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17/07/2019 | domtotal.com

Sem expansão há 17 anos, metrô de BH terá valor da passagem entre os mais caros do país

Considerando o km rodado, transporte ofertado na capital mineira terá o preço mais salgado do país em 2020.

Serviço ruim e caro. Assim pode ser definido metrô de Belo Horizonte
Serviço ruim e caro. Assim pode ser definido metrô de Belo Horizonte (SindMetroMG/ Divulgação)

Rômulo Ávila
Repórter Dom Total

Com a passagem mais cara entre os metrôs coordenados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o metrô de Belo Horizonte caminha para ser um dos mais caros do Brasil. Proporcionalmente à extensão, o transporte sobre trilhos da capital terá, em março de 2020, o km rodado mais elevado entre todos serviços semelhantes prestados no país, superando inclusive o metrô de São Paulo.  

A passagem do metrô de BH custa atualmente R$ 2,90 e chegará a R$ 4,25 em março do ano que vem, quando termina o reajuste escalonado de 136% anunciado pelo governo no começo do ano, quando o bilhete custava R$ 1,80. Enquanto a CTBU aumenta sua arrecadação, o metrô de BH continua parado no tempo. Com apenas uma linha de 28,1 km de extensão e 19 estações, a última expansão ocorreu há 17 anos. Em São Paulo, por exemplo, são 96 km de extensão e 82 estações, interligando com sistema de trens.

“O metrô de Belo Horizonte é uma enganação. O valor que a gente paga hoje pela tarifa não condiz com o serviço oferecido. Os trens mais novos (com ar condicionado) são pouquíssimos e os mais antigos estão sem manutenção, com cadeiras descascadas e janelas ensebadas”, diz a passageira Aline Evelyn.

Trens lotados, vagões sem ar condicionado, escadas rolantes sem funcionar, estações semi-abandonadas e escuras são problemas relatados com frequência por passageiros que precisam do metrô de BH.  

“As estruturas que servem para proteger os passageiros do sol e da chuva nas estações não vão até o fim das plataformas, sem contar que, em época de chuva, muitas estações ficam cheias de goteiras, o que acaba colocando a vida dos usuários em risco. O pior é saber que haverá mais aumento das passagens e nada será feito de melhoria para os usuários”, lamenta Aline.

É raro encontrar um passageiro que elogie o sistema. Em pesquisa feita no perfil Dom Total no Facebook, 86% dos internautas classificaram o serviço com razoável ou péssimo. 

A reportagem do Dom Total procurou a CBTU para saber quais os critérios para estabelecer o valor das passagens. Apesar de ter a menor extensão, o bilhete do metrô de Belo Horizonte é o mais caro quando comparado com os preços cobrados em João Pessoa (30 km de extensão), Natal (56,2 km de extensão), Maceió (32 km de extensão) e Recife (71 km extensão), cidades com o serviço gerenciado pela CBTU.

Em João Pessoa, Natal e Maceió o passageiro paga R$ 1,00 e pagará R$ 2 em 2020. Já o usuário do Recife desembolsa R$ 2,60 e, ao fim do reajuste escalonado, vai pagar R$ 4.

“Não é a extensão dos malha que define o preço das passagens. A manutenção da via está entre um dos custos operacionais de fato, mas o gasto com a manutenção do sistema como um todo é maior, por exemplo, com a frota e as estações. A Superintendência de Belo Horizonte transporta cerca de 200 mil passageiros por dia, e por isso, possui uma grande demanda de usuários, sendo necessário um maior custo de manutenção. É importante ressaltar que em Belo Horizonte há 13 anos não possui reajuste tarifário”, diz a nota da CBT.  

Reajuste já pesa

Os dois reajustes na tarifa do metrô de BH já pesam no bolso do cidadão. Projeção simples feita pela reportagem mostra que o usuário terá que desembolsar R$ 116 para ida e volta durante 20 dias por mês. Isso significa R$ 44 a mais no bolso do trabalhador em relação ao começo do ano, quando o bilhete custava R$ 1,80.

Com R$ 44 um trabalhador poderia comprar, por exemplo, um quilo de acém, um pacote de arroz tipo 1 de cinco quilos, dois pacotes de feijão carioquinha e dois litros de óleo de soja.

Valores nos principais metrôs do país:

Belo Horizonte - (28,1 km de extensão, 19 estações) - Preço atual R$ 2,90 (vai subir para R$ 4,25 em 2020) - 15 centavos por km rodado

São Paulo - (96 KM de extensão em seis linhas, 82 estações ): Preço R$ 4,30 – 4 centavos por km rodado

Rio de Janeiro - ( 56,5 km de extensão, 41 estações‎)  Preço R$ 4,60 – 8 centavos por km rodado

Salvador - (33 km de extensão: 19 estações) -  Preço R$ 3,70 (vai subir para R$ 4,00) – 12 centavos por km

Porto Alegre - (43 km de extensão, 22 estações)  - Preço R$ 4,20 – 9 centavos por km

Distrito Federal - (42,38 km de extensão, com 24 estações ) Preço R$ 5,00 - 11 centavos  por km rodado

João Pessoa - ( 30 km de extensão, 9 estações ) - Preço atual R$ 1,00 (vai subir para R$ 2 em 2020) - 6 centavos por km rodado

Natal - (56,2 km de extensão , 23 estações -  Preço atual R$ 1,00 (vai subir para R$ 2 em 2020) - 4 centavos por km rodado

Maceió - (32 km de extensão, 15 estações) - Preço atual R$ 1,00 (vai subir para R$ 2 em 2020) – 6 centavos por km rodado

Recife - (71 km extensão, 37 estações)  - Preço atual R$ 2,60 (vai para R$ 4,00 em 2020) – 6 centavos por km quadrado


Redação Dom Total

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