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24/05/2019 | domtotal.com

É preciso mostrar a beleza das populações ignoradas pela mídia, defende fotodocumentarista

Uma das principais referências na fotografia de Direitos Humanos, J.R. Ripper lança campanha para doar imagens para órgãos públicos e movimentos sociais.

Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas.
Fotógrafo carioca J.R. Ripper tem quase 50 anos de carreira no registro de populações marginalizadas. Foto (J.R. Ripper/Divulgação)

Por Thiago Ventura
Repórter DomTotal

Mostrar a beleza e a intimidade de personagens que só aparecem na grande mídia em momentos de tragédias e crimes. Esse é um dos lemas do fotógrafo João Roberto Ripper, um carioca de 66 anos e quase meio século de carreira. Fotojornalista com passagens por veículos como O Globo,  Última Hora e Diário de Notícias, entre outros, o fotógrafo se dedica à cobertura dos Direitos Humanos. J.R. Ripper participa de bate-papo com fotógrafos mineiros nesta sexta-feira (24), no lançamento de uma campanha de doação pública de seu acervo.

“Considero que a fotografia faz parte de um dos direitos humanos essenciais.  Ela pode ajudar a contar a história de um povo ou uma comunidade. Infelizmente, a visão oficial acaba por estigmatizar e criar estereótipos  que quebram a dignidade das pessoas, criando hipóteses como que ‘numa favela só tenha bandido’, o que não é verdade”, afirma Ripper em entrevista ao DomTotal.

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Para o fotógrafo, falta revelar mais a riqueza existencial de comunidades indígenas, periferias e povos tradicionais. “Se a beleza, em sentido amplo, não apenas externa,  é responsável pela existência da própria humanidade, por que na hora de divulgar populações menos favorecidas o que se tira da edição é justamente a beleza?”, questiona.

J.R. RipperEm 48 anos de trajetória fotográfica,  acumula cerca de 140 mil imagens, boa parte no registro dessas comunidades, além de denúncias sobre o trabalho infantil e escravo e o trabalho de movimentos sociais. Agora, tem como objetivo tornar público sua produção, municiando o acervo para órgãos públicos e entidades. Para isso,  lançou uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar recursos para fazer a doação do acervo à Biblioteca Nacional e entidades que trabalham em defesa dos direitos humanos.

São necessários cerca de R$ 35 mil para fazer a recuperação, a organização e a catalogação primeiramente da parte digital do acervo do fotógrafo. São cerca de 20 terabytes de arquivo, que cobrem os últimos 15 anos de sua carreira, ainda em andamento. É a primeira parte de um projeto maior, que inclui todo o acervo para incluir fotogramas em filme e dezenas de cadernos de campo.

As imagens mostram a seca no semiárido, populações tradicionais (geraizeiros, vazanteiros, quilombolas, colhedores de flores sempre-viva, veredeiros, pescadores, caranguejeiros, caatingueiros, quebradeiras de côco etc) e populações indígenas e povos da Amazônia. Há ainda imagens sobre universo feminino, trabalhadores rurais e urbanos, favelas e doenças negligenciadas.

“A história vai deixar de ser contada só pelos meios tradicionais de comunicação. Ela vai ficar em um lugar público para ser visto por quem quiser. E esse protagonismo também vai ser assumido pelas organizações que trabalham diretamente com estes grupos”, explica.

Além da doação para a Biblioteca Nacional, fotos de populações tradicionais, por exemplo, serão doadas ao Centro de Agricultura Alternativa de Minas; fotos das vivências e lutas no semiárido serão doadas ao Centro Sabiá de Direitos Humanos e para a Organização Caatinga; fotos das lutas por terra irão para a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); e os registros de trabalho escravo irão para organizações que realizam trabalho sério de combate à prática, como a Repórter Brasil.

O crowdfunding é feito por meio do site Benfeitoria, com valores que vão desde R$ 15 até R$ 5 mil. Cada apoiador recebe uma recompensa de acordo com o valor contribuído, como cartões postais e/ou fotografias de Ripper.

"A importância de preservar esse acervo é não deixar morrer a história do nosso povo, da nossa cultura. Torná-lo público é ainda mais importante. É devolver à essa própria população documentada e à sociedade o seu direito de uso, a sua história. O gesto do Ripper é de uma generosidade que quase não se vê dentro do universo da fotografia no nosso país, um universo ainda muito elitista, que vê a fotografia como algo comercial e para poucos. Espero que essa iniciativa estimule a reflexão de outros profissionais e inspire outras pessoas a verem o trabalho da fotografia como um patrimônio público, para usufruto na luta e na resistência das populações", analisa a fotógrafa Isis Medeiros, organizadora da palestra de Ripper em Belo Horizonte.

Bate papo em BH

João Roberto Ripper fará palestra em Belo Horizonte nesta sexta-feira, às 19h no  Centro de Referência da Juventude - CRJ. O documentarista foi convidado pelo grupo de fotógrafos Fotografia pela Democracia - BH, no projeto "Bem Querer o Brasil”. Haverá projeção de fotos de Ripper e uma roda de conversa com profissionais, fotógrafos e pesquisadores da imagem, que unem seu trabalho e olhares únicos com a luta pelos Direitos Humanos.

“Hoje não se pode contar a história do brasil sem os fotógrafos populares, sejam de periferias, indígenas, da favela e freelancers que se engajam nessas causas. O coletivo é uma das forma que o profissional tem como executar essa cobertura, uma vez que sozinho é muito difícil organizar uma estrutura para ter uma multiplicidade de pensamentos e discursos”, afirma. A entrada é franca.

Haverá projeção de fotos de Ripper e uma roda de conversa com profissionais, fotógrafos e pesquisadores da imagem, que unem seu trabalho e olhares únicos com a luta pelos Direitos Humanos.

BEM QUERER O BRASIL: J.R. RIPPER
Sexta-feira (24/5), a partir das 19h
No Centro de Referência da Juventude (CRJ)
Rua Guaicurus, 50, Centro, Belo Horizonte/MG. Entrada franca


Redação DomTotal

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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