Religião

30/07/2019 | domtotal.com

Babilônia vai cair!

A Babilônia é símbolo de degradação moral e idolatria.

Homens e mulheres colhem os problemas do patriarcado ao longo das épocas.
Homens e mulheres colhem os problemas do patriarcado ao longo das épocas. (Pau Barrena / AFP)

Por Tânia da Silva Mayer*

O sistema no qual nossa civilização cristã e ocidental está enraizada dá ênfase à figura do varão. Ele é o centro a partir do qual se orientam todas as outras existências. Por isso, no patriarcado as figuras do pai, do dono da casa, do patrão, do marido etc., ganham maior destaque e relevância. O que se quer mostrar é o homem como princípio gerador e normatizador da casa e da sociedade. Se tudo emana do homem, também tudo converge para ele em vista do seu bem estar.

Homens e mulheres colhem os problemas do patriarcado ao longo das épocas. As relações que esse sistema desenvolveu se fundamentaram na experiência de senhorio e vassalagem, de patrões e empregados, de donos e escravos. Essa divisão procura delimitar uma precedência do primeiro grupo sobre o segundo. Os senhores, patrões e donos são os homens brancos, burgueses e heterossexuais. O segundo grupo diz respeito ao restante da sociedade, sobretudo às mulheres. Esse grupo é inferiorizado a partir de argumentos que vão desde dados biológicos até os sociais.

A relação que o patriarcado estabelece consiste em submeter as existências das mulheres aos homens. Enquanto eles são os senhores, elas existem para que os homens gozem uma vida boa e feliz. Por isso, elas serão as mães, as esposas e as filhas que tudo fazem e a tudo servem. Cuidam da casa, lavam e passam, educam os filhos, fazem o sexo mesmo sem vontade, obedecem sem reclamar, pensam a partir da cabeça deles. Como se vê, esse sistema gosta do corpo da mulher, mas ocupando espaços anteriormente definidos pelos homens.

Por essa razão, o patriarcado é, em certo sentido, um sistema de inclusão, porque inclui as mulheres no papel da vassala, da empregada e da escrava. O patriarcado não se sustentaria se a mulher não estivesse incluída nesses papeis. Por isso, o menor movimento de ruptura com esse esquema sociorrelacional é visto com maus olhos e rejeitado com veemência. O patriarcado não pode tolerar a mulher ocupando outros espaços, porque isso significa uma ameaça às suas estruturas. Também não tolera o fato da autonomia feminina, a possibilidade delas pensarem sem eles. Tudo isso significaria o fim do sistema de inclusão que visa excluir um grupo – vassalas, empregadas e escravas – em vista do bem de outro grupo – senhores, patrões e donos.

O movimento mundial de guinada ao conservadorismo é uma reação aos abalos sísmicos e aos tsunamis que o movimento feminista já promoveu na contramão do patriarcado. As rupturas já podem ser vistas desde longas distâncias. E o patriarcado está ruindo cada dia mais. A ascensão da autonomia feminina e tudo o que isso significa não permite mais aos corpos ocuparem espaços predefinidos, mas aqueles espaços que são possíveis às liberdades no desejo irem sempre mais além. E esse movimento é tão poderoso que não pode mais ser interrompido. Babilônia vai cair, e não restará pedra sobre pedra.

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.

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