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15/06/2019 | domtotal.com

Hong Kong suspende projeto de lei sobre extradições para a China

Os líderes dos protestos contra o projeto de lei informaram que vão manter a manifestação prevista para o domingo.

Protestos contra o projeto de lei foram comuns nos últimos dias.
Protestos contra o projeto de lei foram comuns nos últimos dias. Foto (PHILIP FONG / AFP)
Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, estava sob forte pressão devido ao projeto de lei de extradição.
Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, estava sob forte pressão devido ao projeto de lei de extradição. Foto (AFP)

O governo pró-Pequim de Hong Kong suspendeu, neste sábado (15), o projeto de lei sobre extradições para a China, pressionado pelas manifestações da oposição, que decidiu manter a mobilização até a retirada total do texto.

"O governo decidiu suspender o procedimento de emenda legislativa, reativar nossa comunicação com todos os setores da sociedade, trabalhar mais (...) e ouvir as diferentes visões da sociedade", disse Carrie Lam, chefe do Executivo.

A China expressou apoio à decisão. "Nós apoiamos, respeitamos e compreendemos esta decisão", afirmou um porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, em um comunicado.

Pouco depois do anúncio oficial, os líderes dos protestos informaram que vão manter a manifestação prevista para o domingo (16).

"Temos de dizer ao governo que o povo de Hong Kong persistirá e manterá seus protestos até que o Executivo retire a lei", disse Jimmy Sham, da Frente Civil de Direitos Humanos.

Em 1997, o Reino Unido transferiu a soberania desta colônia para a China, com um status político e econômico especial.

Este território, um centro financeiro internacional, registrou cenas de grande violência na quarta-feira, quando a polícia de choque dispersou com gás lacrimogêneo e balas de borracha dezenas de milhares de manifestantes.

Três dias antes, uma manifestação gigantesca de um milhão de pessoas exigiu a extinção da lei que, segundo seus críticos, deixaria as pessoas à mercê do sistema judicial da China continental, opaco e sob a influência do Partido Comunista.

A nova manifestação aumentou a pressão sob Lam, mesmo dentro de suas fileiras, onde algumas vozes lhe pediram para recuar.

Neste sábado, em coletiva de imprensa, a chefe do governo local anunciou a suspensão do projeto, afirmando que não havia data definida para reintroduzi-lo.

"O conselho vai parar de trabalhar no projeto de lei até que tenhamos completado nossas explicações e ouvido as opiniões", disse. "Não pretendemos estabelecer um prazo para este trabalho", acrescentou.

Segundo Lam, a lei de extradição é necessária para resolver vácuos legais e evitar que Hong Kong se torne um refúgio para criminosos, mas admitiu que o governo subestimou a reação da opinião pública.

"Sinto-me um profundo pesar e lamento que as deficiências do nosso trabalho e outros fatores tenham despertado controvérsias substanciais e conflitos na sociedade após o período relativamente calmo dos últimos dois anos", afirmou.

Violência inédita desde 1997

Os protestos contra esse projeto geraram nos últimos dias a pior onda de violência política desde 1997.

A oposição ao projeto reuniu influentes organizações jurídicas, advogados, empresários, câmaras de comércio, jornalistas e diplomatas estrangeiros.

O setor empresarial temia que a reforma afetasse a imagem internacional e a atratividade do centro financeiro.

Em virtude do princípio "um país, dois sistemas", a ex-colônia britânica goza de liberdades políticas e econômicas desconhecidas no resto da China.

Mas nos últimos anos, o desaparecimento de vários editores e de um milionário chinês crítico de Pequim causou preocupação em Hong Kong. Eles então reapareceram na China, onde enfrentam acusações judiciais.

De acordo com o South China Morning Post, Carrie Lam realizou na sexta-feira à noite uma reunião de emergência com seus conselheiros, enquanto as autoridades chinesas também se reuniram na cidade vizinha de Shenzhen para tentar encontrar uma saída para a crise.

"Não deveríamos tranquilizar os cidadãos? Acho que adiar um pouco (o projeto de lei) não é uma coisa ruim (...)" declarou na sexta Ann Chiang, uma parlamentar pró-Pequim.

Mas outros parlamentares fortemente ligados à China aconselharam Lam a não ceder aos manifestantes, para evitar que "Hong Kong se tornasse ingovernável".

Para Pequim, preocupado com a desaceleração de sua economia em razão das tensões comerciais com os Estados Unidos, as manifestações na antiga colônia não são bem-vindas, a poucos meses do aniversário de 70 anos da fundação da China comunista.

Esta comemoração servirá para ilustrar o poder do onipresente presidente Xi Jinping, cujo "pensamento" entrou no final de 2017 na Constituição chinesa, tornando-se um equivalente ao fundador da dinastia comunista, Mao Tsé Tung.


AFP

EMGE

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