Religião

05/07/2019 | domtotal.com

A santidade de irmã Dulce inspire a nossa

Ao reconhecer as virtudes de alguém, atestando sua santidade, estamos lembrando que a Boa Nova do Evangelho pode e deve continuar sendo uma mensagem plena de sentido.

Irmã Dulce, conhecida como o anjo bom da Bahia, será canonizada no dia 13 de outubro.
Irmã Dulce, conhecida como o anjo bom da Bahia, será canonizada no dia 13 de outubro. (Divulgação Obras Sociais Irmã Dulce (Osip).)

Por Carlos César Barbosa*

Esta semana o papa Francisco anunciou que a beata irmã Dulce será canonizada no dia 13 de outubro, durante o Sínodo da Amazônia, juntamente com outros quatro beatos. A causa da canonização do “anjo bom da Bahia” foi iniciada no ano 2000. Em 2011 ela já era proclamada beata, passando a ser reconhecida como bem-aventurada Dulce dos pobres.

Nascida em Salvador, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, adotou o nome religioso de Dulce em homenagem a sua mãe. Ela morreu aos 77 anos, em 1992. Durante mais de 50 anos, a religiosa se dedicou totalmente à caridade, fazendo do amor e do serviço o seu lema.  

Conheci a história de irmã Dulce nos tempos de noviciado. Dentre as muitas experiências marcantes que nós jesuítas fazemos durante esta etapa de formação, uma delas consiste em passar um mês num hospital, desenvolvendo atividades pastorais e colaborando em tudo quanto for possível. Fiz esta minha experiência no Hospital Santo Antônio, em Salvador, ou simplesmente Hospital Irmã Dulce, como também é conhecido. 

Em 1949, sem ter para onde ir com alguns doentes que recolhera das ruas soteropolitanas, a jovem irmã Dulce pediu autorização à sua superiora para utilizar o espaço do galinheiro como um abrigo improvisado. Mal podia imaginar que dali nasceria o maior hospital da Bahia e um dos maiores complexos de saúde do país. Atualmente, o hospital realiza atendimentos ambulatoriais a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) nas mais diversas áreas. O hospital é tido como o coração das Obras Sociais Irmã Dulce, entidade filantrópica que oferece atendimento gratuito nas áreas de saúde, educação e assistência social.

De fato, nunca mais fui o mesmo depois que passei por ali. Desde então, criei uma devoção especial por Irmã Dulce e uma admiração imensa pelo seu trabalho e seu legado. Ao conhecer a sua história, provocou-me a sua fé e confiança em Deus e sua especial devoção a santo Antônio. Admiráveis são a sua capacidade de diálogo e o seu olhar penetrante. Dulce não teve medo de viver com intensidade a ousadia cristã. Por isso, olhar para o exemplo dela e reconhecer os seus sinais de santidade é no mínimo uma chamada de atenção a todos nós. No fundo, ao reconhecer as virtudes de alguém, atestando sua santidade, estamos lembrando que a Boa Nova do Evangelho pode e deve continuar sendo uma mensagem plena de sentido à nossa vida e a vida dos outros.

Por muito tempo, os cristãos deturparam a vida dos santos e o real sentido da santidade. Estamos acostumados a encará-la como algo extraordinário e abstrato, sempre longe de nós. Ela não é um perfeccionismo neurótico nem um cumprimento virtuoso de ações para ganhar honras ao mérito. Não é a cora da glória para poucos, mas possibilidade para todos. Ser santo é ser, acima de tudo, humano. A matéria prima da santidade é justamente a nossa humanidade em sua pobreza, fragilidade, dúvidas, buscas e potencialidades. É com isso que Deus trabalha.

Nesse sentido, tocamos a santidade quando nos dispomos a fazer do amor a si e ao próximo uma escolha radical, possível e definitiva. Assim fez Irmã Dulce. Assim podemos fazer.  Como lembra o poeta e bispo português José Tolentino Mendonça, a santidade é a normalidade do bem. Portanto, que Irmã Dulce, reconhecida e comprovada como alguém que fez do bem, do amor e do serviço a normalidade de sua vida, possa nos animar a querer tornar real e normal, nesse nosso tempo, a prática do bem, do amor e do serviço. Mais do que nunca, precisamos. Que a santidade de Irmã Dulce inspire a nossa.

*Carlos César Barbosa é bacharel em Relações Internacionais pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Estudou na Universidad de La República (Uruguai). Atualmente estuda Filosofia na Faculdade Jesuíta, em Belo Horizonte. (FAJE)

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