Cousteau, e Charles Vinick visitaram os tanques e se reuniram com autoridades.

Na quarta, a equipe de Cousteau disse em um comunicado que esta liberação perto das bacias implica "muitos riscos", temendo conflitos entre os barcos e algumas orcas, nas quais se observava "um comportamento agressivo".

A longo prazo, a liberação pode "diminuir suas possibilidades de sobrevivência", acrescenta o comunicado.

A Rússia é o único país onde esses mamíferos marinhos podem ser capturados no oceano aberto com fins "educacionais" - uma lacuna legal usada por traficantes para vender animais para o exterior, especialmente a China.


AFP

EMGE

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