Brasil

18/07/2019 | domtotal.com

Derrapadas presidenciais

O nosso presidente está demorando demais a entender o que é governar, o que é administrar uma nação.

O nosso presidente está demorando demais a entender o que é governar, o que é administrar uma nação.
O nosso presidente está demorando demais a entender o que é governar, o que é administrar uma nação. (Evaristo Sá/AFP)

Por Afonso Barroso*

Assim como eu, milhões de eleitores votaram com fé e esperança no capitão-candidato Jair Bolsonaro porque ele representava a única opção eleitoralmente viável para acabar com o domínio do esquerdismo corrupto no País.

Acontece que o nosso presidente está demorando demais a entender o que é governar, o que é administrar uma nação. Por falta de traquejo e certamente por força da formação militar, parece não gostar de pedir ou ouvir conselhos, e sim de dar ordens. Tem a seu lado um vice capaz, o general Hamilton Mourão, homem ponderado, culto e sensato, a quem deveria recorrer antes de cometer os desatinos verbais ou administrativos que têm arranhado sua popularidade desde que assumiu a Presidência.

O primeiro pecado foi anunciar a intenção de transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Com essa declaração inoportuna e meio descabida, demonstrou uma falta de tato e de diplomacia sem tamanho. Não agradou a ninguém e desagradou a muitos, especialmente ao mundo árabe, parceiro comercial nada desprezível do Brasil.

Outra declaração infeliz foi quando disse que o Holocausto pode ser perdoado, embora não esquecido. A intenção era a melhor possível, admite-se, até porque o perdão foi ensinado pelo próprio Jesus Cristo como padrão e parâmetro para a boa convivência entre os seres humanos. Mas é preciso lembrar que palavras doces costumam ter gosto amargo quando inadequadamente empregadas. É o caso de perdoar, que não cabe no contexto histórico e terrível do genocídio patrocinado pelo nazismo. Não tem perdão tamanha barbaridade. Ainda antes da segunda guerra mundial o tresloucado Hitler já tinha como objetivo paranoico o extermínio de judeus. Dizia ele que se chegasse ao poder mandaria enforcar todos os israelitas existentes na Alemanha e deixar os corpos se decompondo no cadafalso “até o limite tolerável do mau cheiro”. Uma vez elevado a fuhrer, ele comandou o mais assombroso e múltiplo crime já cometido na história da humanidade, exterminando milhões de judeus, além de negros e homossexuais. Não cabe perdão para a carnificina promovida por esse homem movido pelo ódio e pela maldade.

Outro desatino foi a medida provisória das armas. O povo até que apoia a posse de arma de fogo em casa, como meio de defesa contra ladrões e malfeitores. Mas o porte de arma, não. Ninguém em sã consciência quer nem deve andar armado pelas ruas, o que pode resultar em aumento do número de mortes evitáveis e desnecessárias.

Vem ele agora e anuncia a indicação do filho Eduardo para embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Trata-se do cargo mais importante da diplomacia brasileira, que exige algo mais do que ter feito intercâmbio e fritado hambúrguer no Maine.

Alguém poderá alegar, em defesa do presidente, que não é preciso ser diplomata para ocupar a chefia de uma embaixada. Verdade. Roberto Campos, Itamar Franco e Assis Chateaubriand, entre outros, foram embaixadores sem nunca terem sido diplomatas. Lula nomeou até um jornalista sindical, Tilden Santiago, para embaixador em Cuba, onde tinha como missão, ao que parece, cronometrar os discursos do Fidel Castro. Tilden e os demais tinham algo em comum: nenhum deles era filho do presidente.

A reação geral à ideia bolsonariana poderá levar o Senado a não aprovar a indicação, que é uma nova variação do nepotismo, o filhotismo. E se o deputado levar bomba na sabatina, será uma vergonha para o pai, ainda carente da noção de poder e bom senso.

Essas e outras atitudes do nosso presidente, homem sempre bem-intencionado e mal assessorado, têm causado gradativa queda de aprovação popular, mesmo entre muitos dos seus eleitores. Torço para que ele se aconselhe, estude mais, se aplique mais e pense mais, para não ser reprovado na sabatina a que está sendo submetido pelo povo que o elegeu com tanta esperança de dar certo.

A esperança pode ser a última a morrer, mas a confiança morre cedo. 

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

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