Cultura Música

08/06/2019 | domtotal.com

Caldeirão cultural e artístico serve de inspiração para o álbum 'Madame X'

Madonna descobriu o Tejo Bar e já fez várias postagens nas redes sociais elogiando o clima intimista onde músicos cantam de improviso e é proibido aplaudir

Dois homens tocam violão no Tejo Bar, local frequentado por artistas no Bairro Alfama, em Lisboa
Dois homens tocam violão no Tejo Bar, local frequentado por artistas no Bairro Alfama, em Lisboa (Patrícia de Melo Moreira/AFP)

O bar fica no Beco do Vigário, em Lisboa. É pequeno e sempre lotado. O ambiente é intimista, com banquetas de madeira, um piano desafinado e violões pendurados nas paredes. Lá, ouve-se fado, morna de Cabo Verde, bossa nova brasileira ou uma delirante fusão disso tudo e outras milongas mais. 

Este cenário, onde a música surge do encontro entre amigos instrumentistas, serviu de inspiração para Madonna na criação de Madame X, seu novo álbum, que lançado na sexta-feira (14). "Minha inspiração para meu novo álbum nasceu aqui, em Lisboa, no Tejo Bar", afirmou Madonna em sua conta de Instagram.

Escondido no bairro boêmio da Alfama, o estabelecimento abre as portas por volta de meia-noite e não é permitido aplaudir para não incomodar os vizinhos. O ambiente muda a cada noite em função das improvisações dos músicos que se apresentam diante de um público integrado por portugueses, turistas, estudantes, escritores, pintores etc. Seduzida por esta mistura musical, a rainha do pop criou uma obra que reflete as noites de Lisboa e os artistas que conheceu na capital portuguesa, onde em 2017 estabeleceu uma residência temporária.

Madonna se mudou para Lisboa para permitir que David Banda, um de seus quatro filhos adotados no Malawi, entrasse na academia de futebol do Benfica. Sua rotina de mãe, que oscilava entre o colégio e os treinamentos de futebol em uma cidade em que não tinha amigos, acabou deprimindo-a "um pouco", confessou a cantora de 60 anos ao canal MTV.

Ao frequentar a clientela do Tejo Bar, descobriu "um caldeirão de culturas musicais" em Lisboa, que outrora foi a capital de um império colonial que incluía Brasil, Angola e Moçambique. "Propor um espaço que inspira artistas como Madonna me enche de alegria", declarou com orgulho Mira Fragoso, uma ex-atriz brasileira coproprietária do bar, palco de encontros improváveis como o que ocorreu entre Madonna e um pianista brasileiro de 33 anos, João Ventura.

"Pega o violão"


O brasileiro se recorda do primeiro encontro com a estrela. "Naquela noite ela estava sentada em um canto", conta o pianista. A pedido de um amigo, ele tocou uma canção de bossa nova à qual incorporou a sonata Claro de luna, de Beethoven. "No dia seguinte me ligou para dizer que tinha gostado e me propôs que a acompanhasse em um show em Nova York...", conta o músico. Depois de três ensaios com Madonna, acompanhou-a ao piano em três canções interpretadas em 2018 durante o Met Gala.

Dino D'Santiago, um cantor de origem cabo-verdiana, representa muito bem essa Lisboa mestiça. Ele canta em português e em crioulo, e guiou Madonna pelos becos e curvas da Alfama. "Aqui a diversidade cultural não está confinada a guetos, está em todos os lados", afirmou este cantor de 36 anos, que afirma que Lisboa vive uma efervescência artística excepcional.

Fez com que ela descobrisse a orquestra de "batucadeiras", um grupo de cantoras e percussionistas cabo-verdianas que ele criou há um ano. Algumas acompanharão a rainha do pop em sua turnê. D'Santiago também lhe apresentou a Kimi Djabaté, um músico da Guiné-Bissau que descende dos trovadores mandingas. "Às vezes só me diz 'pega seu violão' e ficamos em algum lugar com outros artistas", declara este homem de 44 anos, que gravou Ciao bella, uma bonus track de Madame X.

Tapete vermelhos e polêmicas

Certa noite na discoteca africana B.Leza, Madonna conheceu Blaya, uma cantora e bailarina com o corpo coberto de tatuagens e cuja canção Faz gostoso aparece no novo álbum. Vania Duarte, de 34 anos, também se beneficiou da visibilidade que Madonna deu a muitos artistas lisboetas. A cantora de fado se apresentou várias vezes para a artista na Casa de Linhares.

Embora Madonna tenha sido recebida de braços abertos por músicos lisboetas, também suscitou polêmicas, como quando as redes sociais criticaram a prefeitura, acusada de alugar para ela um estacionamento de 15 lugares por um preço inferior ao do mercado.

Na cidade de Sintra, a oeste de Lisboa, foi proibida a entrada de um cavalo em uma mansão do século 19 para a gravação de um videoclipe. "Há coisas que o dinheiro não pode comprar", comentou o prefeito Basilio Horta, citado pelo semanário Expresso.

O governo socialista estendeu o tapete vermelho para a rainha do pop, que obteve uma autorização de residência especial prevista para os estrangeiros que representem "um interesse público", segundo várias fontes. Em um país que aproveita que está na moda para desenvolver o turismo, Madonna é um "formidável cartão de visita", declarou à rádio Antena 1 em 2017 a secretária de Turismo, Ana Mendes Godinho.

Críticas positivas

Na sexta-feira (7), Madonna lançou Dark ballet, quinto single de Madame X, com um clipe que começa com uma citação de Joana D'Arc. O disco tem sido bem recebido pela crítica. O jornal inglês The Guardian classificou Madame X como "o álbum mais bizarro de Madonna". De acordo com o texto de Ben Beaumont-Thomas, a cantora está à vontade com o pop latino que guia o álbum. "Soa mais natural do que seus trabalhos nos últimos anos", escreveu. 

Para o The Times, o novo álbum é, talvez, o álbum mais ousado da carreira da artista. "Madame X versa entre música pop, latina e dance music, salta do pessoal para o político e cria um clima exótico e alegre que parece estranhamente íntimo", afirma o jornal. "Como se Madonna estivesse revelando uma parte até então oculta de sua alma".

Confira o clipe de Dark ballet:



AFP/Agência Estado/Domtotal.com

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas