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14/06/2019 | domtotal.com

DF e 26 estados têm cidades com atos contra a reforma da Previdência em dia de greve geral

Proposta enviada pelo Governo Bolsonaro é criticada por movimento sociais e centrais sindicais, além de cortes na educação.

Metroviários de São Paulo confirmaram paralisação do Metrô  na cidade.
Metroviários de São Paulo confirmaram paralisação do Metrô na cidade. Foto (Paulo Iannone/Mídia Ninja)
Movimentos Sociais fecham a Av 23 de maio em São Paulo em apoio a greve geral.
Movimentos Sociais fecham a Av 23 de maio em São Paulo em apoio a greve geral. Foto (Guilherme Gandolfi/ Mídia NINJA)
Estação Vila Prudente do Metrô de São Paulo fechada na manhã desta sexta-feira (14), durante greve geral.
Estação Vila Prudente do Metrô de São Paulo fechada na manhã desta sexta-feira (14), durante greve geral. Foto (ETTORE CHIEREGUINI/ESTADÃO CONTEÚDO)

Uma greve geral acontece nesta sexta-feira (14) em protesto contra a reforma da Previdência.  Cidades do Distrito Federal e 26 estados registram atos e interrupções em serviços públicos na manhã desta sexta-feira. Centrais sindicais e movimentos sociais que organizam os protestos também opõem aos cortes na Educação. 

Os metrôs de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro estão completamente parados. Na capital mineira, a estações de ônibus de Vilarinho e do Diamante amanheceram fechadas. No Distrito Federal, o sistema de ônibus está parado.

Além disso, Belo Horizonte e na região metropolitana registra vários pontos de manifestação com vias fechadas. O Anel Rodoviário foi fechado na altura do bairro Betânia; na avenida Antônio Carlos, na Região da Pampulha, manifestantes fecharam a via próximo da entrada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical são algumas das entidades que convocaram as categorias que representam a aderir a greve. A CUT estima que mais de 170 cidades do país terão atos pela greve, de acordo com nota no site da entidade .

Os atos de sexta-feira foram marcados em 1º de maio, quando as centrais sindicais comemoraram o Dia do Trabalho com protestos contra a reforma previdenciária. Na avaliação das entidades, a proposta do governo Bolsonaro não combate privilégios e prejudica a parte mais pobre da população.

Bolsonaro comenta greve

Durante um café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro foi perguntado sobre a greve. O presidente disse ver o movimento como algo natural. "[Vejo] com muita naturalidade. Quando resolvi me candidatar, sabia que ia passar por isso", disse.

Sobre reforma da Previdência, alvo das paralisações, Bolsonaro voltou a defender a importância das mudanças nas regras da aposentadoria, sem as quais os empresários não terão "segurança para investir".

Av. Antônio Carlos fechada:



São Paulo


Inicialmente, os sindicatos dos funcionários do Metrô, da CPTM (trens metropolitanos) e ônibus anunciaram adesão total à paralisação. Mas decisões judiciais determinaram que os serviços deveriam continuar sendo oferecidos. Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos (SMT), a Justiça determinou que o Metrô mantenha 100% do quadro de funcionários nos horários de pico e 80% no restante do dia e, na CPTM, 100% do quadro de servidores em todo o horário de operação.

A São Paulo Transportes (SPTrans, que cuida dos ônibus) também conseguiu uma decisão judicial que determina a manutenção do serviço. Em nota, afirmou que houve determinação para “que se mantenha o serviço, em especial nos horários de pico entre 5 horas e 9 horas e entre 17 horas e 20 horas, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia, no caso de descumprimento”. A liminar, porém, não especifica a porcentagem da frota que deve funcionar nos horários de maior circulação.

Apesar disso, após assembleia no início da noite dessa quinta-feira , os metroviários de São Paulo decidiram que vão paralisar as operações. “Vamos parar tudo. A partir da meia-noite, já não vamos trabalhar”, disse Wagner Fajardo, diretor do Sindicato dos Metroviários. A decisão foi tomada mesmo com liminar da Justiça proibindo a paralisação. “Ainda estamos no prazo para contestar na Justiça, mas consideramos que essa decisão não se aplica, porque é um protesto nacional, não só dos metroviários. Não é por uma reivindicação só da nossa causa, a Justiça não tem como mediar isso, estão tirando nosso direito de greve.”



O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo decidiu em assembleia no início da noite dessa quinta aderir somente no início da manhã à greve geral. Os ferroviários desistiram da paralisação.

A prefeitura de São Paulo chegou a anunciar, à tarde, que o rodízio de veículos seria cancelado nesta sexta, mas depois voltou atrás na decisão.

Nas escolas, os sindicatos dos professores das redes de ensino municipal, estadual e particular decidiram aderir ao movimento. Ao menos 33 colégios particulares de São Paulo devem ter as atividades suspensas ou interrompidas parcialmente nesta sexta-feira. Segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), entre os colégios que aprovaram a greve estão o Equipe, Oswald de Andrade, Notre Dame, Escola da Vila, São Domingos, Vera Cruz e Santa Cruz. Em alguns deles, as atividades só serão suspensas em um período ou para alguma etapa de ensino.

