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23/07/2019 | domtotal.com

Não à discriminação racial

Os fascistas e populistas sabem instigar a turba rumo à discriminação racial, por total falta de argumentos.

Donald Trump ultrapassou qualquer limite de civilidade e humanismo.
Donald Trump ultrapassou qualquer limite de civilidade e humanismo. (REUTERS/Joshua Roberts)

Por Lev Chaim*

Desta vez, o presidente norte-americano, Donald Trump ultrapassou qualquer limite de civilidade e humanismo, ao sugerir que quatro deputadas de seu país voltassem para os seus países de origem, caso não estivessem satisfeitas com os EUA. Na verdade, elas são quatro deputadas norte-americanas, de origem estrangeira, sim, mas como quase todos os norte-americanos o são. Elas são norte-americanas e foram eleitas para o Congresso do País pelo partido Democrata.

As quatro vítimas de Trump são: a deputada pelo Estado de Nova Yorque, Alexandria Ocasio-Cortez; a deputada pelo Estado de Michigan, Raghida Tlaib; a deputada pelo Estado de Minnesota: Ilhan Omar, e a deputada pelo Estado de Massachusetts, Ayanna Pressley. Vale perguntar: o que elas fizeram que a líder democrata do Congresso, Nancy Pelosi, já não tenha feito? Elas criticaram a instabilidade do governo de Donald Trump e com sucesso, tanto é que elas foram eleitas deputadas.  

Trata-se de algo inédito e inaceitável. Muitos editoriais dos jornais europeus e norte-americanos criticaram essa atitude de Trump, de se dirigir às mulheres norte-americanas, que têm a aparência de estrangeiras, pela sua origem, como se elas não tivessem o direito de estar onde estão, ou seja, no Congresso Norte-americano. O jornal holandês Trouw, em sua edição de quinta-feira da semana passada, dia 18 de julho, afirmou que isso é um absurdo.

Esse mesmo jornal lembrou que, na Holanda, tivemos alguns casos parecidos que foram levados à justiça e o deputado que cometeu a discriminação racial foi condenado. Trata-se de deputado Geert Wilders que, em um discurso de sua campanha, perguntou gritando, a quem o ouvia, se seus eleitores queriam mais ou menos marroquinos no país. Exaltados e cegos por Wilders, eles gritaram ‘menos’, ‘menos’ e Wilders então afirmou que o seu partido, um partido populista de direita, iria fazer com que aquele desejo ocorresse. Ele só se esqueceu de dizer que os marroquinos que aqui estão são, na verdade, holandeses. Nasceram aqui, cresceram aqui, ou vieram jovens e já têm a nacionalidade holandesa, e só podem ser condenados caso infringirem a lei do país, tal qual qualquer cidadão holandês. Só por terem origem estrangeira não quer dizer que eles cometeram algum crime. Isso é puro racismo.  

Vale também lembrar que a presidente do parlamento holandês, do Partido Trabalhista, foi escolhida pela maioria dos deputados de diversos partidos e é uma parlamentar de origem marroquina. Ela se chama Khadija Arib e chegou aos 15 anos à Holanda, quando veio se reunir com os pais, que vieram aqui trabalhar. Posso dizer, sem medo de errar, que o parlamento está muito bem conduzido pela mão de ferro desta jovem senhora, que não fica nada a dever aos seus antecessores no cargo. Todos os deputados, independente de partido e ideologia, estão satisfeitos com o modo com que ela conduz a presidência do Parlamento. Se esse parlamento fosse o dos Estados Unidos, geraria um grande desconforto no “racista” presidente Trump, que não admite críticas, seja de quem for.

De qualquer forma, o inaceitável comportamento racista de Trump para com essas deputadas foi descrito como “um dos momentos mais racistas da história moderna da política norte-americana” e “uma das coisas mais arrepiantes e horripilantes” já vistas na política daquele país, quando a multidão, em uma manifestação pró-Trump, instigada pelo próprio presidente norte-americano, começou a cantar “Mande-a de volta! Mande-a de volta!” quando ele repetiu mentiras atacando Ilhan Omar, uma congressista americana negra e cidadã americana, que está nos Estados Unidos há quase 30 anos, depois de ter chegado como criança refugiada.

Como vocês muito bem podem notar, os fascistas e populistas sabem instigar a turba rumo à discriminação racial, por total falta de argumentos, o que é muito perigoso para o futuro do país. E Trump, em âmbito internacional, também aceita provocações perigosas, como a recente briga com o regime iraniano, que só faz crescer, enquanto seus aliados tentam o diálogo diplomático. Até parece que nada se aprendeu com a história negra da humanidade, quando Hitler matou judeus apenas por serem judeus. E o mais estranho de tudo é que nem um membro do partido republicano de Trump fez qualquer tipo de crítica sobre esse comportamento racista do presidente, que infringe também a constituição do país, composto principalmente de imigrantes. Shame on you Mr. Trump and Shame on the Republicans. (Vergonha do senhor, Presidente Trump e vergonha dos republicanos). 

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.

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