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24/06/2019 | domtotal.com

EUA impõem mais sanções contra o Irã

Medidas contra o aiatolá Ali Khamenei foram justificadas na suposta busca da República Islâmica em desenvolver armas nucleares, o que contraria agência da ONU e a postura religiosa do líder supremo.

Presidente Donald Trump mostra assinatura em ordem executiva que impõe novas sanções ao Irã
Presidente Donald Trump mostra assinatura em ordem executiva que impõe novas sanções ao Irã (Carlos Barria/Reuters)

O presidente americano Donald Trump ordenou nesta segunda-feira (24) sanções financeiras "incisivas" contra o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, acusando de ser o “responsável em última instância” pelas atividades desestabilizadoras da República Islâmica. "Continuaremos a aumentar a pressão sobre Teerã", disse Trump ao assinar o texto de sanções no Salão Oval. “As sanções contidas neste decreto impedirão que o líder supremo, sua equipe e outras pessoas próximas a ele tenham acesso a recursos financeiros essenciais”, disse Trump.

Além disso, os EUA também imporão sanções contra o chanceler iraniano, Mohamed Javad Zarif, enquanto congelarão "bilhões de dólares" em mais ativos do país, anunciou o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin. Durante a manhã, Trump afirmou que as exigências de seu país ao Irã eram "muito simples": Teerã deve dizer "não às armas nucleares e não ao apoio ao terrorismo".

Paralelamente, a agência Associated Press e o Yahoo News informaram nesta-segunda-feira que, na mesma quinta, o comando cibernético do Exército dos EUA lançou um ataque digital contra o sistema informático militar iraniano. De acordo com o site de notícias, o ataque cibernético já vinha sendo planejado há semanas.

Trump voltou a criticar o acordo nuclear feito com o Irã em 2015, deixado pelos EUA, classificando-o como "um desastre". "Não estava cumprindo o que deveria", disse. "O Irã é capaz de fazer armas nucleares e isso é inaceitável", afirmou. Com a imposição de novas sanções dos EUA, o Irã ameaçou retomar seu programa nuclear e disse que a guerra poderia se espalhar pelo Golfo Pérsico. "Nenhum país conseguirá controlar o alcance e duração de um conflito na região", afirmou o general Gholamali Rashid, do alto comando iraniano. "Os EUA devem agir de forma responsável para proteger suas tropas.”

Desde maio de 2018, quando o governo Trump abandonou o acordo nuclear com o Irã, o país persa tem sido alvo de sanções. O acordo, firmado entre países europeus, Rússia, China e EUA, previa o alívio das sanções em troca de um maior controle sobre o programa nuclear iraniano, mantendo níveis do estoque de urânio fora do país e abrindo suas instalações nucleares para inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

No entanto, o presidente republicano não apresentou provas de que o Irã desenvolva um programa de armas atômicas e as inspeções da AIEA têm sido regulares e o primeiro relatório após a saída dos EUA do acordo diz que o Irã tem mantido o acordo nos termos assinados em 2015 e defendeu o pacto, mantido pelos demais signatários. Em maio deste ano, o Irã afirmou que deixaria de cumprir parte do acordo como consequência das sanções e aumentou, segundo a AIEA, a produção de urânio de baixo enriquecimento. O governo iraniano reitera sempre que não busca desenvolver armas nucleares e o próprio aiatolá Khamenei emitiu uma fatwa (decreto religioso) afirmando que armas nucleares são contrários ao islã.

Diante da perspectiva de mais restrições econômicas, o governo iraniano tentou repassar parte da pressão para a União Europeia. Teerã estabeleceu o prazo de 8 de julho para que a UE encontre uma saída para driblar as sanções americanas. O chefe do Conselho Estratégico do Irã, Kamal Kharazi, prometeu "novas medidas" caso o prazo não seja cumprido. O vice-chanceler do Irã, Abbas Araqchi, disse que, se os europeus não encontrarem uma saída, o país retomará o programa nuclear.

"Nossa decisão de reduzir o comprometimento com o acordo nuclear é irreversível enquanto nossas demandas não forem atendidas." Apesar de os dirigentes europeus se comprometerem que garantiriam recursos econômicos ao Irã, grandes empresas, como a francesa Total, paralisaram suas atividades econômicas no Irã diante do temor das sanções americanas.


Redação Dom Total com agências

EMGE

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