Meio Ambiente

27/05/2019 | domtotal.com

O desperdício de água que você não vê

O elevado uso da água na indústria e agronegócio impressiona pela quantidade.

Para se produzir um quilo de maçã, por exemplo, é necessário usar 822 litros de água.
Para se produzir um quilo de maçã, por exemplo, é necessário usar 822 litros de água. (Pixabay)

Por Patrícia Almada
Repórter DomTotal

Para se fabricar 1 quilo de manteiga são necessários 18 mil litros de água. Para se produzir 1 litro de cerveja são utilizados 296 litros. Para se cultivar 1 quilo de arroz são necessários 2.497 litros de água. Os números, que muitas vezes impressionam pela quantidade, fazem parte da rotina de muitas indústrias têxteis, de produtos, alimentícias e do agronegócio, que utilizam água para fabricar o que a população consome ou tem necessidade.

Além disso, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor da pecuária é, provavelmente, a maior fonte de poluição de água, contribuindo para a sua impureza, "zonas mortas" em áreas costeiras, degradação de recifes de corais, problemas de saúde humana e de emergência de resistência a antibióticos, entre outros impactos.

Pesquisa do governo federal de 2009, aponta que a pecuária é responsável pela maior parte do desmatamento da Amazônia Legal. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que 70% da terra desmatada da Amazônia é usada como pasto e plantações. O desmatamento é seguido por um grande uso de água para atender à necessidade da sociedade consumidora. Para se produzir 1 quilo de carne bovina, por exemplo, são necessários 17.100 litros de água. Já o quilo do frango demanda 3.700 litros. Um quilo de banana, gasta-se 790 litros de água.

Muitas vezes o uso excessivo de água atende algumas demandas de fabricação. No caso da manteiga, por exemplo, é necessário que se passe por várias lavagens antes de ficar pronta. Na agricultura, a água é usada para hidratar as plantas. Na indústria têxtil, há por trás da fabricação de um quilo de lã há criação de animais e a demanda energética, que novamente tem a água como pano de fundo.

Toda água, que muitas vezes não se tem noção do uso, é motivo de preocupação do biólogo Marcelo Augusto de Oliveira e Santos. Para ele, as indústrias podem diminuir a água e tem artifícios para isso. Porém, atende às necessidades da população.

“As empresas podem reduzir o consumo de água. Elas possuem métodos, mesmo que não sejam os mais fáceis possíveis. Mas temos que entender que o impacto causado pelas empresas só existe porque se tem demanda. É mais fácil entender que o impacto sobre o gasto de água é tão grande em proporções gerais quanto um banho demorado. A gente só precisa pensar no que estamos fazendo e consumindo". 

Marcelo ressalta que uma empresa gasta sim muita água e que talvez a população gaste até menos. "Mas à medida que podemos tomar para se evitar um problema deve ser feita das pequenas ações para as grandes ações. As alternativas das empresas de diminuir os problemas pelo excesso de água têm alguns pontos como envolver o planejamento, equipe preparada, biólogos, engenheiros, administradores e outros tantos para que cada um deles se tornem responsáveis pela empresa e o que ela gera de impacto na sua população."

Para Marcelo, quando se pensa em consumo de água deve-se refletir também sobre sustentabilidade e forma consciente de usar os recursos sem esgotar a matéria prima. O biólogo reforça novamente que a população tem papel fundamental nesta questão. 

“É óbvio que uma empresa gasta muito recurso, água ou material natural. Mas temos que entender que a empresa faz aquilo por um motivo: a própria população que demanda esse uso de recursos. Acredito que se tem uma questão econômica sim, porém é também cultural. A responsabilidade é de todo mundo. Mudar o modo de consumir e se relacionar com o mercado é o primeiro ponto para que de fato possamos ter mudanças dentro das corporações. É entender que há uma responsabilidade geral, mas a primeira mudança a ser feita é naquilo que eu faço!”, explica.

Ação

Marcelo ressalta que apenas conscientizar a população sobre a diminuição do uso da água para que, por conseguinte, a empresa possa tomar alguma providência em relação ao seu uso excessivo não adianta. São necessárias atitudes. Órgãos públicos também podem fazer a diferença com normas e leis mais consistentes.

“Tenho certeza que a população pode fazer alguma coisa. Cada um de nós é responsável por criar o mercado que a gente quer. Desde o momento que a gente escolhe o que compra, o quanto compra, como compra e de quem compra, os efeitos dessas escolhas fazem com que as empresas repensem seus métodos produtivos e a forma como se posiciona dentro do mercado. Individualmente, tomando atitudes que otimizam o nosso ambiente e consumindo de forma consciente, o mercado terá que se adequar. Criar uma fiscalização mais eficaz ajudaria. Porém, creio que o principal responsável por trás do problema ambiental é cada um de nós como indivíduo”, ressalta.

Curiosidades

De acordo com o site 'Instituto Ecoação' quanto maior o emprego da água, mais intensivo é seu uso. Seguem alguns exemplos:

  • Cana-de-açúcar: para obtenção de um quilo deste bem é preciso 1782 litros de água.
  • Etanol de cana-de-açúcar: o combustível renovável é responsável por um consumo de aproximadamente 2107 litros de água para produzir um litro de etanol.
  • Carne Ovina: consome, em média, 10412 litros de água para cada um quilo de carne.
  • Carne Suína: para um quilo de carne suína é preciso cerca de 5988 litros de água.
  • Ovo: necessitam de 196 litros de água para um ovo médio (até 60 gramas).
  • Leite: em um litro de leite usa-se, em média, 1020 litros de água.
  • Batata: carece de 287 litros, mais ou menos, para se produzir um quilo deste tubérculo.
  • Maçã: um quilo de maçã requer, mais ou menos, 822 litros de água.
  • Laranja: estima-se um consumo de 560 litros para cada um quilo da fruta.
  • Algodão: uma camiseta de 250 gramas requer 2495 litros de água.


Redação Dom Total

EMGE

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