Meio Ambiente

25/05/2019 | domtotal.com

Os jardins do futuro perante a mudança climática são exibidos em Londres

O criador quis mostrar que 'as plantas são fundamentais para a nossa existência e podem ter vários usos, além da função decorativa'.

Plantas criadas com iluminação artificial no Chelsea Flower Show de Londres, em 20 de maio de 2019.
Plantas criadas com iluminação artificial no Chelsea Flower Show de Londres, em 20 de maio de 2019. (AFP)

E se a jardinagem pudesse contribuir para preservar o planeta? No Chelsea Flower Show de Londres, uma das maiores feiras de horticultura do mundo, o jardim de amanhã responde aos desafios da mudança climática.

"Basta ligar a televisão todos os dias para ver as mudanças ambientais, seja a desertificação, a segurança alimentar ou o desmatamento, e para nos conscientizarmos de que sem as plantas vamos ter problemas", explica à AFP Tom Dixon, que apresenta um jardim ambiciosamente batizado de "A jardinagem salvará o mundo".

Enquanto nos estandes adjacentes da feira, celebração anual do gênio da jardinagem britânica, brilham as cores de peônias, lírios e rosas, à primeira vista seu jardim em dois níveis parece menos espetacular.

Em enormes vasos colocados sobre uma grande estrutura metálica, um oásis composto de uma variedade de árvores, flores e plantas guarda um laboratório com luz artificial onde crescem ervas e plantas comestíveis sem terra e com muito pouca água.

O criador quis mostrar que "as plantas são fundamentais para a nossa existência e podem ter vários usos, além da função decorativa. Um uso alimentar, certamente, mas também ecológico, médico e terapêutico".

Na parte do laboratório se usam técnicas de cultivo sem terra como a hidroponia ou a aeroponia, que utilizam menos água que os métodos tradicionais.

A hidroponia - o cultivo em um substrato neutro regularmente irrigado por uma solução que fornece sais minerais e nutrientes essenciais, "se estendeu em cidades como Nova York e Paris, onde é utilizada em túneis e armazéns", explica Dixon. "É uma tendência crescente mas ainda não muito visível".

Muro comestível

Assim, há alguns anos, foi instalada uma horta em um abrigo antiaéreo da Segunda Guerra Mundial em Clapham, um bairro do sudoeste de Londres. Alfaces e verduras crescem graças a uma luz artificial e abastecem restaurantes locais.

Dixon espera assim seduzir os visitantes do Chelsea Flower Show, que abrirá para o público na terça-feira. "Todo mundo pode cultivar coisas", afirma, recordando seus tempos de estudante quando fazia germinar grãos de mostarda sob um algodão.

"Não é necessário ter um jardim" para ser jardineiro, diz à AFP Jody Lidgard, criador de um espaço destinado às crianças: um muro comestível mistura alfaces, ervas aromáticas, morangos e cogumelos, enquanto mais longe crescem tomates, acelgas e espinafres graças à hidroponia.

"Consumir uma ou duas refeições por ano com alimentos que você mesmo cultivou pode representar uma diferença", afirma Lidgard, citando o impacto na melhora da qualidade do solo e na fauna.

Segundo um informe do grupo de especialistas das Nações Unidas sobre a biodiversidade (IPBES) publicado no início de maio, 75% das terras e 66% dos oceanos foram gravemente modificados pelas atividades humanas.

Para Barbara Isaacs, da associação educativa Montessori St Nicholas, trata-se também de conservar o vínculo das crianças com a natureza.

"Muitas crianças pensam que as verduras vêm do supermercado porque nunca tiveram a oportunidade de plantá-las ou colhê-las", afirma.


AFP

EMGE

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