Saúde

20/05/2019 | domtotal.com

Estudo relaciona casos de câncer com consumo excessivo de ultraprocessados

Durante o estudo, uma média de 18% da dieta dos participantes era composta de comida ultraprocessada.

A análise mostra que nos oitos anos de pesquisa foi verificado um aumento de 10% nos índices de câncer.
A análise mostra que nos oitos anos de pesquisa foi verificado um aumento de 10% nos índices de câncer. (Pixabay)

Por Patrícia Almada
Repórter DomTotal

O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados chama atenção do mundo para o aumento de doenças crônicas não transmissíveis e câncer. Um estudo realizado entre 2009 e 2017 pela Universidade Sorbonne, em Paris, com mais de 100 mil pessoas, aponta que os ultraprocessados aumentam as chances de formação de tumores. A análise mostra que, nos oito anos de pesquisa, foi verificado um aumento de 10% nos índices de câncer, especialmente o de mama, causados pelo acréscimo de 10% no consumo desses alimentos.

O estudo foi divulgado no British Medical Journal, uma das mais influentes publicações sobre medicina no mundo. Durante o trabalho, uma média de 18% da dieta dos participantes era composta de comida ultraprocessada. Foram identificados casos de câncer em uma proporção de 79 a cada 10 mil pessoas por ano.

Os cientistas ponderam, no entanto, que as descobertas precisam ser "confirmadas por outros estudos de grande escala" e que a pesquisa foi necessária para estabelecer o que poderia estar por trás da relação entre a doença e esses alimentos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, em 2018, um relatório sobre o consumo de alimentos ultraprocessados com informações coletadas em 80 países. Os dados mostram que, na América Latina, o consumo desse tipo de comida aumentou mais de 50% entre 2000 e 2013. Apesar de países mais ricos serem também os principais consumidores, como os Estados Unidos, que aparecem no topo do ranking, os países de baixa e média renda também consomem esses alimentos em larga escala. O Brasil aparece na 34ª posição e a Índia está em último lugar.

O aumento no consumo desses alimentos implica efeitos negativos no corpo, como obesidade, aumento de doenças cardiovasculares e câncer.

A nutricionista e mestre em Ciência dos Alimentos, Maysa Dutra de Moura, explica que os alimentos ultraprocessados são um produto da indústria feito em larga escala pelos laboratórios. “Devido aos seus ingredientes, esses alimentos são considerados nutricionalmente desbalanceados porque apresentam adição de várias substâncias químicas cuja função é aumentar a durabilidade, além de conferir características como cor, sabor, aroma e melhorar a textura, tornando-os então extremamente atraentes para os consumidores”, explica.

Maysa ressalta também que normalmente os produtos ultraprocessados são ricos em gorduras e açúcares, além de altos níveis de sódio (sal) para garantir a conservação e intensificar o sabor. "Os alimentos ultraprocessados costumam ser pobres em fibras, que são essenciais para a prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e vários tipos de câncer. A ausência de fibras nos alimentos ultraprocessados decorre da presença limitada dos alimentos in natura ou minimamente processados nesses alimentos. E essa condição faz com o que sejam muitos pobres em vitaminas e minerais. Dessa forma, é importante que a população tenha consciência de que os ultraprocessados precisam ser consumidos com moderação, uma vez que estão relacionados com as doenças crônicas”, diz.

Identificação

A nutricionista cita como exemplos de alimentos ultraprocessados guloseimas, bebidas adoçadas com açúcar ou adoçantes artificiais, pó para refrescos, embutidos, produtos congelados prontos para aquecer, misturas prontas para bolo, sopas em pó, macarrão instantâneo, tempero pronto, cerais matinais, biscoitos recheados, barra de cereal, salgadinhos de pacote, entre outros.

“Podemos identificar por meio da consulta da lista de ingredientes que constam nos rótulos dos alimentos. Normalmente, nos alimentos ultraprocessados, teremos uma quantidade de ingredientes muitos grandes. Esses ingredientes apresentam nomes poucos familiares, como gordura vegetal hidrogenada, xarope de frutose, isolados proteicos, agentes de massa, espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor. Portanto, é uma série de aditivos químicos adicionados à composição desses alimentos. Uma dica importante é sempre ler com atenção o rótulo alimentar, pois ali temos a lista de todos os ingredientes utilizados na formulação”, esclarece.

Aumento do consumo

De acordo com a nutricionista, na literatura há vários estudos que apontam uma tendência generalizada no aumento do consumo de ultraprocessados com maior intensidade em países de renda média, caso do Brasil. Ela acredita que a falta de tempo e o estilo de vida que a população vem adotando influencia na opção por ultraprocessados e que, em um futuro muito próximo, o preço desses alimentos seja cada vez menor e, portanto, estarão disponíveis para uma parcela maior de indivíduos.

“Acho sim que existe uma forte tendência de se consumir esses alimentos. Com a correria do dia a dia, as pessoas têm se dedicado cada vez menos ao preparo dos seus alimentos e para uma boa parte da nossa população, as principais refeições acontecem fora do domicilio. Sendo assim, as chances de incluir os ultraprocessados no cardápio aumenta muito. Além disso, não podemos deixar de comentar que os ultaprocessados são prontos para o consumo e, portanto, opções mais rápidas, práticas e cada vez mais acessíveis à população brasileira”, afirma.

Guia Alimentar da População Brasileira

Uma importante ferramenta para o brasileiro é o Guia alimentar criado pelo Ministério da Saúde, em 2006, para informar a população brasileira sobre os cuidados com a alimentação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, por meio da Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, que os governos formulem e atualizem periodicamente diretrizes nacionais sobre alimentação e nutrição, levando em conta mudanças nos hábitos alimentares e nas condições de saúde da população e o progresso no conhecimento científico. Essas diretrizes têm como propósito apoiar a educação alimentar e nutricional e subsidiar políticas e programas nacionais de alimentação e nutrição.

Maysa aconselha que, utilizando as informações do Guia, os brasileiros podem tentar melhorar a alimentação e evitar o consumo de ultraprocessados. “O Guia alimentar para a população brasileira traz as diretrizes oficiais para a nossa população. De acordo com as orientações da publicação, a base da nossa alimentação deve ser in natura e minimamente processados. É muito importante que as orientações do nosso Guia sejam colocadas em prática e que os ultraprocessados sejam evitados ou excluídos da alimentação”, recomenda.


Redação Dom Total

EMGE

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