Religião

18/07/2019 | domtotal.com

Como contemplar Deus

São Bento foi e continua sendo uma bênção e um patrimônio para todos os cristãos.

Bento tinha a convicção de que a Palavra de Deus deveria ser vivida em profundidade na comunidade. Daí surgiu a ordem monástica beneditina.
Bento tinha a convicção de que a Palavra de Deus deveria ser vivida em profundidade na comunidade. Daí surgiu a ordem monástica beneditina. (Mateus Campos Felipe/ Unsplash)

Por Geovane Saraiva*

A civilização cristã abriu um caminho novo na Europa com São Bento de Núrsia (480-547), seja pela escola a animar os servidores do Senhor, na meditação da Palavra de Deus e no louvor litúrgico, seja no serviço da caridade compassiva e solidária e no amor recíproco de seus seguidores, sem esquecer do enaltecimento do mundo da cultura, da promoção humana e da hospitalidade para com os pobres carentes de toda natureza. Bento quer dizer "bênção": bendizer, abençoar. Toda bênção vem de Deus, Senhor da vida, da história e da criação, e dele depende a pessoa humana, os animais, a natureza e toda realidade que existe no Universo (cf. Gn 1, 22ss). A bênção é considerada como uma manifestação da força divina, que passa de pai para filho, pela palavra transmitida e até mesmo pelo gesto das mãos. Olhemos para Jesus, ao chamar para si as crianças e abençoá-las (cf. Mc 6, 41).

É por aí que devemos olhar para São Bento, extraordinária figura humana, que nasce na região da Úmbria, na Itália. Foi estudar na cidade eterna, sendo, a partir daí, instrumento de Deus, marcando e influenciando em profundidade os destinos da humanidade, ao optar por Jesus de Nazaré como sua herança e taça, consciente de que coube a si, por sorte, uma boa parte; sim, o mais belo e o que há de mais maravilhoso: a eternidade (cf. Lc 10, 42). Bento foi para a gruta de Subiaco, e lá procurou viver o Evangelho em comunidade, reunindo um grupo de fiéis seguidores, fazendo uma rica experiência do amor de Deus. Em seguida, foi para o Monte Cassino e, inspirado e motivado, se voltou à contemplação e ao tempo de solidão naquele lugar apropriado e sagrado, que, até então, não existia na Europa, ao contrário do Oriente: instituições com uma força mística dessa natureza.

São Bento deixou, para trás, casa, bens e família, experimentando e fazendo a vontade de Deus, buscando um estilo de vida e santidade, pela oração e pelo trabalho, e escolheu como lema: “Ora et labora”. Tornou-se um cristão por excelência, na compreensão da Palavra de Deus, convicto de que esta tinha que ser vivida em profundidade na comunidade. O Monte Cassino foi para Bento um local sagrado; lá construiu o histórico mosteiro e escreveu a sua regra de vida, difundida em muitos países da Europa, valendo o título de Patriarca do Monaquismo Ocidental.

São Bento foi e continua sendo uma bênção e um patrimônio para todos nós cristãos. Que sejamos inspirados por ele na nossa realidade atual de vida cristã, com desafios e exigências, equilibradamente, conscientes de que somos chamados, através do trabalho e da contemplação da Palavra de Deus, a encontrar o mesmo Jesus de Nazaré como nosso Mestre e Senhor. Numa palavra: colocar em nossa mente e coração o lema de Bento de Núrsia: “Ora et labora”.

*Geovane Saraiva é padre, jornalista, colunista e pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza geovanesaraiva@gmail.com.

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