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15/06/2019 | domtotal.com

Greve geral dá recado, mas impacto é menor que esperado

Milhares de manifestantes foram às ruas contra a reforma da Previdência em mais de 350 cidades do país

Protesto em Recife mobilizou milhares de manifestantes no centro da cidade
Protesto em Recife mobilizou milhares de manifestantes no centro da cidade (Marlon Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo)

A greve geral contra a reforma da Previdência e cortes na educação mobilizou manifestantes em todos os estados do país e no Distrito Federal. As principais capitais do país tiveram os sistemas de transporte afetados, com reflexo nos serviços públicos e privados, no comércio, na educação. Milhares de cidadãos foram às ruas, convocados pelas centrais sindicais e movimentos sociais. A adesão, no entanto, foi relativa e menor do que os organizadores esperavam e o governo temia.

Embora grande parte dos protestos tenham transcorrido de forma pacífica, foram registrados atos de violência e confrontos entre policiais e pequenos grupos de manifestantes radicais nas grandes cidades do país. Ônibus incendiados, atropelamentos, casos de intoxicação por gás fizeram parte do dia da primeira grande greve geral contra o governo de Jair Bolsonaro.

De acordo com boletim das centrais sindicais e de movimentos populares, dezenas de cidades amanheceram com o transporte público total ou parcialmente parado e, até o começo da tarde, mais de 350 cidades promoveram atos de protesto. A paralisação dos meios de transporte foi a principal causa de alteração na rotinas das cidades, mas muitas capitais tiveram o sistema de saúde e educação paralisados diante da convocação.

Durante o ato na Avenida Paulista, líderes de partidos de esquerda discursaram contra a reforma da Previdência e pediram a renúncia do ministro da Justiça, Sergio Moro, recentemente atingido por denúncias vazadas pelo site The Intercept que podem evidenciar parcialidade na condução da Operação Lava Jato.

"Qual é a moral de um presidente que se aposentou aos 33 anos tem para impor goela abaixo uma reforma da Previdência como essa?", questionou o ex-prefeito de São Paulo ex-candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad. Aos gritos de "Moro safado, Lula sequestrado" da multidão, o ex-candidato à Presidência Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que Moro "tem que sair, tem que pegar as malas e ir embora. Se quiser ir pra Miami, pode pegar as malas e levar o Paulo Guedes junto."

Em Belo Horizonte, o metrô não funcionou, sobrecarregando o sistema viário. A passeata, que percorreu o centro da capital, transcorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes. No Rio de Janeiro, milhares ocuparam as ruas do centro e estações de metrô foram fechadas devido a confrontos entre manifestantes e policiais.  

Outra disputa ocorreu nas redes sociais, evidenciando a polarização política do país. A maior parte dos internautas, segundo registros do Twitter, afirmaram que a greve foi “um fiasco”. De outro lado, organizações e simpatizantes de esquerda comemoraram o que afirmam ser o primeiro de muitos atos contra o governo e que a greve cumpriu o objetivo de mostrar que existe uma oposição concreta às medidas do governo.

 Durante um café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro foi perguntado sobre a greve. O presidente disse ver o movimento como algo natural. "(Vejo) com muita naturalidade. Quando resolvi me candidatar, sabia que ia passar por isso", disse. Sobre reforma da Previdência, alvo das paralisações, Bolsonaro voltou a defender a importância das mudanças nas regras da aposentadoria, sem as quais os empresários não terão "segurança para investir".


Agencias/Dom Total

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