Brasil Cidades

12/07/2019 | domtotal.com

Joãozinho, até!

'Colocou o Brasil no mapa musical mundial, com um banquinho e um violão (...), que ensinou como se toca e canta em toada universal todo o tipo de canção.'

"Nada há de apagar a luz de seu caminho, de seu jeitinho, de seu doce vício diminutivo, de seu afeto dengoso, de seu gosto por conversas a fio, de seu legado genial." (Wilton Júnior/Estadão Conteúdo)

Por Eleonora Santa Rosa*

Inescapável falar de João, de sua presença, de sua obra, de seu jeito, de seus trejeitos, de sua genialidade, influência assumida por uma infinidade de artistas das mais diversas áreas da criação.

Joãozinho dos diminutivos carinhosos, afetivo ao seu modo, difícil à sua maneira, dono de manias e idiossincrasias, mas quem não as tem?

Mítica figura que colocou o Brasil no mapa musical mundial, com um banquinho e um violão e muito mais no menos de sua concisão fundamental, que ensinou como se toca e canta em toada universal todo o tipo de canção. Batida única, precisão sem igual, dedicação sem fim, afinada no refinado exercício cotidiano do decantamento, do sumo do sumo, do diamante sonoro cristalino lapidado por sua artesania de miglior fabbro.

Pensar que o Brasil produziu arte de primeira, de inovação, transformação, de invenção com extraordinários legados em férteis territórios sem direito à reposição ou clonagem. Tristes dias vivemos, em todos os sentidos.

Joãozinho caricato, Joãozinho magnânimo, Joãozinho magnífico, Joãozinho rigoroso, Joãozinho charmoso, Joãozinho sedutor-nato, Joãozinho encantador de serpentes várias, Joãozinho de mil histórias, de fabulações de mil e uma noites e de incontáveis memórias.

Triste vê-lo envelhecido, esquecido de seu ofício, em conflituado ambiente de contenda familiar de difícil solução e de intrincado desdobramento. Melancólico rosto distante da pugna filial, de outros aproveitadores, de circunstanciais amadas e transadas, agora engalfinhadas em busca do seu quinhão, afoitas para o bote no dote final do que ainda não foi espoliado por aproveitadores e outros abutres mais. Ah, Joãozinho, em final de sina, enquadrado no quarto, com aspecto anoréxico rumo a reconhecido trajeto.

Pouco importa, nada há de apagar a luz de seu caminho, de seu jeitinho, de seu doce vício diminutivo, de seu afeto dengoso, de seu gosto por conversas a fio, de seu legado genial para todo sempre.

Viva João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira!

*Eleonora Santa Rosa é jornalista, ex-secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, atualmente é diretora do Museu de Arte do Rio (MAR).

TAGS


EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
Saiba mais!



Outros Artigos

Não há outras notícias com as tags relacionadas.

Comentários