Economia

03/07/2019 | domtotal.com

Após ser chamado de traidor, Bolsonaro diz a policiais que 'vai resolver o caso'

O atual presidente foi eleito com uma pauta fortemente ligada à segurança pública e sofre pressão das categorias.

O atual presidente foi eleito com uma pauta fortemente ligada à segurança pública e sofre pressão das categorias.
O atual presidente foi eleito com uma pauta fortemente ligada à segurança pública e sofre pressão das categorias. (ELIANE NEVES/ESTADÃO CONTEÚDO)

Após ter sido chamado de traidor por policiais civis e federais, em razão de um impasse envolvendo a aposentadoria da categoria na discussão da reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro indicou nesta quarta-feira, 3, na chegada a evento em São Paulo, que pretende atuar para solucionar a questão. 

Enquanto se dirigia ao local do evento, o presidente apontou para um grupo de policiais militares a trabalho e disse: "vou resolver o caso de vocês, viu?" Não por acaso, o coordenador da bancada do PSL na Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado Alexandre Frota (SP), deve apresentar um destaque ao relatório da proposta, enquanto o presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), admitiu que é possível que o relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), faça novos ajustes no seu texto, apresentado na terça-feira. 

Bancada de policiais ameaça não votar

Parte da bancada de policiais do PSL na Câmara dos Deputados ameaça não votar a reforma da Previdência caso as demandas da classe não sejam atendidas. Os parlamentares ligados ao setor de segurança pública querem regras mais brandas de aposentadoria para a categoria do que as previstas atualmente na proposta.

Eleito com uma pauta fortemente ligada à segurança pública, Bolsonaro foi chamado na terça-feira, 2, de traidor por profissionais da categoria, em protesto na Câmara dos Deputados.

Frota deve apresentar destaque

O deputado Alexandre Frota (SP) contou que estuda apresentar um destaque ao relatório da proposta para abrandar as regras de aposentadoria para as carreiras de policiais federais e policiais rodoviários federais, atendendo à forte pressão das categorias.

A iniciativa de Frota vai na contramão do acordo que está sendo costurado entre os partidos para que nenhum deles apresente destaques com o objetivo de não atrasar a votação do parecer no colegiado. Frota também está fazendo um movimento contrário ao posicionamento de seu próprio partido, que terça-feira emitiu nota declarando que não apresentaria esses pedidos de mudança.

Para driblar essa orientação do PSL, Frota irá apresentar um destaque em seu nome, individual, e não de bancada, que seria um pedido endossado pela legenda. A diferença é que os nominais podem ser rejeitados em bloco, sem que sejam analisados um por um. A tendência, inclusive, é de que todos esses pedidos individuais sejam derrubados de uma vez, em um só bloco.

Caso Frota concretize a intenção, ele deverá deixar para a última hora a formalização do destaque. Ele quer recuperar uma emenda que requer a redução da idade mínima das policiais mulheres de 55 anos para 52 anos e mudanças nas regras de pensão por morte, entre outros pontos.

Novos ajustes

Já o presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou que é possível que o relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), faça novos ajustes no seu texto que foi apresentado na terça-feira. "Há uma demanda para que se retire referências a Estados e municípios do texto. Há possibilidade de novos ajustes", disse ele ao chegar para reunião com coordenadores de bancadas.

Na terça-feira, algumas lideranças do Centrão pediam nos bastidores um novo voto complementar de Moreira, já que ele teria deixado "pontas soltas" e não acatado algumas mudanças acordadas. Ramos, no entanto, negou que esses ajustes sejam um novo voto complementar.

A próxima sessão da comissão está marcada para logo mais às 13h. Às 15h, há sessão do Congresso, o que pode fazer com que o colegiado tenha de suspender os seus trabalhos. Questionado se será possível fazer os trabalhos da reforma avançarem ainda nesta quarta, ele afirmou que a responsabilidade dele é "colocar para votar, já conseguir os votos é com os líderes".

"Vamos enfrentar os requerimentos de adiamento, vamos ver se tem nova complementação de voto e vamos ver se tem acordo para votar o texto e deixar os destaques para depois", disse Ramos.


Agência Estado/DomTotal.com

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