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17/06/2019 | domtotal.com

História da propaganda em Minas

A propaganda mineira, a publicidade feita em Minas Gerais, que não tem antes, só o depois.

A adoção do nome Starlight foi uma estratégia de marketing do Orlando.
A adoção do nome Starlight foi uma estratégia de marketing do Orlando. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*

Quase tudo na vida tem antes e depois. A história da humanidade se divide em antes e depois de Cristo. A do Brasil contemporâneo, antes e depois de JK. Tem a informática antes e depois de Bill Gates, a música antes e depois de Bach, a física antes e depois de Newton, e mais uma infinidade de fatos e coisas que se antecedem e se sucedem por todo o sempre. Para o espiritismo, a própria vida tem antes e depois, com as sucessivas reencarnações.

Mas, como tudo na vida, há exceções. A primeira grande exceção é a criação do mundo, que surgiu do nada pelas mãos de Deus. E há outra de que vamos tratar agora. É a propaganda mineira, a publicidade feita em Minas Gerais, que não tem antes, só o depois. Sim, ela só ganhou vida e forma após o surgimento de uma agência de nome importado, embora fosse genuinamente brasileira, e mais do que isso, mineiríssima, nascida em Belo Horizonte. Chamava-se Starlight Publicidade. Antes dela havia no máximo um esboço, um rascunho, um rough de propaganda local.

Aos fatos: no final do ano de 1953, um moço chamado Orlando Junqueira, recém-formado na Escola de Direito da então Universidade de Minas Gerais (mais tarde federalizada), descobriu que sua vocação não eram os habeas corpus, as petições, os códigos ou os tribunais, mas a publicidade.

Foi rápida a descoberta. Aconteceu ainda no Fórum, assim que terminou sua primeira audiência. Logo ao sair ele deu por encerrada também sua brevíssima carreira jurídica e abraçou outra causa. Ia ser publicitário. Não demorou mais do que alguns dias para fundar a agência que alçaria um longo voo bem-sucedido de quase 30 anos. Os conhecimentos adquiridos no curso de Direito, onde desenvolveu sua aptidão também para raciocinar e argumentar, acabaram sendo importantes no exercício da atividade que escolheu. Afinal de contas, criar uma campanha publicitária é como elaborar uma petição, assim como defendê-la é como argumentar sobre uma ação ou uma tese forense. Só muda o juiz, que agora não é o togado, e sim o cliente.

A adoção do nome Starlight foi uma estratégia de marketing do Orlando, numa época em que a palavra marketing ainda inexistia no dicionário da comunicação. Acontece que as agências presentes no mercado nacional tinham denominação estrangeira, como Denison, McCan Erickson, Thompson, Norton, Grants, e isso influenciou na escolha do nome Starlight. Estrangeiro sim, mas também sonoro e luminoso.

Há notícias vagas da existência de três agências locais anteriores à Starlight: a PDV (Publicidade Danilo Vale), a “Agência do Rocha” e a Irmãos Lamas, mas nenhuma delas deixou algo digno de registro histórico. Donde se pode concluir que a primeira, a pioneira mesmo, foi a agência do Orlando Junqueira.

(São esses os primeiros parágrafos do primeiro capítulo de um livro que escrevi, em parceria com o companheiro, também jornalista, Cefas Alves de Meira, contando a história da propaganda mineira. Não foi editado por falta de recursos e de patrocínio).

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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