Cultura

28/06/2019 | domtotal.com

Carlos Malta e Pife Muderno completam 25 anos de inventividade

Grupo comemora 25 anos de trajetória com show gratuito em que apresenta a tradição secular das bandas de pífanos e sua fusão contemporânea.

Grupo comemora 25 anos de trajetória com show gratuito em que apresenta a tradição secular das bandas de pífanos e sua fusão contemporânea.
Grupo comemora 25 anos de trajetória com show gratuito em que apresenta a tradição secular das bandas de pífanos e sua fusão contemporânea.

Por Larissa Troian
Repórter Dom Total

O pífano tem história curiosa. Tradições medievais europeias e indígenas das Américas se encontraram e, no Nordeste brasileiro, nasceu um gênero musical particular. O som desta flauta – pífano, pífaro ou pife – se alastrou, fez vento e poeira. Nessa nuvem, há tradição e invento.

Quem sabe disso é Carlos Malta e sua banda Pife Muderno. Esse grupo de músicos se dedica a manter e renovar uma sonoridade que mistura a Europa medieval com rituais ameríndios. São cinco brilhantes instrumentistas brasileiros que celebram seus 25 anos de atividade com show gratuito em Belo Horizonte, neste sábado (29), a partir das 19h, na Praça Floriano Peixoto.

Carlos Malta tem 40 anos de estrada e o Pife Muderno apresenta músicos não menos experiente: Andrea Ernest Dias, primeira flautista da Orquestra Sinfônica da UFF, o baterista Oscar Bolão, o percussionista Bernardo Aguiar e o zabumbeiro Rodolfo Cardoso.

Malta e o Pife são pioneiros em resgatar a tradição nordestina e misturá-la com elementos contemporâneos – jazz, rock, MPB e toda a diversidade que compõe as estantes e almas de seus integrantes ao pífano. Idealizado por Carlos Malta em meados de 1994, o grupo atinge diferentes públicos e “reforma” a música brasileira a cada trabalho.

Carlos conta que o Pife Muderno surgiu com a ideia de shows com uma instrumentação inédita: “Em 1994 fui convidado pelo Centro Cultural da Light, no Rio, de Janeiro, para realizar uma semana de shows, com uma instrumentação nunca apresentada antes. Logo pensei em formar uma banda de pífanos. Busquei reunir grandes músicos que são queridos amigos e que se admiram e se respeitam mutuamente. O Pife Muderno é uma ‘escola’ muito apreciada pelos músicos, que se sentem valorizados pela concepção percussiva e potente”.

Para a flautista Andrea Ernest, o Pife Muderno é um dos grupos mais originais surgidos nos anos 1990. Ela conta que “apesar de terem formações musicais diferentes, uns na academia e outros nas rodas de samba e palcos da música popular e instrumental, todos os integrantes se destacam pela alta qualidade e expertise em seus instrumentos”.

Inspirado pela música Pipoca moderna, da Banda de Pifanos de Caruaru, o multi-instrumentista Carlos Malta montou sua própria banda, criando arranjos em que os vários timbres de flautas de diferentes origens se somam ao naipe de percussão com zabumba, pandeiro, caixa e pratos. Essa soma confecciona a “voz” única e original do grupo.

A apresentação traz a carga de uma data importante. São 25 anos, afinal. O primeiro CD, gravado em 1999 e intitulado Carlos e o Pife Muderno, rendeu-lhes indicação ao Grammy Latino. O segundo, Paru, saiu só em 2005. Andrea lembra um pouco da história do grupo, destacando as passagens por palcos na Europa, Estados Unidos e Ásia. Foi marcante a apresentação em Pequim, no Concert Hall da Cidade Proibida, a convite do embaixador brasileiro Clodoaldo Hugueney. A apresentação resultou no terceiro disco do grupo: Ao vivo na China, lançado na comemoração de 20 anos do grupo. Para Carlos, esse foi um “momento inesquecível, assim como os shows no Carnegie Hall e em Essaouira, no Marrocos”.

A história do Pife Muderno é reconhecida. O músico mineiro Daniel Magalhães atribui ao grupo o protagonismo na difusão do pífano no Brasil. Pesquisador da tradição do gênero em Minas Gerais e fundador da banda Cataventoré, Magalhães destaca a atuação de Carlos Malta e do Pife Muderno na criação do que hoje é denominado neo-pífaros, desdobramento da tradição nordestina que incorpora e dialoga com diversos estilos.

Para Andrea, nesses 25 anos, o grupo notou o crescimento do interesse pelas fontes da cultura popular. “Atualmente existem muitos grupos de pífanos, em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro”, fato que Daniel concorda, afirmando que o pífano não apenas tem ganhado terreno, mas tem sido incorporado por outros gêneros.

Andrea ressalta que “é ótimo constatar que o caminho do Pife Muderno inspira outros músicos e grupos, que, inclusive, tocam músicas do repertório do grupo, como o agora clássico Tupizinho”. A flautista ressalta a importância do registro na linguagem de cinema, que se materializou no longa-metragem Xingu, Cariri, Caruaru, carioca. Concebido por Carlos Malta e dirigido por Beth Formaginni, o premiado documentário investiga as origens do pife no Brasil.

Empolgado, Malta conta que o grupo tem projetos riquíssimos: “O multiplataforma está chegando aí. Pife de prata vai celebrar os nossos 25 anos e é a pauta da hora: shows, novo disco, documentário e livro estão na ordem do dia”.

O cantor, compositor e escritor mineiro, Makely Ka, reconhece a influência de Carlos Malta e o Pife Muderno em sua obra. Ele relata que suas obras têm uma força enorme do Carlos Malta e o Pife Muderno: “Fui muito influenciado pelo primeiro disco deles. Isso é claro tanto no meu álbum Autófago quanto no Cavalo motor, principalmente nesse último. A mixagem do som dos pífanos com a percussão que ele fez é uma forma inédita de lidar com esses elementos, pois pífano sempre esteve muito associado à tradição popular. A gravação que ele imprime nesse primeiro disco é de uma execução muito perfeita”.

Neste sábado, Carlos Malta e Pife Muderno apresentam o show Pifando no mundo, atração principal do projeto BH Instrumental. A noite conta ainda com o percussionista Túlio Araújo, referência nos estudos sobre pandeiro, mostrando seu Projeto Dobradura; e a premiada gafieira do Senta a Pua, capitaneada pelo compositor, violonista e arranjador Rodrigo Torino.

Colaborou Pablo Pires Fernandes. 

PIFANDO NO MUNDO
Carlos Malta e Pife Muderno – 25 anos. Show neste sábado, 29 de junho, a partir das 19h, na Praça Floriano Peixoto, Santa Efigênia, BH. Com apresentação de Túlio Araújo e Senta a Pua Gafieira.


Redação Dom Total



Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!



Outras Notícias

Não há outras notícias com as tags relacionadas.