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20/07/2019 | domtotal.com

Em 1969, dois americanos concretizaram o imaginário lunar

'Um imaginário envolvendo a lua muito poderoso atravessou os séculos, até que o sonho se tornou realidade', resume o astrofísico Jean-Pierre Luminet.

(A partir da esquerda) A equipe da Apolo 11, em março de 1969: Neil A. Armstrong, Michael Collins e Edwin E. Aldrin
(A partir da esquerda) A equipe da Apolo 11, em março de 1969: Neil A. Armstrong, Michael Collins e Edwin E. Aldrin (NASA/AFP/Arquivos)

Ao pousarem na Lua em 1969, os americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram com seus próprios pés no astro que alimentou as fantasias da humanidade por anos.

"Um imaginário envolvendo a lua muito poderoso atravessou os séculos, até que o sonho se tornou realidade", resume o astrofísico Jean-Pierre Luminet.

Seja na literatura, na poesia ou no cinema, o satélite da Terra foi objeto por mais de 15 séculos, desde a antiguidade até a década de 1940, de expedições imaginárias, cada vez mais fantasmagóricas.

À Lua se viajou em uma onda durante uma tempestade em "História Verdadeira" de Luciano de Samósata no século II; com a ajuda do orvalho em "Viagem à Lua" de Cyrano de Bergerac, em 1657; ou mesmo em um barco voador em "As Aventuras do Barão de Münchhausen", em 1785.

E nela estavam os demônios de "Somnium", do astrônomo alemão Johannes Kepler (1634); cogumelos gigantes, como no filme poético de Méliès "Viagem à Lua", de 1901; e selenitas (o nome dos supostos habitantes do satélite terrestre) que viviam na Lua de H. G. Wells em "Os primeiros homens na Lua".

Mas tudo tem seu fim: a realidade finalmente alcançou a ficção científica, que se revelou racional e premonitória em obras como "Da Terra à Lua", de Jules Verne (1865), onde se menciona a propulsão, ou no filme "A Mulher na Lua", de Fritz Lang (1929), e a história em quadrinhos "Rumo à Lua: as aventuras de Tintim", de Hergé (1950), em que apareceram os foguetes.

"Desde os anos 1930-1940, os avanços na indústria aeroespacial começaram a se concretizar. A viagem à lua passou a ser algo verossímil e o imaginário lunar ganha contornos claros", explica Natacha Vas Deyres, professora de Letras da Universidade de Bordeaux-Montaigne.

E mais ainda, depois de "percebemos que a Lua era um astro completamente morto, que não havia muito o que fazer, exceto, é claro, avanços científicos", diz Jean-Pierre Andrevon, escritor de ficção científica.

É neste momento que Marte assume a dianteira, com obras como "As Crônicas Marcianas", do americano Ray Bradbury (anos 1940), "Life on Mars?", o sucesso de David Bowie escrito no final dos anos 1960, a trilogia sobre Marte de Kim Stanley Robinson dos anos 1990 ou ainda "Perdido em Marte" de Ridley Scott, em 2015.

1969, entrada na cultura pop

"À medida que exploramos, expandimos os lugares onde situamos coisas extraordinárias", explica o astrofísico Roland Lehoucq, presidente do festival internacional de ficção científica Les Utopiales.

Em 20 de julho de 1969, o grande passo para a humanidade terminou com o imaginário lunar?

De maneira nenhuma: "Depois de 1969, a Lua se tornou um objeto da cultura pop, dos mangás, das séries de televisão...", comenta Natacha Vas-Deyres, que cita a série "Espaço: 1999" (1975-1977), "uma verdadeira série que marcou o imaginário da ficção científica".

"E a aventura continua" com Grendizer (de 1975 a 1977), "o mais poderoso dos robôs" e o primeiro mangá animado. A Lua se torna um campo militar extraterrestre que deve ser destruído.

E mesmo se viajar para a Lua já não faz sonhar a tantos, o satélite não deixou de ser um solo fértil para alguns autores.

"Nós passamos a fantasiar com uma Lua cheia de homens vivendo sob cúpulas, em bases pressurizadas, etc. O que todo mundo tem em suas cabeças é a parte lunar de '2001: Uma Odisseia no Espaço' (1968), de Stanley Kubrick", lembra Jean-Pierre Andrevon.

Outros fantasiam com o lado oculto, como Pink Floyd e seu "The Dark Side Of The Moon" (1973), o álbum mais vendido do grupo.

A Lua também oferece a possibilidade de imaginar o futuro da Terra. O astro explode por causa dos experiências militares de Georges-Jean Arnaud nos quadrinhos "La Compagnie des glaces) (1980-2005) e nos convida a refletir sobre a clonagem e inteligência artificial no filme "Moon" DE Duncan Jones ( 2009) e sobre o colonialismo em "Revolta na Lua" (Robert A. Heinlein, 1966).

"Na ficção científica, independente do que façamos ou onde vamos, mesmo nas galáxias mais distantes, sempre colocamos problemas terrestres: a diferença, a luta pelo poder, a guerra, a colonização...", aponta Jean-Pierre Andrevon.

Algumas questões estão se somando como a mudança climática e o fim da civilização "desde que nos tornamos seriamente conscientes do que nos espera", acrescenta o escritor.


AFP

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