Saúde

24/06/2019 | domtotal.com

Entenda a diferença entre alergia e intolerância alimentar

Apesar das diferenças, nada substitui uma avaliação clínica adequada com um médico.

Você consegue distinguir alergia de intolerância?
Você consegue distinguir alergia de intolerância? (Pixabay)

Por Patrícia Almada
Repórter DomTotal

Coceira, irritação, inchaço, indigestão, náusea e azia. Quem tem aversão a determinados tipos de alimentos pode apresentar alguns desses sintomas clássicos que se manifestam pelo corpo. Porém, entre os casos mais comuns há dúvidas frequentes. Afinal, trata-se de alergia ou intolerância alimentar? Como diferenciá-los? Existe algum tratamento específico para ambos?

O Dom Total conversou com o médico alergista, pós-graduado em alergia e imunologia clínica, Bruno Emanuel Carvalho Oliveira, sobre as diferentes manifestações clínicas que ocorrem no corpo.

“De acordo com os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, as reações adversas a alimentos podem ser classificadas em imunológicas ou não-imunológicas. A alergia alimentar é definida como uma doença consequente a uma resposta imunológica anômala, que ocorre após a ingestão ou contato com determinados tipos de alimentos”, conceitua.

O médico define a intolerância alimentar como sendo uma reação não imunológica que depende principalmente da substância ingerida. Por exemplo, toxinas bacterianas presentes em alimentos contaminados ou propriedades farmacológicas de determinadas substâncias presentes em alimentos, como a cafeína no café, tiramina em queijos maturados. “As reações adversas não imunológicas podem ser desencadeadas também pela fermentação e efeito osmótico de carboidratos ingeridos e não absorvidos. O exemplo clássico é a intolerância por má absorção de lactose”, explica.

Intolerância a lactose é muito comum entre as pessoas

Bruno conta também que existem alguns tipos de alergias e intolerâncias alimentares mais comuns entre os brasileiros, principalmente na infância. Entre os alimentos que causam alergia destacam-se o leite de vaca, ovo, trigo e soja, que em geral são transitórias. “Menos de 10% dos casos persistem até a vida adulta. Entre os adultos, os alimentos mais identificados são amendoim, castanhas, peixe e frutos do mar. Já entre as intolerâncias alimentares, as provocadas pela lactose é a mais comum na minha prática clínica”, afirma.

Fatores de risco

Vários fatores de risco têm sido associados à alergia alimentar, tais como predisposição genética, recém-nascido lactante do sexo masculino, etnia asiática e africana, comorbidades (duas ou mais doenças) alérgicas, como dermatite atópica (doença genética, crônica e que apresenta pele seca, erupções que coçam e crostas), desmame precoce, insuficiência de vitamina D, redução do consumo dietético de ácidos graxos poli-insaturados do tipo ômega 3, redução de consumo de antioxidantes, uso de antiácidos que dificulta a digestão dos alérgenos, obesidade como doença inflamatória, entre outros.

Redução do consumo de Ômega 3, proveniente de peixes, por exemplo, representa fator de risco

Porém, Bruno acrescenta que, apesar dos fatores “ainda não está claro quais são importantes para a elevação da prevalência de alergia alimentar". O alergista cita a predisposição genética e aquisição de alguma doença que cause lesão no intestino delgado, como diarreia causada por gastroenterite viral, giardíase e doenças inflamatórias intestinais.

Teste para identificação e tratamento

Bruno enumera alguns testes que podem ser importantes na identificação das alergias e intolerâncias. “Para as alergias alimentares podemos citar alguns como a dosagem de IgE (anticorpo) sérica específica no sangue, testes de puntura (furo ou picada feita com punção ou outro objeto perfurante) e teste de provocação oral (oferta o alimento alergênico ao paciente, com supervisão médica e monitorização). Para as intolerâncias, e pensando na intolerância à lactose, temos o teste respiratório para pesquisar eliminação de hidrogênio em amostras de ar expirado, teste de tolerância à lactose e teste genético”, esclarece.

Teste de provocação oral é um procedimento considerado ouro na verificação de alergias

Para Bruno, apesar de existirem testes disponíveis para a identificação de alergia e intolerância, nada substitui uma avaliação clínica adequada com um médico, pois em vários casos a realização de testes pode ser dispensada. “O tratamento irá depender muito do tipo de alergia ou intolerância. O mais importante é procurar um especialista para ter todas as orientações adequadas”, finaliza.


Redação Dom Total

EMGE

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