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02/07/2019 | domtotal.com

'O mundo está de pernas para o ar'

Com o Brexit, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (EU), ninguém mais sabia como ficaria a situação desses britânicos que moram na Europa.

Com o Brexit, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (EU), ninguém mais sabia como ficaria a situação desses britânicos que moram na Europa.
Com o Brexit, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (EU), ninguém mais sabia como ficaria a situação desses britânicos que moram na Europa. (Reprodução Instagram @RLOppenheimer)

Por Lev Chaim*

Martha, uma amiga brasileira que mora em Portugal, mandou-me um e-mail para pedir a receita de uma massa, um penne, com molho de limão, manjericão e tomates, que ela havia comido em minha casa. Na verdade, pode ser qualquer tipo de pasta. Mas voltando ao e-mail, ela falou muito em comida, molhos e, num determinado parágrafo, ela escreveu:

“Oi Lev, estou lhe escrevendo isto para ter uma conversa com um amigo. Estou só, muito só e, às vezes, fica difícil.”

Na mesma hora peguei o celular e liguei. Ela atendeu surpresa e disse as seguintes palavras: “Que bom que você ligou! No caos do mundo atual, os amigos são os portos seguros”.  E aí ela foi me contando as coisas. Disse que estava cansada de ler os jornais, ver televisão e da mídia social – só tem notícias péssimas. E acrescentou ainda que achava que tudo havia mudado para pior e estava um caos.

O namorado de Martha, vejam vocês, é um britânico que também mora em Portugal. Com o Brexit, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (EU), ninguém mais sabia como ficaria a situação desses britânicos que moram na Europa. Com certeza, disse ela, novos documentos deveriam ser pedidos para eles ali permanecerem, mas ninguém sabia o que fazer.

Eu lhe disse, então, que havia lido que as autoridades portuguesas, mais de uma vez, já se manifestaram sobre o assunto: com ou sem Brexit, a situação dos britânicos em Portugal não mudaria. E a história prova o fato: Portugal sem foi um aliado incondicional do Reino Unido. Lembrem-se vocês que, quando a família real portuguesa se mudou para o Brasil, fugindo de Napoleão, eles foram escoltados na saída pelas fragatas inglesas. 

Mas não era só isto que preocupava Martha naquele momento. Estava cansada de ler notícias sobre a corrupção no Brasil, sobre a dificuldade da Lava Jato de limpar tudo e acabar de vez com a impunidade. Com tanto notícias ruins, Martha disse que estava se isolando de tudo e de todos para não ouvir mais nada. E esse isolamento a estava deixando só, muito só.  

Eu a ouvia, ouvia e, cada vez mais, fui ficando calado, sem fazer qualquer tipo de interferência! Num determinado momento, percebendo o meu silêncio, Martha perguntou: “Lev, você ainda está na linha?” Aliviada ao perceber que sim, ela perguntou: “Por que o silêncio?”. Eu disse que também estava passando por algo semelhante, mas, não querendo aborrecê-la ainda mais, disse que, no final, as coisas se ajeitariam.

“Falar com um amigo sobre nossas angústias, alivia, sem dúvida, o nosso coração” – disse Martha. Aí foi a minha vez de replicar: “Então, sinta-se extremante feliz, pois mais de 90% da população brasileira está preocupada com a situação do país". Foi então que ela também me fez sorrir, ao se despedir com um provérbio holandês: “Quem queimar as nádegas, vai ter que se sentar sobre as bolhas, não é Lev? Em outras palavras, quem faz o errado tem que pagar um preço.  

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Dom Total.

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