Religião

07/06/2019 | domtotal.com

Habitar o mundo com responsabilidade

O cristão não pode perder de vista que a ele também compete o cuidado da Terra, nossa casa comum.

Os voluntários limpam e removem os resíduos de uma praia durante o Dia Mundial da Limpeza, em Marselha, na França, em setembro de 2018.
Os voluntários limpam e removem os resíduos de uma praia durante o Dia Mundial da Limpeza, em Marselha, na França, em setembro de 2018. (Reuters)

Por Felipe Magalhães Francisco*

Somos ínfimos ante a grandiosidade do universo. Mas somos parte importante: não apenas habitamos o mundo, este planeta, como criamos o mundo – o nosso mundo. Nós, os que criamos o mundo humano, interferimos continuamente no mundo das coisas. Isso é tanto maravilhoso quanto trágico! Nosso planeta está verdadeiramente ameaçado: usamos de nossa potencialidade criadora de modo irresponsável. E, cada vez mais, a ganância de uns poucos coloca em vigor uma estrutura de destruição, o que leva todos a um caminho de ruína.

Há, no entanto, caminhos bonitos sendo construídos, de mudança de hábitos. A reflexão é importante e a ecologia, definitivamente, não deve sair de nossa pauta. A mudança de hábitos cotidianos se faz muito importante e deve nos engajar em lutas de nível macro, levando-nos a questionamentos sérios e contundentes a respeito da apropriação irresponsável dos recursos naturais, por puro interesse econômico que só beneficia a uns poucos. A história do Brasil, bem como de toda a América Latina, é uma história de dilapidação e geração de pobreza. Nossas riquezas naturais nos levam ao empobrecimento sistêmico, de pessoas, da fauna e da flora, e de nossa terra.

Tragédias criminosas tais como ocorridas em Minas Gerais, com o rompimento de duas barragens de rejeitos e a ameaça de rompimento de outras mais revelam que chegamos a um ponto limite. É preciso pensar uma ecologia integral, na qual o valor da vida – e toda ela, não apenas a humana – seja cuidado. O caminho é duplo: tanto de mudança de hábitos, melhorando nossa relação com o consumo, por exemplo; quanto de crítica e engajamento nas causas em prol de uma transformação estrutural. A economia não pode se sobrepor à vida e à natureza. Não podemos assistir, passivos, a atos governamentais que colocam o futuro de nossa terra em suspenso, por uma visão desequilibrada de como lidar com os recursos. A Amazônia, por exemplo, é causa nossa, muito nossa!

A urgência de responsabilidade no trato com o mundo das coisas está anunciada. Não temos mais tempo a perder. Ou mudamos nossa relação com o mundo e nossas próprias relações, ou nossa qualidade de vida será cada vez mais ameaçada por nós mesmos. A educação é o caminho mais apropriado para a transformação. E, em tempos de ódio à educação libertadora, mais que nunca temos que nos envolver nesses processos que podem nos salvar da estupidez e da desumanização. Refletir sobre essas questões é um passo: não podemos perder de vista nossa responsabilidade ante o mundo, ele é nossa casa e somos chamados a fazer dele um verdadeiro lar.

É nessa perspectiva que Otávio Juliano de Almeida propõe o artigo Quando regar o jardim da casa faz florescer o mundo inteiro, no qual reflete, a partir da ética, nossa relação com o mundo das coisas, que pode provocar verdadeiras transformações em níveis cada vez mais amplos. Nesse horizonte, é fundamental refletirmos e transformarmos nossa relação de consumo. É o que nos ajuda Robert Henrique Sousa Dantas, no artigo Consumismo como busca pela felicidade e sua problemática, que levanta questionamentos importante sobre a relação com a posse de coisas. Por fim, Teófilo da Silva reflete, no artigo Gratuidade para com a casa, a respeito de vencermos uma compreensão e uma atitude utilitarista ante o mundo e as pessoas, tornando possível que o mundo, como Casa, transforme-se em verdadeiro lar, lugar da gratuidade.

 Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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