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), porém, repudiou a paralisação dos professores da rede particular e destacou que apoia a reforma da Previdência. “Não somos favoráveis à referida paralisação. Assim orientamos a todas as escolas no Estado de São Paulo, que as atividades escolares transcorram normalmente no próximo dia 14, sem o abono às eventuais faltas ocorridas”, disse o sindicato em nota.

Em São Paulo, a paralisação é parcial no metrô. As linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha passaram a abrir parte das estações por volta das 6h. A linha 15-prata permanece fechada em toda sua extensão, enquanto as linhas 4-amarela e 5-lilás funcionam normalmente. No ônibus, a SPTrans informa que 91% da frota está nas ruas, e todas as linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) estão operando normalmente. 

A paralisação ocorre no dia da abertura da Copa América de futebol com a partida Brasil e Bolívia no estádio do Morumbi, em São Paulo, às 21h30, com a presença prevista do presidente Jair Bolsonaro. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) informou que fará uma operação especial para atender os torcedores.

No Rio de Janeiro, as linhas 1, 2 e 4 do metrô e os trens funcionam normalmente, de acordo com MetrôRio e SuperVia, respectivamente. Já em Curitiba, por volta das 6h, 63% da frota dos ônibus estavam nas ruas, segundo a Urbs (Urbanização de Curitiba), que administra os ônibus na capital paranaense. De acordo com a entidade, dois ônibus teriam sido levados por grevistas na madrugada, sendo que um dos veículos foi recuperado.

No Rio de Janeiro, a Polícia Militar disparou bomba de gás lacrimogêneo para dispersar uma manifestação e liberar o trânsito na zona portuária, de acordo com a TV Globo. A capital fluminense estava com o transporte público operando normalmente, mas com bastante congestionamento devido ao fechamento de vias importantes.

Belo Horizonte


A greve geral contra a reforma da Previdência e os cortes na educação desta sexta-feira (14) já afeta a mobilidade urbana nesta manhã em Belo Horizonte. Todas as estações do metrô estão fechadas, desde a Vilarinho, em Venda Nova, até a Eldorado, em Contagem. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) confirmou o fechamento e informou que o Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais está descumprindo a liminar determinando o funcionamento dos trens. 

A liminar determinava a circulação de 100% dos trens no horário das 05h30 às 10h e das 16h às 20h, com pena de R$ 200 mil por descumprimento.

Ônibus

Sindicatos representativos dos trabalhadores do transporte de passageiros de todas as cidades da região metropolitana informaram nessa quinta que a deliberação foi a mesma: cada funcionário decide se vai aderir à greve ou não.

Refinarias paradas

Funcionários da Petrobras iniciaram uma greve de 24 horas na madrugada desta sexta-feira, em refinarias e terminais de oito Estados, em protesto contra a reforma da Previdência e o programa de venda de ativos da petroleira estatal, afirmou a Federação Única de Petroleiros (FUP) em nota.

A federação, que representa 12 sindicatos, disse que os petroleiros cortaram troca de turno em nove refinarias e que a greve ganhará reforço de trabalhadores do regime administrativo e das demais unidades do Sistema Petrobras.

Na Bacia de Campos, a FUP afirmou que a categoria está realizando "operação padrão" nas plataformas, com execução de todos os procedimentos, com o máximo de rigor e critério possível.

"Está prevista também a participação dos petroleiros nos atos unificados desta sexta, convocados pelas centrais sindicais, nas principais cidades e capitais do país", disse a FUP, em seu site.

As refinarias que estão sem rendição nos turnos são: Duque de Caxias (Reduc/RJ), Gabriel Passos (Regap/MG), Landulpho Alves (Rlam/BA), Abreu e Lima (PE), Manaus (Reman), Paulínia (Replan/SP), Mauá (Recap/SP), Presidente Getúlio Vargas (Repar/PR), Alberto Pasqualini (Refap/RS).

A FUP disse ainda que petroleiros não entraram para trabalhar no Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco, na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, na Termelétrica Aureliano Chaves, em Minas Gerais, na SIX (unidade de processamento de xisto, no Paraná) e na Araucária Nitrogenados (PR).

"Além de impedir o fim da Previdência Pública, a categoria petroleira se mobiliza contra a privatização do Sistema Petrobras, em defesa da soberania nacional e por políticas públicas que levem à retomada da atividade econômica, gerando empregos, com trabalho decente e renda digna", disse a FUP.

A petroleira colocou à venda refinarias, dutos, campos de petróleo, dentre outros ativos, em busca de concentrar esforços na exploração e produção do pré-sal e de reduzir a sua dívida. Com o apoio do governo federal, a empresa também deseja quebrar monopólios nos setores de gás e refino.


Agência Estado, AFP, Reuters e DomTotal, com informações do Uol e O Tempo.

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