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17/07/2019 | domtotal.com

Von der Leyen será primeira mulher a presidir a Comissão Europeia

Ela chega ao cargo com um resultado muito apertado, apenas nove votos além do mínimo necessário de 374 e abaixo do número do atual titular da Comissão, que obteve 422 votos.

Von der Leyen pediu aos deputados para trabalhar
Von der Leyen pediu aos deputados para trabalhar "de forma construtiva" por uma Europa "unida e forte". (AFP)

A conservadora alemã Ursula von der Leyen tornou-se nessa terça-feira (16) a primeira mulher eleita para presidir a Comissão Europeia, depois que uma Eurocâmara dividida confirmou, com o mínimo de votos, a decisão dos mandatários de colocá-la à frente do bloco até 2024.

"Sinto-me muito honrada pela confiança depositada em mim, que é a confiança depositada na Europa", disse Von der Leyen depois da votação, pedindo aos deputados para trabalhar "de forma construtiva" por uma Europa "unida e forte".

Apesar de contar com o apoio das principais famílias pró-europeias - seu Partido Popular Europeu (182 eurodeputados), os social-democratas (154) e os liberais (108) -, que somam um total de 444, conseguiu "apenas" 383 votos a favor e 327 contra.

"Foi nomeada fora da bolha de Bruxelas, o que explica seu resultado modesto", disse à AFP Jean-Dominique Giuliani, da Fundação Schuman, ressaltando uma "rebelião de socialistas por razões políticas e dos Verdes por razões ideológicas".

Von der Leyen chega ao cargo com um resultado muito apertado, com apenas nove votos além do mínimo necessário de 374 e abaixo do número do atual titular da Comissão, Jean-Claude Juncker (PPE), que obteve 422 votos em 2014.

Antes da votação secreta em Estrasburgo (nordeste da França), deputados eurocéticos como os italianos do Movimento 5 Estrelas (antissistema, 14) tinham confirmado seu voto na alemã.

"Seu mandato será muito frágil, semelhante a uma UE sem fôlego", comemorou o eurodeputado francês Nicolas Bay, cujo grupo de ultradireita Identidade e Democracia (73) havia anunciado seu voto contra.

Os ecologistas (74) também votaram contra, assim como a esquerda radical (41). O Partido Lei e Justiça polonês (PiS, eurocético) comemorou que o apoio de seus eurodeputados a Von der Leyen tenha sido chave.

A presidente eleita tentou relativizar o resultado. "Em democracia, a maioria é a maioria", disse durante coletiva de imprensa, assegurando que há duas semanas, quando foi nomeada pelos mandatários, nem mesmo a tinha.

Embora se tenha especulado então sobre a possibilidade de adiar sua investidura, como aconteceu em 2009 com o segundo mandato de José Manuel Barroso, isto "os teria obrigado a fazer mais concessões", segundo uma fonte europeia.

"Green Deal"

A candidatura de Von der Leyen, que deixará na quarta-feira o ministério da Defesa alemão, do qual ainda é titular, faz parte de fato de um pacote de altos cargos negociado pelos mandatários em três dias de cúpula em Bruxelas.

A chanceler alemã, Angela Merkel (PPE), elogiou a eleição de uma europeia "convicta e convincente", cumprimentos também reiterados por outros líderes como o socialista espanhol Pedro Sánchez e o português António Costa.

"Parabéns @vonderleyen! Hoje a Europa tem o seu rosto. O rosto do engajamento, da ambição e do progresso. Nós podemos sentir orgulho da Europa. Estaremos ao seu lado para fazê-la avançar", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron, em uma postagem no Twitter.

Além da escolha de Von der Leyen para presidir a Comissão Europeia, o acordo feito entre social-democratas, o PPE e os liberais, reservava ainda a presidência do Conselho Europeu ao liberal belga Charles Michel e a da Eurocâmara a um socialista, e acabou ficando com o italiano David Sassoli.

Este pacto atribui a direção da diplomacia comunitária ao social-democrata espanhol Josep Borrell e a presidência do Banco Central Europeu (BCE) à francesa Christine Lagarde.

A sucessora do luxemburguês Juncker à frente da instituição encarregada de propor novas leis, zelar pelo cumprimento de regras e inclusive negociar acordos comerciais, assumirá o cargo em 1º de novembro.

O início de seus cinco anos de mandato será marcado pela eventual saída do Reino Unido da UE e pelas tensões comerciais mundiais e as tensas relações com os Estados Unidos de Donald Trump.

Perante os deputados, ela se comprometeu nesta terça-feira a propor em seus primeiros cem dias de mandato um "Green Deal", com uma redução mais rápida das emissões de carbono, destinada a fixar a neutralidade climática para 2050.

A alemã também priorizou em seu discurso a política social - um salário mínimo, seguro desemprego e garantias para a infância vulnerável - com a que buscou o apoio de forças progressistas.

Agora, após duas semanas de frenética campanha, deverá completar sua equipe "paritária" de comissários, com a que se comprometeu e com a qual a Eurocâmara terá que dar também seu aval em uma votação prevista para outubro.


AFP

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