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18/06/2019 | domtotal.com

Chile goleia o Japão num Morumbi com mais clima de jogo do que para o Brasil

Torcida fez questão de se sentir em casa no estádio são-paulino. Presentes durante todo o trajeto do centro ao Morumbi, eles tomaram as ruas e bradaram com gritos de 'campeão'.

A festa após o 4 a 0, por sinal, contrastou com a saída calada da torcida brasileira quando teve a sua oportunidade de torcer.
A festa após o 4 a 0, por sinal, contrastou com a saída calada da torcida brasileira quando teve a sua oportunidade de torcer. Foto (Carlos Parra/Comunicaciones ANFP)
A festa após o 4 a 0, por sinal, contrastou com a saída calada da torcida brasileira quando teve a sua oportunidade de torcer.
A festa após o 4 a 0, por sinal, contrastou com a saída calada da torcida brasileira quando teve a sua oportunidade de torcer. Foto (Carlos Parra/Comunicaciones ANFP)

Um duelo que envolveu uma torcida apaixonada diante de um rival que tem uma enorme colônia na cidade de São Paulo poderia descrever a estreia do Brasil contra a Bolívia na Copa América, na sexta-feira da semana passada, mas cabe muito mais para o embate entre Chile e Japão, na noite de terça, no estádio do Morumbi. Mesmo com metade do público, os chilenos tiveram no local uma força de mandante que a Seleção Brasileira não conseguiu. 

No duelo do atual bicampeão da Copa América, porém, a torcida fez questão de se sentir em casa no estádio são-paulino. Presentes durante todo o trajeto do centro ao Morumbi, eles tomaram as ruas e bradaram com gritos de "campeão" e "papai", uma espécie de apelido a um time que ganha frequentemente. "Chegou o papai", cantaram alguns na entrada para o jogo, ainda três horas antes da bola rolar.

Bem menos recheadas do que cinco dias antes, as arquibancadas chegaram a pulsar em dados momentos, principalmente no anúncio dos nomes de Vidal, Sánchez e Vargas, trio já renomado da equipe, e na finalização do hino nacional, à capela, com a parte orquestral já finalizada.

Depois disso, os chilenos receberam um cântico de apoio, ainda que modesto perto de um jogo com torcidas de times brasileiros, mas muito superior ao visto com a Seleção. Até mesmo a explosão com os gols chamou mais a atenção, comovendo diversos jornalistas chilenos presentes à tribuna de imprensa.

O Japão, por sua vez, não ficou para trás na simpatia. Perdendo por 2 a 0, viu a torcida ensaiar um "eu acredito" e outro "vamos virar, Japão" até ser goleado de vez pelos vermelhos. A festa após o 4 a 0, por sinal, contrastou com a saída calada da torcida brasileira quando teve a sua oportunidade de torcer.

4x0

Agora, pela segunda rodada, o Japão volta a jogar na próxima quinta-feira, contra o Uruguai, na Arena Grêmio, em Porto Alegre. O Chile enfrenta na sexta-feira o Equador, em jogo marcado para a Arena Fonte Nova, em Salvador.

Japão e Chile fizeram um primeiro tempo que teve fases de pura correria e alguns momentos de pelada, com chutões, trombadas e erros grosseiros. Mas também teve momentos em que as duas seleções tentavam criar jogadas, com trocas de passes como recurso para envolver a marcação adversária. Os erros, porém, eram muitos, impossibilitando a conclusão dos lances.

Os japoneses tentavam por vezes jogadas em velocidade, principalmente pelo lado esquerdo, onde Nakajima envolvia Isla com alguma facilidade. Kubo também confirmou ser bom jogador, com alguns lances de habilidade, como o que se livrou de Pulgar colocando a bola entre suas pernas.

O Chile era mais vertical, buscando jogadas longas para Sanchez e Vargas, mas ambos, na parte inicial da etapa, perderam boas chances de contra-ataque.

