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21/06/2019 | domtotal.com

A síndrome do rinoceronte cinza

Situações graves, de sérias proporções, tal qual o impacto causado pela entrada de um rinoceronte cinza gigantesco em nossa sala, massacrando-nos com suas patas.

A metáfora utilizada por ela, brilhantemente, expressa também o tamanho da resistência, do comodismo, da arrogância e da soberba.
A metáfora utilizada por ela, brilhantemente, expressa também o tamanho da resistência, do comodismo, da arrogância e da soberba. (Pixabay)

Por Eleonora Santa Rosa*

Adoro o TED, aliás eu e meio mundo. Nem sempre são palestras do meu interesse, mas sempre interessantes por certo.

Em trânsito de viagem semanal, aproveitei para assistir a algumas já reservadas há muito.

Uma delas, certeira, intitulada ‘Por que ignoramos problemas óbvios – e como agir sobre eles’, apresentada por uma mulher interessantíssima e inteligentíssima, Michele Wucker, estrategista americana de política, muito enfronhada com assuntos da economia, merecedora dos superlativos de designação.

O cerne de sua abordagem é a substituição do conceito da síndrome do Cisne Negro – crises decorrentes daquilo que é imprevisível, impensável, improvável, pela síndrome do Rinoceronte Cinza, muito mais comum do que se imagina, que advém do que não se quer ver, do que não se quer entender, do que não se quer entender, do que não se quer enfrentar, do que não se quer perceber, enfim, da negligência frente a  colapsos, debacles e por aí vai.

Situações graves, de sérias proporções, tal qual o impacto causado pela entrada de um rinoceronte cinza gigantesco em nossa sala, massacrando-nos com suas patas. Ou seja, a postura do refutar recorrente, da minimização de catástrofe iminente, da cultura da vulnerabilidade, do acomodamento, da negligência frente a óbvios riscos, cujas consequências são, ao contrário do cisne negro, totalmente previsíveis, prováveis e imagináveis.

A metáfora utilizada por ela, brilhantemente, expressa também o tamanho da resistência, do comodismo, da arrogância e da soberba mesclado à deficiência (ou recusa) daquilo que está diante de nós.

Discorre, Michele, com sensibilidade, rara agudeza e perspectiva inusual, sobre o que está diante de nós, o que está na nossa cara e não queremos ou teimamos em não ver.

Exemplos riquíssimos e diversos poderiam ser aqui arrolados. Pululam à nossa frente, seja no campo pessoal, político, econômico, social, muitas crises e tragédias  poderiam ter sido evitadas por outra forma de percepção e condução.

Parece óbvio, mas não é. No mais, o melhor mesmo é assistir à palestra de Wucker, acontecida em fevereiro deste ano, disponível aos interessados no site do TED.

*Jornalista

EMGE

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