Religião

12/07/2019 | domtotal.com

O que fazer com esta tal liberdade?

O autoritarismo está cada vez mais atuante e, se não mantivermos o olhar crítico, seremos rendidos por ele.

Só uma pessoa livre é capaz de se realizar como pessoa e é justamente por isso que devemos, constante e permanentemente, buscar garantias de que todos e todas vivam o mais livres quanto for possível.
Só uma pessoa livre é capaz de se realizar como pessoa e é justamente por isso que devemos, constante e permanentemente, buscar garantias de que todos e todas vivam o mais livres quanto for possível. (Bruce Mars/ Unsplash)

Por Felipe Magalhães Francisco*

Com a devida licença poética, aproprio-me – de forma livre – do verso de uma famosa canção do grupo Raça Negra, para intitular o Dom Especial desta semana. Se os leitores e leitoras me permitem o bom humor, digo que o repertório do supracitado grupo é uma das únicas unanimidades entre os brasileiros, num momento de tantas polarizações, como este nosso. Mas, voltemos à seriedade da questão: falar a respeito do tema liberdade não é fácil. A multiplicidade de compreensões a respeito do conceito não nos garante uma unanimidade linguística, o que, também é positivo, dada a riqueza que toda pluralidade contém, apesar de nos trazer algumas problematizações de pensamento.

Nosso intento, com os artigos que compõem esta matéria, não é o de definir o conceito, mas o de buscar refletir a importância da liberdade para que a humanidade se torne humana. Essa questão acompanha a história do pensamento humano, mas é com a modernidade que ela ganha contornos cada vez mais importantes para a compreensão antropológica. De partida, negamos, aqui, aquela concepção de que a liberdade seja fazer tudo o que se quer, sem mais. Não! A liberdade é sempre responsiva e dialógica, o que, necessariamente, pressupõe responsabilidade.

Só uma pessoa livre é capaz de se realizar como pessoa e é justamente por isso que devemos, constante e permanentemente, buscar garantias de que todos e todas vivam o mais livres quanto for possível. Isso não significa que os condicionamentos todos que nos cercam hão de desaparecer ou ser negados. Ao contrário, significa que, apesar deles, precisamos buscar responder sobre nós mesmos, na consciência do que podemos ser e do que nos condiciona. E, diante disso, é possível, sim, romper inclusive com alguns desses condicionamentos que são produtos da apropriação indevida, por parte de alguns, dos direitos humanos em relação a uma grande maioria.

No atual cenário brasileiro, mas não só, também o global, temos visto o cerceamento dissimulado cada vez mais crescente de liberdades, que impedem que as pessoas ao menos tomem consciência da vida digna que são chamadas a viver. O autoritarismo está cada vez mais atuante e, se não mantivermos o olhar crítico, seremos rendidos por ele. Esse autoritarismo, importa dizer, nem sempre está explícito: é sorrateiro. Não devemos nos permitir ser tomados por ele, tampouco colaborar para que a liberdade de outras pessoas, sobretudo as empobrecidas – aqui, pensando para além da dimensão econômica – seja impedida de se realizar. É por isso que precisamos pensar sobre estas coisas e fazer deste assunto, pauta de nossas conversas. A esse papel, nós, agora, não nos furtamos!

Daniel Couto propõe, no artigo Liberdade e realização humana, uma sistematização de nosso tema, buscando responder à questão: liberdade para quem? Aqui, a pergunta inicial que dá título a este editorial, ganha relevo, na discussão.

Daniel Reis, no segundo artigo de nosso Dom Especial, O pecado e o crime da língua, reflete a respeito da liberdade de expressão como princípio basilar da democracia, bem como os riscos de uma má compreensão do que ela significa.

Conclui a reflexão Aldo Reis, com o artigo Liberdade e garantia da fé: uma análise social, no qual aborda a questão da liberdade religiosa, tão em perigo em nosso contexto atual, quando religiões minoritárias se veem ameaçadas por ideologias autoritárias e más compreensões religiosas.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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