Os primeiros 30 minutos foram equilibrados. O Japão teve a primeira boa chance da partida aos 5 minutos, mas Kubo, jogador contratado para o Real Madrid B, cobrando por cima do gol falta sofrida por Ueda. O Chile chegou com perigo aos 13, mas Vargas chutou por cima do gol japonês. Aos 27, o atacante chileno cabeceou fraco e facilitou a defesa de Osako.

A partir dos 30 minutos, porém, o jogo mudou. O Chile passou a jogar no campo dos asiáticos, não permitindo que eles respirassem. Com isso, as chances de gol começaram aparecer. Sanchez perdeu duas delas seguidas na altura dos 34 minutos. Primeiro, chutou por cima do gol, da entrada na área. Na saída de bola, os japoneses erraram e o atacante bateu rente à trave, à direita do goleiro.

Aránguiz ainda perdeu boa oportunidade antes do gol de Pulgar, aos 40 minutos. Após cobrança de escanteio, o meio-campista subiu mais alto que Nakayama e marcou para o Chile.

Mesmo dominado, o Japão ainda teve uma chance de ouro para empatar no final da etapa, quando Shibasaki recuperou uma bola e lançou Ueda, que chegou a driblar o goleiro Arias, mas chutou para fora.

O Chile praticamente acabou com qualquer possibilidade de reação do Japão logo aos 8 minutos da etapa final. Isla recebeu de Vargas na direita, na lateral da área, e devolveu para o atacante bater de primeira. A bola desviou na zaga e enganou Osako.

Os japoneses tiveram uma chance com Ueda pouco depois, mas era o Chile quem estava confortável na partida. Mesmo assim, os chilenos levaram um grande susto aos 18 minutos, quando Kubo driblou dois defensores, entrando na área em velocidade, mas chutou torto, pelo lado de fora da rede.

O Chile diminuiu o ritmo, passou a tocar a bola e sua a animada torcida ao gritar "olé" com 20 minutos de partida. Esse desinteresse chileno deu ânimo ao Japão, que passou a lutar ainda mais para recuperar bolas e tentar surpreender em velocidade. Quase conseguiu aos 21 minutos, mas Ueda chegou atrasado após um cruzamento da esquerda.

O Japão continuou martelando enquanto o Chile procurava apenas fazer o tempo passar, mesmo tomando alguns sustos, e atacava esporadicamente. Aos 29 minutos, o goleiro Arias parou novamente Ueda, já na pequena área. Foi o último lance de Ueda, substituído a seguir por Okazaki.

Mas se o Japão se esforçava, a maior qualidade técnica e também a experiência era do Chile, que chegou a goleada em dois lances seguidos. Aos 36, Aránguiz fez belo lance na área e cruzou para Alexis Sánchez marcar de cabeça; aos 37, numa trama em velocidade, Vargas foi lançado em profundidade e só precisou dar um leve toque na saída do desesperado Osako para fazer 4 a 0.

A partir daí, foi só esperar o final do jogo. O Chile até poderia ter ampliado, mas a festa da estreia já estava garantida.

FICHA TÉCNICA

JAPÃO 0 x 4 CHILE

JAPÃO
- Osako; Tomiyasu, Ueda e Nakayama; Shibasaki, Hara, Sugioka e Kubo; Maeda (Miyoshi), Ueda (Okazaki) e Nakajima (Hiroki). Técnico: Hajime Moriyasu.

CHILE - Gabriel Arias; Isla, Gary Medel, Maripán e Beausejour; Erick Pulgar, Aránguiz e Vidal (Hernández); Fuenzalida (Opazo), Alexis Sánchez (Junior Fernandes) e Eduardo Vargas. Técnico: Reinaldo Rueda.

GOLS - Pulgar, aos 40 minutos do primeiro tempo. Vargas, aos 8, Sánchez, aos 36, e Vargas, aos 37 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - Mario Díaz de Vivar (Fifa/Paraguai).

CARTÕES AMARELOS - Hara, Nakayama (Japão) e Opazo (Chile).

RENDA - R$ 4.705.020,00.

PÚBLICO - 23.253 pagantes.

LOCAL - Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP).


Gazeta Esportiva e Agência Estado

EMGE

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