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14/06/2019 | domtotal.com

Rhuan e o horror abafado

Rhuan não se dava conta de que era um estorvo no idílio idealizado pelo casal.

'O crime teria sido motivado por um profundo ódio pela criança, pois representava o passado amoroso da mãe'
'O crime teria sido motivado por um profundo ódio pela criança, pois representava o passado amoroso da mãe' (Divulgação PC/DF)

Por Fernando Fabbrini*

Tem sido bastante comentado nas redes o descaso da imprensa e de parte da opinião pública para o terrível drama do menino Rhuan. O garoto de 9 anos, cruelmente assassinado em Brasília dias atrás, teve direito apenas a um noticiário estranhamente ligeiro e reticente – em flagrante contraste com outros crimes desses tempos assustadores.   

Trata-se de mais um episódio da violência contra crianças aqui no Brasil; fatos que acabam se tornando lamentavelmente comuns pela frequência com que ocorrem. Após algumas notas nos sites e jornais, seria logo substituído por nova atrocidade quotidiana.

Porém, a coisa foi muito mais horrenda. Rhuan era fruto de um relacionamento anterior de sua mãe, Rosana Auri da Silva Cândido. Após se separar do marido e perder a guarda da criança na Justiça, ela fugiu com Rhuan para o DF. Desde aquela época a família paterna de Rhuan não tinha mais notícias do menino e andava desesperada. Em Brasília, Rosana passou então a viver um relacionamento com Kacyla Priscila Santiago Damasceno.  

No entanto, Rhuan – que adorava jogar futebol – não se dava conta de que era um estorvo no idílio idealizado pelo casal. Segundo o chefe da Seção de Investigação de Crimes Violentos da 26ª DP, delegado Carlos André, “o crime teria sido motivado por um profundo ódio pela criança, pois representava o passado amoroso da mãe e era considerada um 'peso' na vida homoafetiva das envolvidas”. Primeiro, realizaram elas mesmas uma “cirurgia improvisada” no menino. Cortaram-lhe o pênis e a bolsa escrotal, símbolos inocentes de seu gênero masculino. Não satisfeitas com o resultado, decidiram liquidar o garoto.

A investigação do assassinato mostrou detalhes repugnantes. Enquanto a mãe esquartejava a criança, Kacyla preparava a churrasqueira onde partes do corpo seriam queimadas. Rosana também arrancou a pele do rosto de Rhuan e tentou retirar com uma faca seus glóbulos oculares. Finalmente, o menino levou uma dúzia de facadas da mãe e foi decapitado – ainda com sinais vitais. Como não conseguiram desaparecer com o corpo na churrasqueira, as mulheres distribuíram partes em mochilas, encontradas em bueiros e nos arredores da casa.   

Terrível, caros leitores do Dom Total? Certamente sim, nauseante e revoltante para nós, pessoas de bem; pessoas com qualquer tipo de fé e mínimo respeito à vida. É o horror inimaginável. No entanto, para uma boa parte do público e da imprensa, foi fichinha, banalidade. Um vergonhoso silêncio tomou lugar. Isto porque a indignação no Brasil tornou-se seletiva. Alguns crimes ou eventos são explorados de forma oportuna, salpicados de ideologias ou de canalhices indisfarçáveis. Nesse caso de Rhuan, pelas regras do politicamente correto, talvez não caísse bem destacar o crime cometido por um casal gay.

Fiz questão de deixar aqui meu indignado registro. Não adianta muita coisa, eu sei. Porém, pelo menos é um pequeno afago na memória de um menino que adorava jogar futebol. E que talvez sonhasse apenas em ser mais um craque de nome original num modesto time da periferia de Brasília.

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal 'O Tempo'.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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