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20/07/2019 | domtotal.com

A máquina que ajudou o Homem a chegar à Lua

Veja como o computador da Apollo, chamado Apollo Guidance Computer (AGC), moldou o mundo de hoje.

Interface utilizada pelos astronautas da missão Apollo para comandar computador de bordo.
Interface utilizada pelos astronautas da missão Apollo para comandar computador de bordo. (Smithsonian National Air and Space Museum/AFP)

Todo o mundo já perdeu um trabalho por causa de um problema inesperado no computador. Um bug obviamente não era aceitável para as missões Apollo, as primeiras em que a navegação e a vida dos astronautas foram confiadas a um computador.

Apesar dos sinais de alerta que fizeram palpitar o coração de Neil Armstrong durante a descida na Lua, o computador da missão Apollo não teve falhas e lançou as bases para a navegação aérea e para sistemas de exploração modernos.

Veja como o computador da Apollo, chamado Apollo Guidance Computer (AGC), moldou o mundo de hoje, apesar de ser milhões de vezes menos poderoso do que um smartphone de 2019.

A revolução dos microchips

Circuitos integrados, ou microchips, eram essenciais para a miniaturização necessária para que os computadores fossem fisicamente incorporados às cápsulas espaciais, em vez dos volumosos computadores de tubo que os antecederam.

A Nasa não inventou o microchip. Essa honra vai para Jack Kilby (Texas Instruments) e Robert Noyce, cofundador da Fairchild Semiconductor e da Intel.

Mas a Nasa e o Exército americano - que precisava de chips para guiar seus mísseis balísticos visando à URSS - aceleraram seu desenvolvimento, o que gerou uma enorme demanda.

"Eles exigiam um nível de confiabilidade absolutamente inimaginável", diz à AFP Frank O'Brien, historiador de voos espaciais e autor de um livro de referência sobre o computador da Apollo.

No início dos anos 1960, a Nasa e o Pentágono compraram um milhão de chips, segundo o historiador, levando os fabricantes a produzirem chips com uma vida útil muito maior do que as poucas horas dos primeiros protótipos.

Multitarefas

Computadores modernos e smartphones sabem como lidar com inúmeras tarefas simultâneas: mensagens, mapas GPS, aplicativos, etc.

Já os primeiros computadores "não tinham muito o que fazer. Eles estavam lá para fazer cálculos e substituir humanos que teriam usado calculadoras mecânicas para isso", afirmou Seamus Tuohy, diretor de sistemas espaciais da Draper, uma empresa que surgiu do laboratório de instrumentação do MIT, onde a máquina Apollo foi projetada.

Tudo isso começou a mudar com o computador Apollo. Era do tamanho de uma pasta e devia lidar com uma infinidade de tarefas vitais: navegação, gerenciamento de oxigênio, temperatura, ou dispositivos de filtragem de dióxido de carbono, para que os astronautas pudessem respirar um ar saudável.

Ao contrário dos primeiros computadores, onde o operador humano dava à máquina uma série de cálculos para fazer e aguardava o resultado (às vezes por dias), o computador Apollo não tinha o luxo do tempo, uma vez que a nave voava para a Lua. Ele também precisava ser capaz de receber comandos do piloto em tempo real.

A Nasa também queria um computador autônomo, porque a agência temia que os soviéticos interferissem nas comunicações entre a tripulação e o centro de controle no solo.

Tudo isso exigia uma "arquitetura" informática, projetada principalmente pelo engenheiro Hal Laning.

Tempo real

Os engenheiros da Nasa também queriam dar o próximo passo, em comparação com as placas dos computadores primitivos.

Eles inventaram três elementos-chave: os switches encontrados até hoje nos cockpits dos aviões; um joystick comandando pela primeira vez o sistema eletronicamente; e um tipo de teclado chamado DSKY ("display and keyborard"), revolucionário para a época.

Nesse teclado, os astronautas podiam digitar códigos de dois dígitos para formar comandos do tipo "verbo + nome": por exemplo, "ligar os propulsores", ou "se fixar em tal estrela".

Frank O'Brien compara isso ao que um turista que mal fala inglês diria nos Estados Unidos: "comer pizza".

Teste bem-sucedido

Quando o módulo lunar com Neil Armstrong e Buzz Aldrin descia na Lua, o alarme do computador Apollo soou repetidamente, dando a impressão de que estava parando de funcionar.

Se esse fosse o caso, o módulo não teria mais capacidade de avaliar sua altitude, velocidade e trajetória. Um acidente teria sido provável.

Em Houston, porém, os engenheiros da Nasa perceberam rapidamente que o computador estava apenas saturado de informações. Todos os sistemas funcionavam bem.

Graças, então, a uma programação inteligente, o computador reduziu automaticamente sua carga e suspendeu certas tarefas, para priorizar as funções essenciais para aplanar.

"O comportamento de saturação do computador foi um grande avanço", disse Paul Ceruzzi, especialista em Eletrônica Aeroespacial do Smithsonian Institute.

O historiador Frank O'Brien aponta que o verdadeiro calibre do computador Apollo excedia sua capacidade de memória, ridícula se comparada aos padrões atuais: 38 kilobytes.

"Com essa habilidade muito fraca, eles conseguiram realizar coisas incríveis que parecem normais hoje", completou.


AFP

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