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13/07/2019 | domtotal.com

Rock, quase 70

O rock não morreu e seu passado, de tão avassalador, construído com memórias afetivas tão marcantes, é definitivo.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band é um dos discos mais icônicos da  história da música.
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band é um dos discos mais icônicos da história da música. (Reprodução)

Hoje, 13 de julho, é o Dia Mundial do Rock. Apesar de ter sua certidão de batismo ainda perdida, com local e datas supostos, o rock, esse senhor de aproximadamente 65 anos, é um antiórfão de muitos pais reclamando a cria por testes de DNA. Sua morte foi decretada algumas vezes, sempre depois de ter sido visto cabisbaixo e, sobretudo, a partir dos anos 2000, quando pareceu perder-se definitivamente em uma depressão existencial. Mas eram meras crises de identidade. A chegada internética e confusa dos 50, a perda de fãs dos 60 e o saudosismo melancólico que o faz seguir em direção aos 70. Importante é que o rock não morreu e que seu passado, de tão avassalador, construído com memórias afetivas tão marcantes, é definitivo mesmo quando ele diz estar olhando para o futuro.

"Meu filho vai se chamar Rock", teria dito o pai, seja ele quem for, ao escrivão. Uma boa forma de homenagear Chick Webb e Ella Fitzgerald, que em 1937 (muito antes de existir guitarras e baixos elétricos) gravaram Rock in For Me. "Então, você não vai satisfazer a minha alma com o rock and roll", dizia a letra.

Ike Turner, que morreu reclamando a paternidade da criança por ter gravado Rocket 88 em 3 de março de 1951, o que seria a primeira gravação no formato banda e no ritmo do gênero, apontava para Elvis Presley com os olhos vermelhos. Ike dizia que Elvis havia se apoderado do menino, filho de pais negros, ainda na maternidade para vesti-lo com boas roupas e apresentá-lo ao mundo como seu. Um pouco de exagero, evidentemente. Elvis jamais disse ser o pai, apenas ser o rei.

Um existencialista precoce, o rock só tinha cerca de 10 anos de idade (a contar de 1951) quando começou a falar com uma eloquência preocupante. Foi assustador ver o garoto sempre tão entregue às festas mundanas de Roll Over Beethoven e Tutti Frutti aparecer sisudo dizendo coisas como "saindo do oeste selvagem / deixando as cidades que mais amo / pensei já ter visto de tudo / até entrar em Nova York / pessoas se espalhando pelo chão / edifícios indo até o céu". Tio Bob Dylan o ensinava, a partir daí, a vestir a roupa que quisesse e a andar com quem desejasse desde que jamais se acostumasse com a podridão do mundo a seu redor.

10 DOS MELHORES DISCOS INTERNACIONAIS

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Beatles)

Foi lançado em junho de 1967 para se tornar o mais influente da história.


Jimi Hendrix Experienced (Jimi Hendrix)

Disco de estreia demole tudo o que havia antes para a construção de nova ordem

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (David Bowie)

Rock com sci-fi no melhor disco de Bowie

The Dark Side of the Moon (Pink Floyd)

Obra-prima reflete sobre loucura de Syd Barret, mentor que havia saído da banda.


Highway to Hell (AC/DC)

Último álbum com o vocalista Bon Scott antes de sua morte está na lista dos discos definitivos do Rock and Roll Hall of Fame

Led Zeppelin (Led Zeppelin)

Jimmy Page e Robert Plant furtariam muito material dos bluesmen, mas não dá para negar a sua genialidade

Pet Sounds (Beach Boys)

O 11º disco do Beach Boys iria mudar tudo e se tornar uma nova referência, inspirada em Rubber Soul, dos Beatles

Exile on Main Street (Rolling Stones)

Os Stones gravaram um de seus melhores discos em Paris, em 1972, para fugir dos impostos britânicos

London Calling (The Clash)

Manobra perigosa que deu certo, esse álbum diferente da estética da banda tem influência de ska, funk, soul e reggae

The Velvet Underground and Nico (The Velvet Underground and Nico)

Álbum transformador e experimental, com participação da cantora Nico

10 DOS MELHORES DISCOS NACIONAIS

Cabeça Dinossauro (Titãs)

De 1986, o clássico álbum projetou a banda, com músicas que são hits até hoje, como Bichos Escrotos e Polícia. 


Barão Vermelho (Barão Vermelho)

O disco de estreia, de 82, já mostrava o DNA potente do grupo liderado por Cazuza, uma aposta certeira de Ezequiel Neves

O Dia Em Que a Terra Parou (Raul Seixas)

Feito em parceria com Cláudio Roberto, traz sucessos como Maluco Beleza

A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (Os Mutantes)

O rock psicodélico do grupo ganhou novos caminhos nesse que é seu melhor álbum

Secos & Molhados (Secos & Molhados)

Lançado em 73, trouxe som pesado, estilo lendário e sucessos como O Vira 

Da Lama ao Caos (Chico Science & Nação Zumbi)

Lançamento arrebatador de 1994, que inauguraria a cena manguebeat

Raimundos (Raimundos)

Ficou conhecido nesse álbum de estreia, lançado em 1994, com som pesado e letras irreverentes (e o polêmico Selim).

Selvagem? (Os Paralamas do Sucesso)

Disco clássico da banda, reuniu canções como Alagados e Melô do Marinheiro.

Em Ritmo de Aventura (Roberto Carlos)

Sob inspiração de Beatles, lançou em 67 o álbum que serviu de trilha para seu filme.

Dois (Legião Urbana)

É um dos mais importantes discos da história, de onde saíram clássicos definitivos, como Tempo Perdido e Eduardo e Mônica.


Agência Estado

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