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27/05/2019 | domtotal.com

Corruptopatia, o mal de todos os tempos

Na história contemporânea, a corrupção contaminou políticos investidos de poder das mais variadas tendências, dos mais diversos partidos.

A doença ganhou campo fértil no governo civil, a começar por Sarney.
A doença ganhou campo fértil no governo civil, a começar por Sarney. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*

A malária passou, assim como passaram a gripe asiática, a poliomielite e o sarampo, assim como um dia passarão a dengue, a zica e a chigungunya. Mas há uma doença endêmica que, ao contrário das outras, não passa nunca. Até o presente momento não se descobriu vacina que a possa prevenir ou debelar. O nome dela é corrupção, esse mal incurável que ataca especialmente o organismo moral do administrador público.

Na história contemporânea, a corrupção contaminou políticos investidos de poder das mais variadas tendências, dos mais diversos partidos, à esquerda, ao centro e à direita. Trata-se de uma doença maleficamente democrática, que não tem preconceito de cor ou raça ou gênero. Assim que encontra um organismo sem defesa, propenso à aceitação das suas facilidades, das suas ofertas do vil, mas gordo metal, aí ela se instala e toma conta.

Não é de agora que esse mal grassa no nosso país. Já ao tempo do Brasil Colônia dizia o sábio Padre Vieira: “O ladrão que furta para comer não vai ao inferno, mas é enforcado”, enquanto os outros, “os de maior calibre e de mais alta esfera, furtam e enforcam”.

Há um poemeto daquele tempo com estes versinhos: “Quem furta pouco é ladrão/ Quem furta muito é barão/ Quem mais furta e esconde/ Passa de barão a visconde”.

Na história contemporânea, temos barões e viscondes desse naipe desde os governos militares, mas estes parecem dispor de uma imunidade chamada patriotismo. Tanto que não se comprovaram acusações de corrupção durante os vinte anos do regime de exceção que o Brasil viveu de 1964 a 1983. Talvez tenham furtado naquele regime não os militares, mas os civis que serviam ao governo ou o integravam.

A doença ganhou campo fértil no governo civil, a começar por Sarney, quando houve inúmeras acusações de corrupção na administração pública, especialmente em casos de superfaturamento em obras públicas. Tudo morreu no Congresso cooptado.

No governo Collor a coisa desandou ao ponto de levar a um processo de impeachment. O pivô da corrupção era o ex-tesoureiro da campanha presidencial, um certo Paulo César Farias. Collor foi levado à renúncia e o famoso PC, tido como testa de ferro do presidente, acabou sendo assassinado em sua casa da praia de Guaxuma, em Maceió.

Com Itamar Franco, que assumiu como vice de Collor, também houve denúncias de corrupção, mas Itamar afastou os suspeitos. Nada se provou contra ele.

Eleito Fernando Henrique Cardoso, as denúncias de corrupção voltaram a assolar o Palácio do Planalto. As privatizações eram o foco principal, mas o caso mais escandaloso foi a aprovação de emenda constitucional que implantou a reeleição para o poder executivo. Grampos telefônicos revelaram o esquema de compra de votos no Congresso para aprovação da medida. E FHC foi reeleito.

Veio o governo Lula, e aí a doença tomou sua forma mais elástica, numa metástase sem limites. Nunca antes na história deste país, para usar a frase preferencial do presidente, nunca antes houve tanta corrupção. Foram distribuídas propinas generosas de milhões pelas empresas contratadas para obras do governo. Foi assaltada principalmente a Petrobras. Vários petistas de alto escalão foram presos, culminando com a condenação e prisão do próprio Lula.

Dilma Rousseff, também eleita democraticamente na esteira da popularidade de Lula, não estancou e tampouco combateu a doença. Acabou sendo deposta pelo Parlamento, deixando o governo para Michel Temer, que também acabou sendo acusado do mesmo mal.

Esse é o Brasil colônia, império e república.

Há agora uma certa esperança de que a doença seja erradicada. Mas, por enquanto, é só um fio de esperança. Oremos.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

EMGE

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